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Por que metade dos aposentados brasileiros depende do crédito para sobreviver

A aposentadoria ainda é vista, por muitos brasileiros, como a fase da vida em que finalmente seria possível desacelerar, aproveitar o tempo livre e viver com mais tranquilidade. No entanto, a realidade financeira de grande parte dos aposentados no Brasil está longe desse ideal. Dados recentes mostram que o fim da vida laboral, em vez de trazer segurança, tem sido marcado por instabilidade, endividamento e preocupação constante com o orçamento.

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Redaçãoproducaodiario@svm.com.br
Legenda: Trabalhador, ao se aposentar, reduz renda e precisa recorrer ao crédito ou permanecer no mercado profissional.
Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

A aposentadoria ainda é vista, por muitos brasileiros, como a fase da vida em que finalmente seria possível desacelerar, aproveitar o tempo livre e viver com mais tranquilidade. No entanto, a realidade financeira de grande parte dos aposentados no Brasil está longe desse ideal. Dados recentes mostram que o fim da vida laboral, em vez de trazer segurança, tem sido marcado por instabilidade, endividamento e preocupação constante com o orçamento.

Uma pesquisa realizada pela Serasa, em parceria com o Instituto Opinion Box, revelou um dado alarmante: 50% dos aposentados brasileiros já precisaram recorrer ao crédito para pagar despesas, e 35% utilizaram empréstimos ou cartão de crédito para cobrir gastos essenciais, como alimentação, moradia e saúde. O levantamento expõe um cenário em que o crédito deixa de ser uma escolha e passa a ser um recurso de sobrevivência.

Renda menor, despesas maiores

O principal fator que explica o aumento do endividamento após a aposentadoria é o descompasso entre renda e custo de vida. De acordo com dados do IBGE, a renda média do aposentado brasileiro gira em torno de um a dois salários mínimos, valor que frequentemente não acompanha a inflação acumulada ao longo dos anos, especialmente nos itens que mais pesam para essa faixa etária.

Gastos com saúde são um exemplo claro. Medicamentos, consultas, exames e planos de saúde consomem uma parcela crescente do orçamento com o avanço da idade. Dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) mostram que os reajustes dos planos de saúde para idosos estão entre os mais altos do mercado, pressionando ainda mais a renda previdenciária.

Não por acaso, 44% dos aposentados entrevistados pela Serasa afirmaram que o risco de endividamento aumentou após a aposentadoria. Entre os principais motivos apontados estão:

  • Maior instabilidade financeira (46%);
  • Insuficiência da renda para manter o padrão de vida anterior (46%);
  • Medo de faltar dinheiro para se sustentar (44%);
  • Dificuldade para manter despesas básicas em dia (33%).

Esses números revelam que o problema não está apenas na falta de planejamento individual, mas em uma estrutura econômica que oferece pouca proteção financeira no pós-carreira.

 

Imagem mostra cartões de crédito.
Legenda: Trabalhador, ao se aposentar, reduz renda e precisa recorrer ao crédito ou permanecer no mercado profissional.
Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

 

O crédito como solução… e armadilha

Diante desse cenário, o crédito surge como uma alternativa imediata. Empréstimos pessoais, cartão de crédito e, principalmente, o crédito consignado são amplamente utilizados por aposentados. Segundo dados do Banco Central, os aposentados e pensionistas do INSS representam uma parcela significativa dos contratos de crédito consignado no país.

O consignado, por ter juros menores e desconto direto na folha de pagamento, é frequentemente visto como uma opção segura. No entanto, devo alertar que: juros mais baixos não significam ausência de risco. Ao comprometer parte fixa da renda mensal, o aposentado reduz sua margem de manobra financeira, ficando mais vulnerável a imprevistos.

O problema se agrava quando o crédito passa a ser usado para cobrir despesas recorrentes. Nesses casos, cria-se um ciclo perigoso: a renda não cobre os gastos, o crédito entra para complementar, e a dívida passa a consumir parte da renda futura, aprofundando o desequilíbrio.

Aposentadoria e trabalho: necessidade ou escolha?

Outro dado relevante da pesquisa da Serasa é que 60% dos aposentados continuam trabalhando. Para 63% deles, o principal motivo é a necessidade de complementar a renda. Já 57% afirmam que seguem trabalhando para manter uma vida mais ativa e dinâmica.

Outras razões incluem o desejo de se manter produtivo (32%), ajudar financeiramente familiares (23%) e buscar novos desafios profissionais (11%). Esses números mostram que o trabalho após a aposentadoria não é apenas uma questão financeira, mas também social e emocional.

Do ponto de vista econômico, continuar trabalhando pode ser uma estratégia saudável, desde que seja uma escolha consciente e compatível com a saúde. A renda extra ajuda a reduzir a dependência do crédito e traz mais segurança ao orçamento. No entanto, quando o trabalho se torna obrigatório para garantir o básico, ele deixa de ser uma alternativa positiva e passa a evidenciar falhas no sistema de proteção social.

Reorganizar o orçamento: um passo essencial

Embora o contexto seja desafiador, venho aqui afirmar a você que é possível melhorar a situação financeira após a aposentadoria, mesmo com renda limitada. O primeiro passo é reorganizar o orçamento de forma realista.

Isso significa rever o padrão de vida, separar despesas essenciais das supérfluas e adequar os gastos à nova realidade de renda. Muitos aposentados tentam manter o mesmo estilo de vida de antes, o que acaba gerando frustração e endividamento.

Priorizar moradia, alimentação, saúde e contas básicas é fundamental. Gastos que não contribuem diretamente para o bem-estar devem ser avaliados com cuidado. Planejamento financeiro, nesse contexto, não é sinônimo de privação total, mas de escolhas conscientes.

Renegociação: um caminho possível

Para quem já está endividado, a renegociação pode ser uma saída viável. Instituições financeiras costumam oferecer condições especiais para aposentados, como prazos maiores e redução de juros. Feirões de negociação, como os promovidos por birôs de crédito, também ajudam a regularizar a situação.

Mesmo com renda limitada, sair do endividamento é possível quando há organização, informação e disciplina. O importante é agir antes que a dívida se torne impagável e comprometa ainda mais a qualidade de vida.

Dicas práticas para aposentados

Para reduzir a dependência do crédito e evitar a inadimplência, criei algumas medidas simples, mas eficazes:

  1. Conheça sua renda real: saiba exatamente quanto entra por mês, já descontados empréstimos e consignados.
  2. Liste todas as despesas: identifique gastos fixos e variáveis e veja onde é possível reduzir.
  3. Priorize o essencial: moradia, alimentação e saúde devem vir sempre em primeiro lugar.
  4. Use o crédito com cautela: só contrate empréstimos com objetivo claro e parcelas que caibam no orçamento.
  5. Evite o cartão de crédito para gastos básicos: os juros são altos e podem sair do controle rapidamente.
  6. Renegocie dívidas: procure melhores condições antes que a situação se agrave.
  7. Busque renda complementar, se possível: atividades leves ou pontuais podem ajudar no equilíbrio financeiro.
  8. Invista em educação financeira: informação é uma das principais ferramentas de proteção.

A aposentadoria deveria ser um período de mais segurança e dignidade. Garantir isso passa por políticas públicas mais eficazes, mas também por orientação, planejamento e escolhas conscientes. Reduzir a dependência do crédito é um passo essencial para que esse momento da vida seja vivido com menos medo e mais tranquilidade.

Pensem nisso! Até a próxima.

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Carlos Alberto

Oi, eu sou o Carlos Alberto, radialista de Campos Sales-CE e apaixonado por futebol. Tenho qualidades, tenho defeitos (como todo mundo), mas no fim das contas, só quero viver, trabalhar, amar e o resto a gente inventa!

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