
Em meio ao aumento recorde de casos de feminicídio no Brasil em 2025, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, direcionou parte de seu discurso à escalada da violência contra as mulheres e afirmou ser necessária uma “defesa intransigente das mulheres” no país.
Durante ato em trio elétrico, o parlamentar declarou que, no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, as mulheres “eram protegidas”, citando a aprovação de leis voltadas ao enfrentamento da violência e mencionando a atuação da senadora Damares Alves (Republicanos), então ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos.
— Eu sou casado, pai de duas princesinhas, que são a razão do meu viver. E eu imagino a dor dessas famílias que têm uma mulher agredida ou assassinada por um covarde. E a gente não vai mais tolerar isso neste país. As mulheres serão, de verdade, abraçadas e protegidas, sem hipocrisia — afirmou.
O tema também é uma das bandeiras do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), provável adversário de Flávio em 2026. Diante da alta nos índices de violência, Lula instituiu, no mês passado, o Pacto Nacional Brasil de Enfrentamento ao Feminicídio, com a proposta de implementar ações coordenadas e permanentes entre os três Poderes.
Dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública apontam que, em 2025, o país registrou 1.470 casos de feminicídio. Desde 2015, quando o crime foi tipificado, houve aumento anual nos registros, acumulando crescimento de 316% no período.
O eleitorado feminino representa 52,5% do total de votantes, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Pesquisa Genial/Quaest indica que a aprovação do governo Lula entre as mulheres é de 48%, contra 44% de desaprovação — melhora em relação a janeiro, quando o índice negativo era de 47%. Entre os homens, o cenário é inverso: 53% desaprovam o governo, enquanto 43% aprovam.
Preferência no campo bolsonarista
Levantamento do Monitor do Debate Político, do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), em parceria com a ONG More in Common, mostra que 74% dos manifestantes presentes em ato bolsonarista na Avenida Paulista preferem Flávio Bolsonaro como candidato da direita à Presidência.
O dado contrasta com pesquisas anteriores, que apontavam o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), como principal nome para substituir Jair Bolsonaro na disputa de 2026. No ato na capital paulista, o público era majoritariamente masculino (62%).
Em dezembro do ano passado, duas semanas após ser anunciado como escolhido de Bolsonaro, pesquisa Genial/Quaest indicava que 54% dos eleitores consideravam a indicação equivocada, enquanto 36% avaliavam como acertada. Já em fevereiro, o cenário mudou: 44% passaram a considerar que Bolsonaro acertou na escolha, superando, pela primeira vez, os 42% que ainda avaliam que houve erro.
Segurança pública no centro da disputa
A segurança pública deve se consolidar como um dos principais temas da corrida eleitoral, diante da violência como uma das maiores preocupações dos brasileiros. Tradicionalmente apontada como área sensível para a esquerda, a pauta tende a ser explorada pela oposição para tensionar o debate e desgastar o governo federal.











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