O inquérito investiga irregularidades no contrato de patrocínio firmado entre o clube e a empresa Vai de Bet

A Polícia Civil de São Paulo indiciou o presidente do Corinthians, Augusto Melo, e outras três pessoas por suspeita de furto, lavagem de dinheiro e associação criminosa. O inquérito investiga irregularidades no contrato de patrocínio firmado entre o clube e a empresa Vai de Bet. Com informações do g1.
LIGAÇÃO COM PCC
Relatórios da Polícia apontam que parte do valor pago pela casa de apostas como comissão foi transferido à empresa UJ Football Talent Intermediação Ltda., que, segundo a investigação, teria ligações com integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) no mercado do futebol.

Vai de bet fechou patrocínio master com o Corinthians em janeiro de 2024, mas contrato foi rescindido. — Foto: Reprodução/SCCP
A UJ Football é relacionada a Danilo Lima de Oliveira, conhecido como “Tripa”, citado em uma delação premiada do empresário Vinicius Gritzbach ao Ministério Público. A defesa de Danilo nega qualquer vínculo com o crime organizado.
O conteúdo da investigação foi divulgado inicialmente pelo jornal O Estado de S. Paulo. Em nota, a UJ Football afirmou que não possui relação com organizações criminosas e que não é alvo de inquérito por envolvimento com o crime.
Vinicius Gritzbach, que fez as acusações, foi morto a tiros em novembro de 2023, após sair do Aeroporto de Guarulhos. Segundo seu depoimento, ele teria sido sequestrado por membros do PCC e levado a um tribunal do crime na Zona Leste da capital. Gritzbach também afirmou ter sido ameaçado de morte por “Tripa”, a quem acusou de envolvimento em crimes.
CONTRATO COM A VAI DE BET
O contrato entre Vai de Bet e o Corinthians foi assinado em janeiro deste ano, com valor total de R$ 360 milhões para três anos de patrocínio. O clube também pagaria cerca de R$ 25 milhões em comissão à empresa Rede Social Media Design Ltda., pertencente a Alex Cassundé, que participou da campanha eleitoral de Augusto Melo.
Segundo as investigações, parte da comissão de R$ 1,4 milhão foi repassada pela Rede Social a outras empresas até chegar à UJ Football. O relatório da Polícia Civil aponta que o clube foi alvo de um esquema de lavagem de dinheiro e descreve o fluxo dos recursos por empresas consideradas de fachada.
Entre essas empresas estão a Neoway Soluções Integradas, cujo quadro societário inclui uma mulher que afirma não ter conhecimento de sua participação, e outras três supostas companhias de fachada envolvidas no percurso dos valores: ACJ Platform, Thabs Soluções Integradas e Carvalho Distribuidora.
A Polícia concluiu que R$ 1.074.150 do montante pago pelo Corinthians foi desviado. O clube, em nota, declarou ser vítima do esquema e reforçou que não tem controle sobre a destinação de valores pagos a terceiros por contratos legais. Também reafirmou seu compromisso com a transparência e declarou apoio às investigações.
A suspeita de irregularidades resultou na rescisão do contrato com a Vai de Bet e motivou um processo de impeachment contra Augusto Melo, que enfrenta outras três denúncias internas no Conselho Deliberativo. A votação está prevista para 26 de maio.
Em nota, a empresa Lion Soccer Sports, da qual Danilo Lima é sócio, declarou que ele não integra e nunca integrou a UJ Football e não tem qualquer relação com os fatos investigados. Também afirmou que Danilo está à disposição das autoridades.
A UJ Football Talent, por sua vez, sustenta que atua regularmente no mercado esportivo e que os recursos recebidos dizem respeito à intermediação de uma negociação do jogador Emerson Royal com o Barcelona. A empresa afirmou que nem ela nem seu sócio foram formalmente notificados como alvos da investigação e que todas as movimentações financeiras são legais e declaradas.
A empresa também contestou a forma como tem sido retratada por veículos de imprensa e disse que pode adotar medidas legais caso persistam associações indevidas ao crime organizado.
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