Um relato publicado no TikTok provocou forte repercussão e preocupação entre médicos e internautas ao levantar dúvidas sobre práticas perigosas na saúde ginecológica. No vídeo, que já não está mais disponível na plataforma, uma mulher afirmou que uma ginecologista teria se oferecido para “remover a menstruação” durante um exame de papanicolau, usando o que ela descreveu como uma técnica de “tirar à colher”.
No depoimento, a mulher ironiza a situação:
— “Eu pareço um pote de Häagen-Dazs? E, sim… ela realmente fez isso: tirou à colher”, disse.
O vídeo chegou a 3,9 milhões de visualizações, segundo o jornal New York Post, antes de ser retirado do ar, e gerou intenso debate nas redes sociais sobre limites, ética e riscos em procedimentos ginecológicos.
O que poderia ser o procedimento
A ginecologista Helga Marquesini, do Hospital Sírio-Libanês, explicou ao Correio Braziliense que o método descrito pode se referir a uma curetagem uterina, técnica que remove o endométrio, camada interna do útero responsável pela menstruação.
Embora esse procedimento possa reduzir temporariamente o sangramento, ele não é um exame de rotina e não deve ser feito durante um papanicolau. A curetagem é indicada, principalmente, em casos como abortos incompletos ou sangramentos intensos e persistentes, e normalmente é realizada sob sedação.
Riscos sérios para a saúde
A médica alerta que o procedimento é doloroso, invasivo e carrega riscos importantes, entre eles:
• menstruações irregulares,
• infertilidade,
• e a síndrome de Asherman, condição em que cicatrizes se formam dentro do útero, podendo causar complicações graves.
Além disso, mesmo após a curetagem, o sangramento pode continuar, pois o procedimento não “elimina” definitivamente a menstruação.
Por que o vídeo preocupa
O caso expõe o perigo da desinformação médica nas redes sociais e do tratamento banalizado de procedimentos invasivos, que podem parecer simples em vídeos curtos, mas envolvem riscos reais à saúde da mulher.
Especialistas reforçam que nenhuma intervenção ginecológica desse tipo deve ser feita sem indicação clínica, consentimento informado e condições adequadas de segurança. O episódio serve como alerta: nem tudo o que viraliza é seguro — e, em saúde, isso pode custar caro.
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