O projeto é parceria entre a Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira e a empresa Mundo Limpo para reaproveitar resíduos com baixa reciclagem

- Um protótipo de tijolo sustentável feito com vidro descartado e espuma de poliuretano, comum em geladeiras, foi apresentado na feira da Federação das Indústrias do Estado do Ceará.
- O projeto é parceria entre a Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira e a empresa Mundo Limpo para reaproveitar resíduos com baixa reciclagem.
- A proposta busca reduzir impactos ambientais e dar destino a materiais que hoje vão para lixões e aterros, além de criar um insumo mais barato para a construção civil.
- Após testes e certificação conduzidos pela Unilab, a expectativa é que o tijolo sustentável chegue ao mercado em 2027, com produção comercial e possibilidade de replicação.
Está sendo idealizado um protótipo de tijolo sustentável produzido a partir da combinação de vidro descartado e espuma de poliuretano, material comum em eletrodomésticos como geladeiras.
A iniciativa foi apresentada durante a Feira da Indústria da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec).
A ação é uma parceria entre a Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab) e a indústria cearense Mundo Limpo, localizada em Pacatuba, Região Metropolitana de Fortaleza (RMF).
O projeto busca dar destino a dois resíduos que ainda possuem baixa taxa de reciclagem no Ceará.
Segundo a empresária Maira Helena Botelho, diretora da indústria Mundo Limpo, parte desses materiais acaba sendo enviada para aterros sanitários ou lixões, ocupando grande volume e gerando impactos ambientais e sociais.
“O objetivo é reduzir o impacto desses resíduos no meio ambiente e, ao mesmo tempo, criar soluções economicamente viáveis para o mercado”, afirma Botelho.
Ela explica que o poliuretano, por exemplo, é um material leve, volumoso e de difícil reciclagem, enquanto o vidro descartado frequentemente representa risco para catadores e trabalhadores da reciclagem.
A proposta do novo produto é integrar esses materiais à cadeia produtiva da construção civil.
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Além do impacto ambiental, o projeto também irá trazer ganhos econômicos. O poliuretano, segundo o estudo, pode funcionar como um agregado mais barato na composição do tijolo em comparação com outros materiais tradicionalmente utilizados, como o isopor.
Universidade irá ser responsável por análises de desempenho
O protótipo do produto já passou por etapas iniciais de desenvolvimento, testes práticos e avaliação preliminar de viabilidade mercadológica.
Agora, a Unilab entra no projeto para conduzir os estudos laboratoriais e validar tecnicamente o material.
O pós-doutor em Engenharia Química, professor e pesquisador da Unilab, José Cleiton Sousa dos Santos, explica que a Universidade ficará responsável por análises de desempenho.
Além disso, a instituição também irá se comprometer com a parte de segurança e certificação do produto.
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“Verifica se a nova composição atende às mesmas normas técnicas exigidas para materiais convencionais da construção civil”, complementa Cleiton, que também é vice-coordenador do programa de pós-graduação em Energia e Ambiente (PGEA) da instituição.
Após a fase de testes, o material também será avaliado por possíveis clientes e parceiros industriais.
A expectativa é que, uma vez certificado, o produto possa chegar ao mercado no início de 2027, quando deve começar a produção comercial.
Botelho reforça que um dos pilares do projeto é a possibilidade de replicação do modelo produtivo e que a ideia é que a tecnologia possa ser adotada por pequenas empresas do setor de construção civil em diferentes regiões do País.
“Não basta apenas criar a solução. É necessário que ela tenha um destino final viável economicamente e que possa ser replicada”, finaliza a diretora-executiva.
Leia mais em: https://www.opovo.com.br/noticias/economia/2026/03/11/industria-e-universidade-criam-tijolo-sustentavel-e-mais-barato-no-ceara.html
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