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Por que as empresas cearenses estão com dificuldade para contratar mão de obra?

Pesquisa da GPTW Brasil mostra que 65,4% dos respondentes no Estado relatam dificuldade para contratar.

Pesquisa da GPTW Brasil mostra que 65,4% dos respondentes no Estado relatam dificuldade para contratar.

Escrito por
Letícia do Valeleticia.dovale@svm.com.br

Duas mulheres observam um vestido floral em uma loja de roupas, cercadas por araras com peças coloridas e manequins ao fundo. Outras pessoas aparecem parcialmente na imagem segurando roupas.
Legenda: Enquanto empresas buscam qualificação, trabalhadores buscam flexibilidade.
Foto: Fabiane de Paula.

O mercado de trabalho cearense passa por um momento de dificuldade de contratação de mão de obra. O contexto pode ser explicado pelo desencaixe entre empresas e trabalhadores. De um lado, os contratantes desejam profissionais qualificados e, de outro, os empregados miram em benefícios e maior flexibilidade.

Para a diretora de Comunicação e Relações Institucionais do Great Place to Work (GPTW) Brasil, Daniela Diniz, empresas de todo o País têm sofrido com a falta de mão de obra qualificada.

 

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A “Contratação de pessoas com qualificação” foi apontada como o principal desafio enfrentado em 2025 pelos cearenses entrevistados no Relatório Tendências em Gestão de Pessoas, pesquisa realizada pela GPTW Brasil e coordenada por Daniela.

 

Segundo o estudo, 65,4% dos respondentes do Ceará afirmaram ter dificuldade para contratar. O relatório foi realizado entre os meses de novembro e dezembro de 2025, com 1.346 pessoas no Brasil. Desse total, o Estado representou 1,9% dos participantes, cerca de 25 respondentes.

Aproximadamente 69% do total de participantes eram profissionais de recursos humanos, enquanto o restante se dividiu em áreas como administração, comercial, presidência e marketing.

Essa qualificação requerida, destaca Daniela, passa tanto por formação nos níveis superior e técnico quanto pelas chamadas “soft skills”, habilidades comportamentais e socioemocionais relacionadas à personalidade, inteligência emocional e interações interpessoais.

 

“Quando a gente fala em se comunicar bem, ter um pensamento crítico, analítico, ter argumentação, saber se comportar. Há uma carência hoje no mercado para contratar profissionais aptos para as funções”
Daniela Diniz

Diretora de Comunicação e Relações Institucionais do GPTW Brasil

 

Ela também evidencia a necessidade dos profissionais aumentarem o próprio repertório e estudarem de maneira constante, uma vez que, atualmente, os trabalhadores permanecem no mercado de trabalho por mais tempo.

Além disso, a oportunidade de se construir múltiplas carreiras ao mesmo tempo tem crescido entre a população.

Diário do Nordeste procurou representantes de diversos setores da economia cearense para comentar sobre as dificuldades de contratar mão de obra no Estado.

A Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec) preferiu não responder aos questionamentos.

A reportagem também procurou a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Fortaleza. No entanto, não obteve respostas até a publicação desta matéria. Em caso de novidades, o conteúdo será atualizado.

Trabalhadores buscam mais flexibilidade e outros benefícios 

Na equação da contratação, não existe somente o que as empresas buscam. Atualmente, o desejo dos trabalhadores tem sido fator fundamental para que o resultado seja positivo.

 

De acordo com a diretora do GPTW Brasil, Daniela Diniz, um fator observado no estudo foi que, quanto mais flexível a empresa, menor é a dificuldade de contratar pessoas, maior é o engajamento dos profissionais e menor é a rotatividade de trabalhadores.

 

“Se, no passado, valia mais um alto salário, hoje está pesando mais a questão de flexibilidade, autonomia e liberdade”, salienta.

É o que lembra a secretária de organização da Central Única dos Trabalhadores (CUT) nacional, Graça Costa. Segundo a especialista, hoje, as pessoas têm mais oportunidade de escolher vagas de emprego, pesando critérios como salário, horários, flexibilidade e benefícios.

“Nós temos uma precarização muito alta no Brasil. Esse jeito que as empresas têm de recrutar trabalhadores com um olhar de fazer um contrato ao invés de investir na formação para que o trabalhador cresça dentro da empresa”, questiona.

Outro ponto levantado por ela é o crescimento do desejo de trabalhar por conta própria, junto a uma narrativa que associa empregos de carteira assinada a cenários de aprisionamento e falta de crescimento. 

A mentora de carreira e colunista do Diário do Nordeste, Delania Santos, também defende que existe um desalinhamento entre o que as empresas oferecem e o que os profissionais buscam.

 

“O principal obstáculo está na combinação entre escassez de competências técnicas alinhadas às novas demandas e a necessidade de as empresas revisarem sua proposta de valor, cultura e modelo de liderança para se tornarem mais atrativas”
Delania Santos

Mentora de carreira e colunista do Diário do Nordeste

 

De acordo com ela, atualmente, especialmente entre os mais jovens, há uma valorização maior de flexibilidade, propósito e múltiplas fontes de renda, o que impacta o modelo tradicional de fidelização.

Desenvolver lideranças é prioridade de empresas cearenses para 2026

Acompanhar essas mudanças sociais e evoluir a cultura empresarial são estratégias cruciais para que os negócios permaneçam aptos a receber novos funcionários, mas o caminho não é fácil.

 

Nesse processo, outra dificuldade para as empresas é o “Desenvolvimento/capacitação da liderança”. Esse foi o segundo principal desafio apontado pelos cearenses entrevistados no Relatório Tendências em Gestão de Pessoas.

 

Apesar de um trabalho árduo, Daniela explica que a capacitação de uma boa liderança é fundamental na criação de um ambiente empático e flexível para os funcionários.

“A empresa precisa desenvolver a liderança e mostrar como ela deve agir para engajar mais, para você ter mais facilidade de contratar e trazer resultados por meio das pessoas”, ressalta.

Outros desafios destacados pelos respondentes são “Comunicação interna” e “Transformação da cultura organizacional”. Nesse sentido, as prioridades desses profissionais cearenses para 2026 são:

  1. Desenvolvimento/capacitação de lideranças;
  2. Transformação e/ou evolução da cultura organizacional;
  3. Engajamento/comprometimento das pessoas.

Além disso, as habilidades mais valorizadas no Estado foram:

  • “Capacidade de resolver problemas complexos”;
  • “Capacidade de liderar e influenciar”;
  • “Conhecimento do negócio”;
  • “Flexibilidade e resiliência”;
  • “Habilidades técnicas”.

Maior intenção de contratação no Ceará para 2026 está nas áreas de Suporte/Operação

Apesar da dificuldade de contratação relatada pela maior parte dos profissionais cearenses entrevistados, os participantes demonstraram um cenário positivo para 2026 na pesquisa.

O Ceará foi um dos cinco estados onde os respondentes não manifestaram pessimismo em relação às oportunidades de negócio: 69,2% dos participantes disseram estar otimistas e apenas 30,8% demonstraram incerteza sobre o cenário.

Além disso, o Estado se destacou positivamente no nível de engajamento dos colaboradores, aparecendo atrás somente da Bahia no ranking.

De acordo com o relatório, 84,6% dos profissionais cearenses consideram os funcionários “engajados”, enquanto 7,7% classificaram a equipe como “altamente engajada”.

Ainda de acordo com o levantamento, a maior intenção de contratação no Ceará para 2026 está nas áreas de Suporte/Operação. Os setores são voltados para a resolução de problemas da empresa, como cargos de help desk, suporte técnico e manutenção.

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Carlos Alberto

Oi, eu sou o Carlos Alberto, radialista de Campos Sales-CE e apaixonado por futebol. Tenho qualidades, tenho defeitos (como todo mundo), mas no fim das contas, só quero viver, trabalhar, amar e o resto a gente inventa!

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