Funcionário acumulava funções, não tinha qualificação técnica e seguia orientações à distância para o preparo de produtos químicos da piscina, segundo a Polícia Civil.

As investigações da Polícia Civil revelaram que o manobrista responsável pela limpeza da piscina em que uma mulher morreu após passar mal intoxicação em São Paulo recebia instruções de preparo das misturas químicas utilizadas na piscina via whatsapp dos donos do espaço.
O profissional foi identificado como Severino Silva, de 43 anos, e prestou depoimento nesta terça-feira (10). Além disso, veio à tona que o manobrista acumulava funções na academia a partir da sua declaração à Polícia. O funcionário prestava serviços à empresa há cerca de três anos como ajudante-geral.
Ele era responsável pela manutenção da piscina mesmo sem conhecimento técnico ou curso específico.
INVESTIGAÇÕES
O delegado Alexandre Bento, do 42º Distrito Policial, informou que o manobrista confirmou ter sido o responsável pelo preparo das misturas químicas utilizadas na piscina.
Ele mandava mensagens, fazia medições da piscina e enviava fotos da piscina e das medições. Um dos sócios da empresa dava as orientações e dizia: ‘Põe uma proporção tal de cloro, proporção tal de elevador de pH e dos produtos’. Tudo era feito à distância, sem nenhum contato presencial. Severino não tem nenhuma qualificação para esse tipo de serviço. Ele mesmo declarou que não é habilitado e que nunca fez curso de piscineiro, explicou o delegado Bento.
Agora, a linha investigativa irá focar no conteúdo das mensagens trocadas por WhatsApp e verificar se parte desse material foi apagado.
HIPÓTESES LEVANTADAS
O local segue interditado após a morte e foi confirmado pelas autoridades que o estabelecimento não possui alvará de funcionamento. Trabalha-se com a hipótese de uma mudança recente nos produtos utilizados na piscina, que seriam mais concentrados e de menor custo.
O delegado do caso explicou que quando há a combinação de cloros de marcas diferentes pode ocasionar em reações químicas perigosas.
O QUE DIZ O FUNCIONÁRIO
Ainda não há um laudo conclusivo sobre a causa da morte de Juliana Faustino. O exame de necropsia está em andamento, e a perícia deverá indicar o tipo, a concentração e a qualidade dos produtos utilizados.
De acordo com o relato do funcionário, ele fazia a mistura do produto e deixava o balde na borda da piscina. Ao fim do dia, os próprios professores eram responsáveis por aplicarem o produto.
A polícia afirma que há indícios de crime e trabalha agora para individualizar as condutas e definir a responsabilidade de cada envolvido.
ENTENDA O CASO
Uma mulher identificada como Juliana Faustino Bassetto, de 27 anos, morreu na noite de sábado (7) durante uma aula de natação em uma academia no Parque São Lucas, zona Leste de São Paulo.
Ela e o esposo Vinícius de Oliveira, foram embora após apresentarem um mal estar enquanto estavam na piscina. Eles reclamavam de náuseas e enjôo. O marido da vítima, tentou resgatá-la e permanece hospitalizado em estado grave.
Outras cinco pessoas também chegaram a passar mal e tiveram que ser internados. Dentre eles, um adolescente de 14 anos. O caso segue em investigação.











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