O Brasil vive um cenário preocupante no enfrentamento à violência de gênero. Entre 2020 e 2025, o país registrou 8.557 mortes de mulheres vítimas de feminicídio, o que representa um aumento de 9,1% no período. Os dados revelam uma escalada contínua do crime ao longo dos últimos seis anos, consolidando um padrão de crescimento que preocupa autoridades e entidades de defesa dos direitos das mulheres.
Somente em 2025, o número de feminicídios chegou a 1.470 vítimas, estabelecendo um novo recorde nacional. O total representa uma variação de 0,41% em relação a 2024, quando foram contabilizados 1.464 casos. O maior salto ocorreu entre 2020 e 2021, quando houve um aumento expressivo no número de mortes registradas.
A situação é igualmente grave quando se observa o volume de tentativas de feminicídio. Em 2025, foram registradas 3.702 tentativas de assassinato de mulheres, um crescimento de 16,3% em comparação ao ano anterior, que contabilizou 3.185 ocorrências. Mesmo sem a consolidação dos dados de todos os estados referentes ao mês de dezembro, este já é o maior número dos últimos seis anos.
No acumulado entre 2020 e 2025, o país somou 15.214 tentativas de feminicídio, um crescimento alarmante de 121,4%. Os números reforçam que, além das mortes consumadas, milhares de mulheres seguem expostas a situações extremas de violência.
CASOS NO CEARÁ
Um levantamento realizado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, mostra que ao longo de 2025, o Ceará registrou 47 feminicídios.
A maioria dos crimes de 2025 ocorreram no primeiro semestre, quando 24 mulheres foram assassinadas no Estado no contexto de violência doméstica ou em aversão ao gênero da vítima.
LEI DO FEMINICÍDIO
Em 2026, a Lei do Feminicídio completa 11 anos desde sua sanção, em 9 de março de 2015, durante o governo da então presidente Dilma Rousseff. Mais recentemente, em 2024, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou uma nova legislação que endurece as punições para o crime. Com a mudança, a pena máxima passou a ser de até 40 anos de prisão — a mais severa prevista no Código Penal brasileiro — além do agravamento das punições para casos de lesão corporal e violência doméstica.
Como parte da rede de proteção às mulheres, a Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180 segue funcionando como um canal nacional de apoio, orientação e denúncia. O serviço é gratuito, funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana, e é uma das principais ferramentas no combate à violência contra as mulheres no país.
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