
O Brasil ampliou significativamente o número de alunos em tempo integral na rede pública. Entre 2024 e 2025, o crescimento foi de 11%, consolidando uma tendência de expansão que vem desde 2020. Naquele ano, eram 4,7 milhões de estudantes nessa modalidade; atualmente, são 8,8 milhões — o equivalente a 19% do total de matrículas na educação básica pública.
Os dados fazem parte do Censo Escolar divulgado nesta quinta-feira (26) pelo Ministério da Educação (MEC).
Enquanto o ensino integral avança, o ensino médio enfrenta retração. O número de matrículas nessa etapa caiu 5,3% de 2024 para 2025, atingindo o menor patamar da última década. Hoje, o país soma 7,3 milhões de alunos no ensino médio. A redução ocorreu principalmente na rede pública, já que a rede privada registrou leve crescimento de 0,6% no mesmo período.
Ao todo, foram 425 mil estudantes a menos no ensino médio público brasileiro, sendo que 259 mil (cerca de 60%) estão concentrados no Estado de São Paulo, que reúne aproximadamente 20% dos alunos dessa etapa no país.
O ensino médio continua sendo considerado um dos maiores desafios da educação básica, especialmente por causa da evasão escolar. Dados de 2024 indicavam que apenas 82,8% dos jovens de 15 a 17 anos estavam matriculados. Entre os 20% mais pobres, esse índice era ainda menor: 72%, segundo o Anuário do Todos pela Educação. Entre os principais fatores que afastam adolescentes da escola estão desinteresse, gravidez e necessidade de trabalhar. Os números atualizados de evasão referentes a 2025 ainda não foram divulgados.
Segundo o ministro da Educação, Camilo Santana, a redução nas matrículas tem duas explicações principais: a diminuição da população nessa faixa etária e a melhora no fluxo escolar. “Caímos no 3º ano em 61% a distorção idade-série do aluno”, afirmou o ministro, destacando que os estudantes estão repetindo menos.
A distorção idade-série — que mede quantos alunos estão atrasados em relação à idade adequada para a série — caiu de 27,2% em 2021 para 14% em 2025. Para o pesquisador do Inep, Fábio Bravin, a melhora no fluxo evita o “inchaço” do sistema educacional, já que menos reprovações significam maior progressão dos estudantes.
No panorama geral, o Brasil contabiliza hoje 46.018.380 estudantes na educação básica, contra 47 milhões em 2024 — uma redução de cerca de 1 milhão de matrículas. Do total atual, aproximadamente 9 milhões estão na rede privada, enquanto a maioria segue na rede pública.











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