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Recarga dos açudes do CE está ameaçada mesmo se chover bem; entenda

O primeiro prognóstico da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) para 2026 traz 60% de condições para chuvas dentro ou acima da média, no intervalo entre fevereiro e abril. Contudo, mesmo que chova bem, o aporte de água nos açudes do Ceará enfrenta um cenário de incerteza e preocupação. 

Aporte de água depende de condições favoráveis do solo.

Escrito por
Nícolas Paulinonicolas.paulino@svm.com.br

Vista ampla do Açude Castanhão com águas calmas e vegetação aquática em primeiro plano. À direita, a imponente estrutura de concreto da barragem sob um céu carregado de nuvens escuras e pesadas de chuva.
Legenda: Açude Castanhão é o reservatório mais lembrado quando se fala em abastecimento do Ceará.
Foto: Honório Barbosa.

O primeiro prognóstico da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) para 2026 traz 60% de condições para chuvas dentro ou acima da média, no intervalo entre fevereiro e abril. Contudo, mesmo que chova bem, o aporte de água nos açudes do Ceará enfrenta um cenário de incerteza e preocupação.

Segundo o presidente da Funceme, Eduardo Sávio Martins, o sistema de recursos hídricos pode não receber o volume esperado mesmo que as chuvas fiquem dentro da média histórica. Isso ocorre porque há uma diferença técnica entre a ocorrência de chuva e o efetivo acúmulo da água para os reservatórios.

O Governo do Estado monitora 143 açudes estratégicos para o abastecimento da população, de acordo com o Portal Hidrológico da Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh).

 

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Atualmente, um dos principais obstáculos para a recarga é o estado de umidade do solo. Para que a água corra em direção aos rios e reservatórios, a terra já precisaria estar saturada, formando uma “camada de retenção” para segurar as precipitações.

Nesse cenário, em que as chuvas ocorrem sobre o solo ainda seco, a água é primeiramente absorvida pela terra antes de começar a escoar.

 

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Cenário de atenção

Martins explica que a probabilidade de aportes abaixo da média neste ano é alta, chegando a 60% se os cálculos das categorias de previsão forem simplificados.

“Para o sistema de recursos hídricos é preocupante porque, em 50% dos anos que ficam em torno da média, nós temos aporte abaixo da média”, afirmou o presidente durante a divulgação do prognóstico, no último dia 21 de janeiro.

 

De acordo com o especialista, o cenário ideal seria que as condições de umidade estivessem elevadas já na pré-estação chuvosa (meses de dezembro e janeiro), para que o escoamento fosse gerado de imediato.

 

No entanto, o período tem sido bastante negativo: dezembro acumulou apenas 17,9 milímetros, quando a média é de 31,3mm. Janeiro inteiro tem média de 99,8mm, mas até o momento, só choveram 14,4mm. Os dados são do Calendário de Chuvas.

“É por isso que a probabilidade de termos escoamento abaixo da média me preocupa tanto para o setor de recursos hídricos”, destacou o especialista.

 

Paisagem de um terreno plano com pequenas poças d'água no interior do Ceará que refletem um céu repleto de nuvens cinzentas. Ao fundo, observa-se uma linha de árvores, casas simples e torres de energia sob uma luz difusa.
Legenda: Ideal é que pré-estação chuvosa tivesse preparado o solo dos açudes para receber as águas da estação.
Foto: JL Rosa.

 

Situação dos açudes

Atualmente, os açudes monitorados pela Cogerh estão com 38,5% da reserva. Porém, há uma grande diferença nos acumulados por região.

 

O Sertão dos Crateús tem o pior cenário, com apenas 9% do total. As bacias do Médio Jaguaribe (20%) e do Banabuiú (26%) também apresentam situação desconfortável.

 

As melhores bacias em volume, hoje, são do Alto Jaguaribe (70%), Acaraú (65%) e Litoral (62%).

No momento atual, nenhum açude está sangrando no Estado, e 42 reservatórios têm volume inferior a 30%.

Abastecimento está comprometido?

O secretário executivo da Secretaria dos Recursos Hídricos (SRH), Ramon Rodrigues, avalia que o Estado possui um estoque “razoável” de 7 bilhões de metros cúbicos, mas reforça que as reservas não estão distribuídas de forma homogênea. Isso exige monitoramento constante do grupo estadual de contingência hídrica.

No caso da Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), Rodrigues afirmou que a situação é “satisfatória e tranquila”. No entanto, destacou a necessidade de o consumo ser feito com cautela, lembrando que o Ceará faz parte de uma região semiárida.

Em outras áreas do Estado, o cenário apresenta contrastes:

  • Região de Crateús: Rodrigues classificou o problema da região como “crônico” e apontou que a solução definitiva depende da conclusão do reservatório Lago de Fronteiras. Caso os níveis não subam após o período de chuvas, o Estado planeja repetir intervenções de anos anteriores, como trazer água do açude Araras;
  • Região do Cariri: apresenta uma situação mais confortável devido à integração com o Cinturão das Águas (CAC) e o Rio São Francisco. A expectativa é que as águas do projeto cheguem a Barbalha no final de maio e ao Crato no final de julho.

O secretário executivo reforçou que a prioridade legal do uso da água é o abastecimento humano, seguido pelo animal e indústria, sendo a agricultura irrigada o último uso na escala, em caso de escassez.

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Carlos Alberto

Oi, eu sou o Carlos Alberto, radialista de Campos Sales-CE e apaixonado por futebol. Tenho qualidades, tenho defeitos (como todo mundo), mas no fim das contas, só quero viver, trabalhar, amar e o resto a gente inventa!

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