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Energia: leilões frustram térmicas e aumentam chance das baterias

Valores estabelecidos pelo Ministério de Minas e Energia ficam abaixo das expectativas e sinalizam atratividade do armazenamento em baterias

Valores estabelecidos pelo Ministério de Minas e Energia ficam abaixo das expectativas e sinalizam atratividade do armazenamento em baterias

Escrito por

Egídio Serpaegidio.serpa@svm.com.br

11 de Fevereiro de 2026 – 11:03

(Atualizado às 11:08)

Egídio Serpa

Legenda: Diante dos preços estabelecidos pelo MME para o novo leilão de energia, as baterias surgem como alternativa para o armazenamento

Foto: Thiago Gadelha / SVM

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A divulgação dos preços-teto do Leilão de Reserva de Capacidade (LRCAP), previsto para março deste ano, foi recebida com cautela pelo mercado e deve provocar mudanças relevantes na dinâmica de competição entre tecnologias no setor elétrico brasileiro. A avaliação é da Clean Energy Latin America (CELA), especializada em assessoria financeira e consultoria estratégica para empresas e investidores no segmento de transição energética e descarbonização.

Segundo análise da CELA, os valores estabelecidos pelo Ministério de Minas e Energia — de R$ 1,12 milhão por megawatt-ano (MW-ano) para a recontratação de termelétricas existentes, R$ 1,6 milhão por MW-ano para novos projetos a gás e R$ 1,4 milhão por MW-ano para projetos hidrelétricos — ficaram abaixo das expectativas de parte significativa do mercado, especialmente entre agentes ligados à expansão termelétrica.

Para a consultoria, há um descolamento entre os tetos anunciados e as premissas econômicas tradicionalmente consideradas necessárias para viabilizar novos empreendimentos térmicos, o que levanta dúvidas sobre a atratividade do certame para esse tipo de projeto e sobre a capacidade do leilão de contratar nova potência a partir dessas fontes.

cordo com Camila Ramos, CEO da CELA, esse novo patamar de preços redefine o ambiente competitivo do LRCAP e abre espaço para alternativas focadas em flexibilidade e resposta rápida ao sistema e, nesse contexto, o armazenamento de energia por baterias (BESS, na sigla em inglês) surge como uma solução cada vez mais aderente ao desenho do leilão.

“Com os custos atuais de investimento (CAPEX) e operação (OPEX), o armazenamento por baterias já se mostra competitivo dentro dos preços-teto divulgados. Neste sentido, o BESS ganha atratividade e passa a disputar espaço não apenas com novas térmicas, mas também com projetos hidrelétricos e, em alguns casos, até com a recontratação de usinas existentes”, afirma.

Além da competitividade econômica, a consultoria destaca os benefícios sistêmicos do armazenamento. As baterias oferecem resposta rápida, flexibilidade operacional e capacidade de atender picos de demanda — atributos críticos para o período de transição do fim da tarde, quando a geração solar se reduz e o sistema exige recursos confiáveis de potência.

Outro ponto ressaltado pela CELA é o potencial do BESS para contribuir com a modicidade tarifária. Ao reduzir a dependência de soluções mais caras e emissoras em momentos de estresse do sistema, o armazenamento pode ajudar a conter custos para o consumidor final. Segundo a consultoria, em escala, as baterias também podem atuar como carga em períodos de sobra de energia, auxiliando na mitigação do curtailment e na melhor utilização da base renovável já instalada.

“O sinal econômico emitido pelos preços-teto do LRCAP reforça a necessidade de o Brasil avançar em modelos de contratação que valorizem atributos como flexibilidade, tempo de resposta e confiabilidade. Tecnologias como o armazenamento têm papel estratégico nesse novo desenho do setor”, explica Camila Ramos.

A CELA avalia que os desdobramentos do leilão de março serão determinantes para indicar se o mercado conseguirá suprir a necessidade futura de potência do sistema elétrico brasileiro e de que forma diferentes tecnologias irão se posicionar nesse novo ambiente regulatório e econômico.

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Carlos Alberto

Oi, eu sou o Carlos Alberto, radialista de Campos Sales-CE e apaixonado por futebol. Tenho qualidades, tenho defeitos (como todo mundo), mas no fim das contas, só quero viver, trabalhar, amar e o resto a gente inventa!

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