
Em meio a operações da Polícia Federal sobre fraudes com emendas parlamentares, denúncias de descontos indevidos contra aposentados e pensionistas e a repercussão do escândalo envolvendo o Banco Master, a corrupção voltou a ganhar força como uma das principais inquietações dos brasileiros.
Levantamento do instituto Ipsos, por meio da pesquisa What Worries the World, mostra que a percepção de preocupação com corrupção subiu sete pontos percentuais entre janeiro e fevereiro, alcançando 40% da população. Na comparação com o mesmo período do ano passado, o avanço é ainda maior: 11 pontos percentuais.
Segundo Diego Pagura, CEO da Ipsos no Brasil, o cenário recente ampliou a visibilidade de um problema histórico no país. “Trata-se de um tema estrutural, cuja preocupação no Brasil supera a média global, hoje em 27%”, destaca.
Escândalos reacendem debate
O aumento da preocupação ocorre em um contexto de forte repercussão pública. Além das investigações sobre o caso Banco Master — que geraram cobranças por um código de ética no Supremo Tribunal Federal (STF) e a saída do ministro Dias Toffoli da relatoria — a CPI que apura fraudes no INSS também intensificou o debate sobre desvios e má gestão de recursos.
Crime e violência lideram ranking
Apesar da alta expressiva, a corrupção aparece atrás apenas de crime e violência, que lideram o ranking das preocupações no Brasil com 49%, oito pontos percentuais acima do registrado no mês anterior.
Pagura avalia que a sucessão de episódios de grande impacto emocional contribuiu para essa percepção. Entre os fatores citados estão o número recorde de feminicídios — média de quatro mulheres assassinadas por dia no ano passado — e casos que ganharam forte mobilização nas redes sociais, como a morte do cão Orelha, em Santa Catarina.
“Quando acontecimentos de grande carga simbólica dominam simultaneamente o noticiário e as redes sociais, a sensação coletiva de insegurança se intensifica”, explica.
Outras preocupações
Completam o ranking das cinco maiores preocupações dos brasileiros:
• Saúde: 38% (alta de dois pontos percentuais);
• Pobreza e desigualdade social: 34% (crescimento de um ponto);
• Impostos: leve recuo de um ponto percentual.
No cenário global, os principais temores são:
1. Crime e violência (33%);
2. Inflação (29%);
3. Pobreza e desigualdade social (28%);
4. Corrupção (27%);
5. Desemprego (27%).
Metodologia
A pesquisa foi realizada entre 23 de janeiro e 6 de fevereiro, com 25.709 entrevistados em 29 países. No Brasil, participaram cerca de mil pessoas, entre 16 e 74 anos.
O Ipsos ressalta que, no caso brasileiro, a amostra representa principalmente uma população mais conectada, urbana e com maior nível educacional e poder aquisitivo, não refletindo integralmente o conjunto da sociedade.











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