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Por que Ciro Gomes escolheu o Cariri para iniciar os encontros regionais da oposição

Não é apenas onde a oposição começa a se reunir. É onde ela tenta provar que pode, de fato, voltar a disputar o Estado.

Não é apenas onde a oposição começa a se reunir. É onde ela tenta provar que pode, de fato, voltar a disputar o Estado.

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Inácio Aguiarinacio.aguiar@svm.com.br

07 de Fevereiro de 2026 – 07:00

Inácio Aguiar

Legenda: Ciro Gomes ainda não anunciou pré-candidatura, mas segue liderando um processo de construção de candidatura de oposição

Foto: Thiago Gadelha

O ex-ministro Ciro Gomes (PSDB) inicia, hoje, um movimento de oposição no Ceará por uma das regiões mais simbólicas do Interior: o Cariri. O grupo político dele, ao promover o encontro de hoje emite sinais ao tabuleiro eleitoral do Ceará. Ele tem uma agenda institucional com homenagem formal na Câmara Municipal de Juazeiro do Norte, mas, naturalmente, não se trata disso. O movimento tem densidade estratégica, simbólica e eleitoral.

Um território que fala por si

Começar pelo Cariri é reconhecer o peso de uma região que funciona quase como um “estado dentro do estado”. Distante de Fortaleza, com dinâmica econômica, social e política própria, o Cariri concentra entre 20 e 30 municípios e tem um eixo urbano robusto formado por Juazeiro do Norte, Crato e Barbalha. Quem se consolida ali ganha musculatura política no Interior. Algo que, convenhamos,  é decisivo em eleições estaduais.

Historicamente, o Interior é onde campanhas se enraízam ou fracassam. Ao priorizar o Cariri, Ciro sinaliza que a pré-campanha da oposição não será centrada apenas na Capital, mas construída também no interior, onde a dinâmica do voto é diferente.

O simbolismo do embate com o governismo

Há também um recado direto ao grupo que hoje comanda o Estado. O Cariri é o berço político de Camilo Santana, principal liderança do PT no Ceará e figura central do projeto governista que tem Elmano de Freitas como governador. Não por acaso, Camilo é alvo recorrente das críticas de Ciro.

Ao fincar bandeira justamente nessa região, tradicionalmente petista, Ciro busca romper um domínio simbólico: mostrar que há fissuras no território onde o governismo sempre foi mais confortável.

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Juazeiro do Norte: oposição com poder institucional

Outro fator decisivo está no comando político do maior município da região. Juazeiro do Norte é governada por Glêdson Bezerra, aliado de Ciro e hoje um dos principais vetores da oposição no Interior.

Mesmo filiado ao Podemos, partido que integra a base do governador, Glêdson lidera um movimento local de enfrentamento ao governo estadual que vem ganhando tração em 2026.

Ter um prefeito de grande cidade como anfitrião dá lastro ao evento, além de animar lideranças regionais que buscam um polo de referência fora do Palácio da Abolição.

Pré-campanha sem anúncio, mas com comando

Embora Ciro siga sem oficializar a pré-candidatura, o roteiro é típico de quem lidera um processo. Reunir aliados, organizar encontros regionais e dar coesão à oposição são passos fundamentais para ocupar o campo adversário ao governo.

A indefinição formal funciona, mais uma vez, como instrumento de estratégia: mantém o grupo mobilizado e amplia o espaço de manobra.

O recado final

Ao escolher o Cariri como ponto de largada, Ciro une três dimensões:

  • Territorial, ao priorizar uma região-chave do Interior;
  • Simbólica, ao desafiar o berço político do PT;
  • Política, ao se apoiar em lideranças locais com poder real.

Não é apenas onde a oposição começa a se reunir. É onde ela tenta provar que pode, de fato, voltar a disputar o Estado.

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Carlos Alberto

Oi, eu sou o Carlos Alberto, radialista de Campos Sales-CE e apaixonado por futebol. Tenho qualidades, tenho defeitos (como todo mundo), mas no fim das contas, só quero viver, trabalhar, amar e o resto a gente inventa!

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