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Gastos administrativos da máquina pública atingem maior valor em 9 anos em 2025

Gastos administrativos da máquina pública atingem maior valor em 9 anos em 2025

Por Alexandro Martello, g1 — Brasília

 

  • Os gastos administrativos para manter a máquina pública funcionando somaram R$ 72,7 bilhões em 2025, atingindo o maior patamar em nove anos.

  • Os números, que são Secretaria do Tesouro Nacional, foram corrigidos pela inflação para permitir uma comparação. A série histórica tem início em 2011.

  • Os dados mostram que as despesas com o funcionamento da máquina pública ficaram acima de R$ 70 bilhões por ano nas gestões da petista Dilma Rousseff, entre 2011 e meados de 2016 – quando sofreu o impeachment.

  • Essas despesas foram menores nos governos Michel Temer e Jair Bolsonaro, voltando a ganhar força no terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a partir de 2023. No ano passado, voltou a ultrapassar a marca dos R$ 70 bilhões.

Gastos com previdência são as despesas que mais pesam nas contas do governo

Gastos com previdência são as despesas que mais pesam nas contas do governo

Os gastos administrativos para manter a máquina pública funcionando somaram R$ 72,7 bilhões em 2025, atingindo o maior patamar em nove anos.

Os números, que são Secretaria do Tesouro Nacional, foram corrigidos pela inflação para permitir uma comparação. A série histórica tem início em 2011.

Os dados mostram que as despesas com o funcionamento da máquina pública ficaram acima de R$ 70 bilhões por ano nas gestões da petista Dilma Rousseff, entre 2011 e meados de 2016 – quando sofreu o impeachment.

GASTOS COM CUSTEIO ADMINISTRATIVO
EM R$ BILHÕES (CORRIGIDOS PELA INFLAÇÃO)
72.61672.61675.26275.26274.01474.01477.43877.43872.56572.56577.74877.74868.54968.54968.42568.42565.84165.84161.94461.94457.77957.77960.18760.18763.23563.23565.19765.19772.73872.738201120122013201420152016201720182019202020212022202320242025020k40k60k80k100k
Fonte: TESOURO NACIONAL

Essas despesas foram menores nos governos Michel Temer e Jair Bolsonaro, voltando a ganhar força no terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a partir de 2023. No ano passado, voltou a ultrapassar a marca dos R$ 70 bilhões.

Entre essas despesas administrativas, estão:

  • água;
  • energia elétrica;
  • telefone;
  • serviços de limpeza;
  • vigilância;
  • apoio administrativo e operacional;
  • combustíveis;
  • tecnologia da informação;
  • aluguel de imóveis e veículos;
  • diárias e passagens; e
  • serviços bancários.

 

💵O aumento dessas despesas reduz espaço para programas sociais, bolsas e universidades federais, entre outros (veja a lista mais abaixo nessa reportagem).

➡️A explicação é que a despesa com custeio da máquina pública está dentro dos chamados gastos livres do governo e, para estes, há um limite definido pelo arcabouço fiscal, a regra para as contas públicas. Eles não podem crescer mais do que 2,5% ao ano (corrigidos pela inflação).

💰 Os chamados gastos obrigatórios, como benefícios, pensões e salário dos servidores públicos, estão crescendo mais do que 2,5% ao ano e comprimindo o espaço para os investimentos e despesas livres do governo — que vai ficando cada vez menor.

📈 De acordo com números do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, o governo possui uma margem de R$ 129,2 bilhões para os chamados gastos livres dos ministérios em 2026, envolvendo despesas administrativas de custeio da máquina pública, investimentos e gastos dos ministérios.

➡️Ao alocar boa parte desses recursos (mais de R$ 70 bilhões) para despesas administrativas da máquina pública, sobra menos espaço para os demais gastos livres do governo. São eles:

  • investimentos em infraestrutura;
  • verbas para a defesa agropecuária;
  • bolsas do CNPq e da Capes;
  • emissão de passaportes;
  • fiscalização ambiental e do trabalho escravo;
  • Farmácia Popular;
  • despesas administrativas;
  • recursos para universidades federais; e
  • recursos para agências reguladoras, entre outros.

 

“Será um ano difícil para a execução das despesas discricionárias, seja pelo volume de despesas obrigatórias represadas com a fila para a concessão de benefícios previdenciários e assistenciais, seja pelo calendário eleitoral”, afirmou Jeferson Bittencourt, ex-secretário do Tesouro Nacional e head de macroeconomia do ASA.

 

“Com custeio da máquina pública, tem uma margem [de gastos] para investimentos medíocre em um país continental com as necessidades que o Brasil tem. Insustentabilidade e horizonte pouco promissor ao país [são características que] saltam aos olhos que essa estrutura fiscal [arcabouço] oferece”, disse Marcus Pestana, diretor-executivo da Instituição Fiscal Independente (IFI), ligada ao Senado Federal.

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Carlos Alberto

Oi, eu sou o Carlos Alberto, radialista de Campos Sales-CE e apaixonado por futebol. Tenho qualidades, tenho defeitos (como todo mundo), mas no fim das contas, só quero viver, trabalhar, amar e o resto a gente inventa!

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