Decisão de Toffoli de designar quatro peritos para fazer a análise do material apreendido na segunda fase da operação do caso Master incomodou a PF e preocupa demais ministros do STF.
Toffoli nomeia peritos para analisar celulares e documentos de Daniel Vorcaro
A tensão entre a Polícia Federal (PF) e o ministro Dias Toffoli aumentou depois que o magistrado escolheu, sem consultar a direção da polícia, e divulgou o nome de quatro peritos designados por ele para fazer a extração de dados de material apreendido na segunda fase da operação Compliance Zero, juntamente com a Procuradoria-Geral da República (PGR).
Esse conflito entre os dois lados preocupa colegas do ministro no Supremo Tribunal Federal (STF).
Na avaliação de dirigentes da PF, a divulgação dos nomes expõe publicamente os peritos, algo que o órgão sempre evita fazer para preservar a liberdade dos agentes.
Além disso, funciona como uma intimidação contra os profissionais, que podem passar a ser alvos de acusações de vazamentos de dados que forem extraídos.
A escolha sem consultar a direção da PF foi vista dentro do órgão como “exótica”, indicando que Toffoli decidiu “dobrar a aposta” contra a Polícia Federal e tenta “controlar” as investigações sobre o caso Master.
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Dias Toffoli viajou em avião particular junto com advogado do Banco Master — Foto: AFP via BBC
Segundo integrantes da PF, Toffoli tentou passar a imagem de que estaria contornando o mal-estar com o órgão ao determinar que seus peritos também participem da extração dos dados, mas divulgar o nome foi uma medida “muito estranha” e que não segue os “manuais” de conduta de investigações.
Cautela no STF
Ministros do STF estão recomendando cautela no andamento do caso Master no tribunal, e temem que atritos entre Dias Toffoli e a Polícia Federal acabem se virando contra o STF.
Segundo esses ministros, as investigações devem revelar um esquema de fraudes bancárias explosivo. Passar a imagem de que o tribunal está dificultando essas investigações pode gerar desgaste importante para o próprio Supremo.
Toffoli está numa disputa com a PF desde que o caso foi transferido da Justiça Federal para o STF por uma decisão dele.
A justificativa para a transferência é criticada por especialistas e investigadores, porque não teria nenhuma relação com as fraudes: um documento tratando de uma negociação imobiliária entre um deputado e Daniel Vorcaro.
Depois, Toffoli convocou uma acareação sem mesmo que contradições tivessem surgido entre os investigados e acabou entrando em atrito com a delegada que preside o inquérito.
Agora, retirou da PF a custódia dos telefones celulares e computadores apreendidos na segunda fase da Operação Compliance Zero.
A demora na extração dos dados dos telefones celulares preocupa a PF porque pode dar tempo a seus proprietários de apagarem o seu conteúdo por meio de nuvens. As medidas adotadas por Toffoli, de determinar que os aparelhos ficassem desconectados de redes telefônicos e de wi-fi, podem minimizar esse risco, mas ele existe.











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