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Crimes políticos no Brasil geram 760 assassinatos em vinte anos

Lula declara 'guerra' para 2026. Entenda a escalada da violência política no Brasil, com 760 assassinatos em 20 anos e o impacto em líderes municipais e mulheres negras

Lula declara ‘guerra’ para 2026. Entenda a escalada da violência política no Brasil, com 760 assassinatos em 20 anos e o impacto em líderes municipais e mulheres negras

Crimes políticos no Brasil geram 760 assassinatos em vinte anosCrimes políticos no Brasil geram 760 assassinatos em 20 anos | Reprodução

Durante um discurso pronunciado no último sábado, em Salvador, na Bahia, por ocasião das comemorações dos 46 anos de fundação do Partido dos Trabalhadores, o presidente Lula, diante de uma plateia majoritariamente aliada, disse que a eleição de 2026 será “uma guerra”, e que o slogan de suas campanhas anteriores de “paz e amor”, não existe mais.

O que o Presidente Lula está afirmando não é mera retórica para animar seus aliados e colocá-los no caminho de uma luta eleitoral que se prenuncia difícil e aguerrida. Os históricos das eleições no Brasil têm demonstrado que a violência política está instalada e enraizada nas disputas espalhadas por todo o país.

 

Basta olharmos para o ano de 2024, quando ocorreram eleições municipais para a escolha de prefeitos e vereadores, esta tal violência política resultou em 76 assassinatos, conforme levantamento produzido pelo Grupo de Investigação  Eleitoral da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Nesse período de um ano, foram registrados 525 casos de violência contra lideranças políticas e também contra seus familiares. Os dados salientam que essa violência tem crescido em todo o Brasil, agravada que foi a partir de 2018.

Um estudo que acaba de ser publicado neste mês de fevereiro pelo Cebrap e pela ONG Iniciativa Global, (entidade sediada em Genebra) com o título em inglês “Deadly Democracy”, registra a história de 1.228 episódios de violência contra políticos e ativistas, que resultaram, entre os anos de 2003 e 2023, em 760 assassinatos no Brasil, indicando que nesse terreno da política a solução pacífica para as controvérsias e disputas está muito longe de ocorrer no país.

O levantamento, que abarca os períodos de quatro governos (Lula 2003-2010), Dilma Rousseff (2011-2016), Michael Temer (2016-2018) e Jair Bolsonaro (2019-2022), deixa nítido que houve uma dinâmica na crônica da violência, embora isso tenha se manifestado relativamente bem abaixo nos dois períodos governamentais de Lula, quando a média de crimes de natureza política foram de 21,5 e 15,8. Sob o governo de Michael Temer a média de assassinatos teve um aumento espantoso, pulando para 61,3 entre agosto de 2016 e dezembro de 2018. Mas se forem acrescidas 25 mortes políticas que aconteceram entre maio e agosto de 2016, quando Temer estava no poder porque Dilma fora afastada pelo impeachment, esse número total 86,3.

Em 20 anos, o Brasil teve um episódio de violência política por semana. Esta situação se agravou na década passada, quando começou a crescente demonização  dos adversários políticos, sobretudo nos períodos anteriores à derrubada da Presidente Dilma Rousseff, quando movimentos organizados e financiados, contando com apoio de organismos internacionais, especialmente dos EUA, tomaram as ruas do país, com ações de depredação e arruaças permanentes n contra pessoas, com ampla cobertura e impulsionamento de grande parte da mídia.

No período Bolsonaro, já com os níveis de violência impulsionados pelos movimentos engendrados para a queda de Dilma Roussef, e a triplicação de assassinatos no período de Temer, o marcante incentivador dessa espiral de violência, servindo como uma espécie de gatilho para essa escalada, veio exatamente da facilitação do acesso às armas e munições, uma medida estupidamente perigosa e danosa que o governo anterior adotou, eliminando mecanismos legais de controle, reduzindo ou extinguindo  legislações sobre o tema e abrindo as porteiras para Clubes de Tiro.

Foi com Bolsonaro no poder que  o Brasil explodiu na abertura desses ambientes. O crescimento foi de cerca de 268%  no início do governo, estimulados pelo afrouxamento das leis, e no período de 2019 a 2022 muitos observadores de entidades ligadas à segurança pública sustentam que o crescimento desses clubes foi superior a 1.400%.

As principais vítimas da violência política no Brasil são lideranças municipais, prefeitos, vereadores, candidatos a esses cargos, seus familiares e aliados. Mas a violência, também nesse campo político, atinge expressivamente o campo gênero e  raça.

Mulheres negras são alvos desproporcionais de ataques recorrentes, com ameaças de todo0 tipo, do assédio virtual à violência físca e, daí, à morte. Em 2024, mulheres foram alvo de 35% a 38% dos casos de violência política, mesmo sendo elas minoria entre os candidatos.

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Carlos Alberto

Oi, eu sou o Carlos Alberto, radialista de Campos Sales-CE e apaixonado por futebol. Tenho qualidades, tenho defeitos (como todo mundo), mas no fim das contas, só quero viver, trabalhar, amar e o resto a gente inventa!

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