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Estudantes da Unilab paralisam atividades após cortes em auxílios

Universidade tem cerca de 80% de estudantes estrangeiros, que dependem de auxílios para moradia e permanência no Brasil

Universidade tem cerca de 80% de estudantes estrangeiros, que dependem de auxílios para moradia e permanência no Brasil

Autor Carlos Daniel

 

 

Estudantes da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab) paralisaram atividades acadêmicas nos campi do Ceará e da Bahia em protesto contra cortes em auxílios estudantis. O movimento ocorre em meio a denúncias de uma crise humanitária na instituição, que recebe estudantes de diversos países da África e da Ásia.

A mobilização ganhou força na última semana. Desde terça-feira, 3, estudantes interromperam atividades regulares em todos os campi da universidade, como forma de pressionar a gestão por respostas sobre a suspensão de benefícios estudantis.

Segundo o presidente do Centro Acadêmico do curso de Bacharelado em Humanidades da Unilab, Patrick Réges Nascimento da Cunha, cerca de 80% dos estudantes da universidade são estrangeiros, vindos principalmente de países africanos de língua portuguesa e também do Timor-Leste, no sudeste asiático.

De acordo com o estudante, a universidade possui características específicas por ser uma instituição federal com atividade internacional, recebendo alunos que se deslocam de outros países para cursar graduação no Brasil. Nesse contexto, os auxílios estudantis são fundamentais para garantir moradia, alimentação e permanência acadêmica.

“Tem estudantes chegando ao Aeroporto [Internacional Pinto Martins] sem ter para onde ir, porque os colegas que antes acolhiam esses alunos recebiam um auxílio que foi cancelado. Muitos não têm condições de arcar com essas despesas”, afirma Patrick.

Entre os benefícios afetados está o auxílio acolhimento, destinado a estudantes veteranos que recebem colegas recém-chegados de outros países até que eles consigam acesso a programas de assistência estudantil. O valor do auxílio era de R$ 300.

Além desse benefício, estudantes que ingressaram nos períodos 2025.1 e 2025.2 também não teriam recebido auxílios estudantis, segundo o representante. Já os alunos aprovados para a entrada 2026.1 ainda não tiveram acesso a qualquer apoio financeiro.

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Mesmo diante desse cenário, os estudantes afirmam que o processo seletivo internacional da universidade continuou normalmente, levando novos alunos a se deslocarem para o Brasil sem garantia de suporte financeiro.

“A universidade abriu inscrições, os estudantes fizeram o processo seletivo em seus países, foram aprovados e vieram para cá. Só depois de chegarem foi informado que não haveria condições de pagar os auxílios”, relata.

Paralisação e assembleia estudantil

As primeiras mobilizações começaram no campus dos Malês, na Bahia, onde estudantes iniciaram protestos e paralisações parciais. Posteriormente, o movimento se espalhou para os campi do Ceará, localizados em Redenção e Acarape.

Após quatro dias de paralisação, os estudantes convocaram uma assembleia geral na noite de segunda-feira, 9, realizada de forma híbrida entre os campi do Ceará e da Bahia.

Durante a reunião, foi aprovado um indicativo de greve estudantil e criada uma comissão responsável por organizar as próximas ações do movimento.

Segundo Patrick, a paralisação das atividades acadêmicas deve continuar enquanto os estudantes aguardam avanços nas negociações.

Reunião com a reitoria

Na tarde desta terça-feira, 10 representantes do movimento estudantil se reuniram com o reitor da universidade, o professor Roque do Nascimento Albuquerque. O intuito era discutir a situação de “calamidade pública” na universidade, gerada pelos cortes massivos dos auxílios.

De acordo com Patrick, o encontro com a gestão da universidade não trouxe avanços nas negociações. Ele afirma que a reunião foi restrita a representantes de entidades estudantis e não contou com participação aberta da comunidade acadêmica.

Na reunião, os representantes foram informados de que os cortes internos foram feitos visando a manutenção do Restaurante Universitário (RU), um valor estimado em 7 milhões de reais. Além disso, também foi mencionado que o orçamento de 2025 que deveria ser dividido em 12 meses, foi dividido em 18 justamente por conta dos cortes.

Segundo o reitor, a gestão já entrou em contato com o Ministério da Educação (MEC) para tratar sobre um possível auxílio que contemplasse a instituição. A resposta do MEC, conforme o reitor, deve chegar nos próximos dois meses.

Situação dos estudantes estrangeiros

A Unilab foi criada com o objetivo de promover a cooperação educacional entre o Brasil e países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). Por esse motivo, cerca de 80% dos estudantes vem do exterior.

Muitos alunos estrangeiros dependem integralmente dos auxílios para permanecer no Brasil, o que torna a situação ainda mais delicada.

Com a suspensão dos benefícios, estudantes relatam dificuldades para pagar moradia, alimentação e despesas básicas. Em alguns casos, afirma Patrick, colegas estão acolhendo novos alunos em residências compartilhadas mesmo sem condições financeiras.

“A gente vê estudantes que mal conseguem pagar a própria casa, mas estão acolhendo colegas que acabaram de chegar ao Brasil para que eles não fiquem na rua”, diz.

Próximos passos do movimento

Após a assembleia, os estudantes iniciaram a organização de um calendário de mobilizações. Entre as atividades previstas estão reuniões com entidades representativas e debates sobre a situação da universidade.

Uma reunião com o sindicato dos professores da instituição também será marcada para os próximos dias. Até o momento, o indicativo de greve segue em discussão, enquanto as paralisações continuam em todos os campi da universidade.

O POVO tentou entrar em contato com o reitor da Unilab para obter esclarecimentos sobre os cortes nos auxílios e as denúncias feitas pelos estudantes, mas, até o fechamento desta matéria, não houve resposta.

Leia mais em: https://www.opovo.com.br/noticias/ceara/2026/03/11/estudantes-da-unilab-paralisam-atividades-apos-cortes-em-auxilios.html
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Carlos Alberto

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