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O escândalo do Banco Master e o exemplo que vem da Inglaterra

A Polícia de Londres prendeu ontem o irmão do Rei Charles, acusado de traição à pátria. O monarca disse: “As autoridades têm o apoio da família real.”

A Polícia de Londres prendeu ontem o irmão do Rei Charles, acusado de traição à pátria. O monarca disse: “As autoridades têm o apoio da família real.”

Escrito por

Egídio Serpaegidio.serpa@svm.com.br

20 de Fevereiro de 2026 – 03:13

(Atualizado às 05:13)

Egídio Serpa

Legenda: Ao saber da prisão do seu irmão Andrew, acusado de traição à pátria, o Rei Charles (foto) apenas disse: “A Lei deve seguir seu curso”.

Foto: AFP

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Quando alguém produz uma mentira, produz, também, em seguida, chuvas de novas mentiras que só agravam as suspeitas de que algo de errado ele cometeu. Até começar este febril fevereiro, o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), negava qualquer relação de amizade com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, que produziu o que é hoje considerado o maior escândalo financeiro da história do país. Simultaneamente, um relatório da Polícia Federal, produto da Operação Compliance Zero, realizada no dia 18 de novembro de 2025, na qual foi preso Vorcaro e apreendidos seus celulares e computadores, expôs certa intimidade dele com Toffoli, cujo discurso negacionista continuou.

Diante do que o relatório da PF revelou, o ministro Dias Toffoli não teve saída, resolveu contar a verdade. E no dia 12 deste mês, em nota divulgada pelo seu gabinete, ele, mesmo negando qualquer relação de amizade com Vorcaro, explicou sua participação no resort Tayaiá, por meio da Maridt , empresa de sua família.  A nota diz:

“A referida empresa foi integrante do grupo Tayaiá Ribeirão Claro até 21 de fevereiro de 2025. A participação anteriormente existente foi integralmente encerrada por meio de duas operações sucessivas, sendo a primeira a venda de cotas ao Fundo Arllen, em 27 de setembro de 2021, e a segunda a alienação do saldo remanescente à empresa PHD Holding em 21 de fevereiro de 2025. Deve-se ressaltar que tudo foi devidamente declaro à Receita Federal do Brasil e que todas as vendas foram realizadas dentro de valor do mercado. Todos os atos e informações da Maridt e de seus sócios estão devidamente declarados à Receita Federal do Brasil sem nenhuma restrição.”

No mesmo dia 12 passado, a PF revelou que, no celular de Vorcaro, foram encontradas mensagens trocadas por ele com seu cunhado Fabiano Zettel, indicando que a Meridt recebeu R$ 20 milhões de um dos fundos do Banco Master.

Os ministros do STF assustaram-se com a notícia e pressionaram Toffoli a deixar a relatoria do caso do Banco Master, transformado em escândalo depois que se revelou, também, que a esposa e filhos do ministro Alexandre de Moraes têm um contrato de prestação de serviços advocatícios ao banco de Vorcaro, pelo prazo de 36 meses e ao custo de R$ 3,6 milhões por mês.

Ontem, 19, novas informações oriundas da Polícia Federal revelaram que o então insuspeito ministro Dias Toffoli manteve mais de 10 encontros pessoais com Daniel Vorcaro. É o que consta do relatório que a PF entregou ao presidente do STF, Edson Fachim, cujo teor desmonta a narrativa de Toffoli e contribui para tisnar, ainda mais, a imagem da Suprema Corte perante a opinião pública.

Observa-se agora o desenvolvimento de um plano estratégico, urdido pelo Palácio do Planalto com o apoio do presidente do Senado Federal, David Alcolumbre, cujo objetivo é forçar Dias Toffoli a pedir aposentadoria, com o que se abriria a segunda vaga no STF (a primeira foi aberta pela aposentadoria do ministro Ricardo Lewandowski e para a qual está sendo indicado o advogado-geral da União, Jorge Messias), o que daria ao presidente Lula, neste ano eleitoral (ou reeleitoral) maioria total na Corte.

Surge a óbvia pergunta: e o que acontecerá com o ministro Alexandre de Moraes, que é o relator do inquérito das “fake news”, também chamado de “inquérito do fim do mundo”, iniciado há quase sete anos e que não tem prazo para ser concluído? Os jornais revelaram que Moraes se reuniu pelo menos duas vezes com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, para tratar do Banco Master, para o qual o escritório de advocacia de sua esposa presta serviço muito bem remunerado.

Não há qualquer acusação ou suspeição contra o ministro Moraes, a não ser o envolvimento de sua consorte com o banco de Daniel Vorcaro. Do ponto de vista jurídico, o contrato da banca de advocacia Barci de Moraes Sociedade de Advogados com o Banco Master é 100% perfeito, já o disse a PGR. Não o é, contudo, do ponto de vista ético.

Agora, reparem, estimados leitores, para o fato a seguir:

Coincidentemente com o escândalo do Banco Master, outro ainda maior e mais tonitruante, o do financista e pedófilo norte-americano Jeffrey Epstein, segue fazendo vítimas. Ontem, quinta-feira, 19, a Polícia inglesa prendeu o ex-príncipe Andrew Mountbatten-Windsor, filho da saudosa rainha Elizabeth II, da Inglaterra, e irmão do rei Charles III.

Acusado de fornecer informações secretas a Epstein, que teria sido, também, um agente a serviço de potência estrangeira, Andrew perdeu todos os seus títulos de nobreza porque se envolveu até o pescoço com o criminoso sexual.

Atenção para o que disse, sobre a prisão do ex-príncipe, o primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer:

“Ninguém está acima da Lei”.

E para o que disse o Rei Charles:

“As autoridades têm o apoio incondicional da família real. A Lei deve seguir seu curso”.

Infelizmente, no desenrolar do escândalo do Banco Master, dificilmente declarações assim se ouvirão de autoridades brasileiras. Dos três poderes.

A propósito: ontem, o ministro Alexandre de Moraes determinou à Polícia Federal que intime para prestar depoimento o presidente da União Nacional dos Auditores Fiscais, a Unafisco, Kleber Cabral, que, na véspera, havia dito que é mais fácil, para os auditores da Receita, investigar o PCC do que o STF.

Três horas depois, o ministro André Mendonça, relator do caso do Banco Master, disse que a Polícia Federal tem toda a autonomia para investigar o escândalo do Banco Master.

O clima entre os ministros do STF parece ser de guerra. A quem deve recorrer o brasileiro comum que precisar da Justiça?

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Carlos Alberto

Oi, eu sou o Carlos Alberto, radialista de Campos Sales-CE e apaixonado por futebol. Tenho qualidades, tenho defeitos (como todo mundo), mas no fim das contas, só quero viver, trabalhar, amar e o resto a gente inventa!

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