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Levantamento aponta quase 3 mil tipos de ‘penduricalhos’ no serviço público

Benefícios extras ampliam salários acima do teto constitucional.

Benefícios extras ampliam salários acima do teto constitucional.

Praça dos Três Poderes, em Brasília, com vista para o Congresso Nacional  | Tony Winston/Agência Brasília/Divulgação
Praça dos Três Poderes, em Brasília, com vista para o Congresso Nacional | Foto: Tony Winston/Agência Brasília/Divulgação

Um levantamento da Transparência Brasil identificou cerca de 3 mil nomes diferentes de benefícios extras, conhecidos como “penduricalhos”, pagos a servidores do Judiciário e do Ministério Público em todo o país. Os dados reforçam a decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou a revisão desses pagamentos por órgãos públicos, por contribuírem para salários acima do teto constitucional.

Na decisão, o ministro citou exemplos de auxílios considerados, no mínimo, questionáveis, como “auxílio-peru” e “auxílio-iPhone”. O levantamento mostra que a criatividade vai além: pequenas variações de nomes, até o uso ou não de hífen multiplicam as nomenclaturas. Diante disso, os pesquisadores precisaram agrupar os benefícios em categorias para tornar a análise viável.

 

 

<img class="i-amphtml-intrinsic-sizer" role="presentation" src="data:;base64,” alt=”” aria-hidden=”true” />Ministro do STF Flávio Dino - Foto: STF

Ministro do STF Flávio Dino – Foto: STF 

Categorias e tipos mais recorrentes

Mesmo após a consolidação, o estudo chegou a cerca de 60 categorias de penduricalhos, segundo Cristiano Pavani, coordenador de projetos da Transparência Brasil. Entre elas, destacam-se 18 tipos de gratificações, como gratificação por acervo (para juízes com grande volume de processos), coordenação, corregedoria, diretoria, eleitoral e magistério.

O levantamento também encontrou 11 tipos de auxílios, entre eles auxílio-alimentação, saúde, moradia, transporte, educação, creche e telefone. Outras rubricas chamam atenção, como a URV, relacionada a recomposições salariais da década de 1990, e a chamada diferença de entrância, paga conforme o porte da comarca em que o juiz atua.

Equiparações e disputa entre carreiras

Outro exemplo é a PAE (Parcela Autônoma de Equivalência)utilizada para equiparar vencimentos do Judiciário e do Ministério Público aos do Legislativo. Para Pavani, a ausência de uma regulamentação nacional favorece uma “corrida viciosa” entre órgãos públicos. Segundo ele, quando um benefício é criado em uma carreira, outros setores rapidamente reproduzem o modelo, ampliando o impacto sobre os cofres públicos.

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Carlos Alberto

Oi, eu sou o Carlos Alberto, radialista de Campos Sales-CE e apaixonado por futebol. Tenho qualidades, tenho defeitos (como todo mundo), mas no fim das contas, só quero viver, trabalhar, amar e o resto a gente inventa!

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