Colegiado também aprovou requerimento para quebra de sigilos de Luiz Philippi Machado de Moraes Mourão, conhecido como ‘Sicário’, que se matou após ser preso. E pediu ao STF informações sobre a morte dele.
Por Caetano Tonet, Fábio Amato, g1 — Brasília
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/9/i/8y3iqQRBAf7SBLjqNQuQ/whatsapp-image-2026-03-11-at-09.55.09.jpeg)
Sessão da CPI do Crime organizado desta quarta-fera (11). — Foto: Caetano Tonet/g1
A CPI do Crime Organizado aprovou nesta quarta-feira (11), em bloco, 27 requerimentos. A lista inclui a quebra de sigilo fiscal, telefônico e telemático de Fabiano Zettel, cunhado do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.
O colegiado também aprovou a quebra de sigilos e o envio de Relatórios de Inteligência Financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) de Luiz Philippi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”, que se matou após ser preso.
Ainda com relação ao Sicário, foi aprovado um requerimento que solicita ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, relator do caso Master, informações sobre a morte dele.
🔎 O termo “em globo” ou “em bloco” é utilizado quando parlamentares analisam os itens previstos na pauta de votação de forma conjunta, ou seja, sem votar cada item separadamente. A prática é comum nas votações no Congresso Nacional e ocorre — normalmente — quando há consenso entre os parlamentares na votação.
A CPI também aprovou a convocação de Marilson Roseno da Silva, suspeito de integrar “a Turma”, Paulo Sérgio Neves de Souza e Bellini Santana, servidores do Banco Central (BC) suspeitos de favorecer o Banco Master.
A comissão também aprovou convites aos ministros do STF Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, ao presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, ao ministro da Casa Civil, Rui Costa, e ao comandante do Exército, general Tomás Miguel Ribeiro Paiva.
Também foram aprovados requerimentos para obter informações da empresa de gestão de aeronaves, Prime You, que teve Daniel Vorcaro no quadro societário.
O colegiado ainda aprovou a quebra de sigilo bancário e fiscal de Mohamad Hussein Murad, o Beto Louco, figura central no esquema de lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC).
Depoimento de fundador da Reag
Na sessão, também foi ouvido João Carlos Mansur, fundador da Reag. A empresa é investigada pela Polícia Federal em duas operações por suspeita de envolvimento com lavagem de dinheiro do PCC.
Inicialmente, o advogado José Luis Oliveira Lima, afirmou à comissão que Mansur permaneceria calado, mas ele optou por falar sobre o histórico da empresa e negou as acusações de ilegalidades.
Ele afirmou que a empresa geria mais de 700 fundos, mas que isso equivale a menos de 15% do total da operação que, segundo ele, gira em torno de R$ 300 bilhões.
“Aproximadamente R$ 300 bi em administração de terceiros. Não são recursos próprios. Os fundos questionados correspondem a uma fração de não mais de 10%, 15% do banco total da operação”, explicou Mansur.
Ele foi questionado pelo relator da CPI do Crime Organizado, Alessandro Vieira (MDB-SE), sobre os fundos de cotista único e afirmou que a modalidade não configura ilegalidade.
“Ter apenas um cotista não quer dizer que o fundo seja A, B ou C. A quantidade de cotistas não carimba o objetivo do fundo. O fundo é como um prédio. O administrador é a imobiliária, o gestor é o síndico. E os cotistas do fundo são os donos do prédio. Os fundos são condomínios, abertos ou fechados”, disse o empresário.
A PF suspeita que a Reag utilizou fundos exclusivos como parte de um mecanismo de lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio.
Esse tipo de fundo tem apenas um investidor formal, o que dá grande controle ao cotista e reduz a transparência sobre quem é o beneficiário final dos recursos.











Adcionar comentário