
Passado o Carnaval, o País deve mergulhar em um dos debates mais polêmicos do momento: a possível mudança da jornada de trabalho da escala 6×1 (seis dias de trabalho para um de descanso) para 5×2, com redução da carga semanal de 44 para 40 horas, sem corte salarial.
Embora as duas escalas já existam atualmente dentro do limite legal de 44 horas semanais, o centro da discussão está na diminuição da jornada total, mantendo os salários. A proposta divide opiniões e levanta questionamentos sobre impactos econômicos e sociais.
Dados da Pnad Contínua mostram que já houve leve redução nas horas trabalhadas ao longo dos últimos anos. Entre 2012 e 2015, a média semanal era de 38,9 horas; entre 2022 e o terceiro trimestre de 2025, caiu para 38,4 horas. Estudos indicam que esse encurtamento contribuiu para reduzir o crescimento do PIB per capita em cerca de 0,13% ao ano, sugerindo que mudanças na jornada têm efeitos concretos sobre a economia.
Especialistas alertam que a simples expectativa de que a redução da carga horária será compensada por aumento de produtividade não encontra respaldo consistente nos dados. Desde 2012, o crescimento do produto por hora trabalhada no Brasil tem sido de aproximadamente 0,2% ao ano — ritmo considerado baixo para sustentar promessas de expansão acelerada da renda.
Há ainda o temor de que o aumento do custo da mão de obra formal — com salário por hora mais elevado — pressione empresas que já operam no limite, especialmente no setor formal, que concentra maior produtividade. Ao mesmo tempo, negócios informais poderiam ser preservados, ampliando distorções no mercado.
Isso não significa que trabalhar menos seja, necessariamente, uma proposta negativa. A discussão envolve escolha social: reduzir jornada pode trazer ganhos em qualidade de vida, mas implica custos econômicos que precisam ser considerados com transparência.
O debate promete mobilizar Congresso, empresários, trabalhadores e economistas nas próximas semanas. A decisão exigirá análise crítica e ponderação entre impactos na produtividade, geração de emprego e bem-estar da população.











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