Agricultores e pecuaristas do Ceará mantêm-se na maior expectativa em relação à temporada de chuvas, mas a ciência não tem boas notícias
Escrito por
Egídio Serpaegidio.serpa@svm.com.br
13 de Março de 2026 – 06:00
Legenda: Para o cearense, nuvens como as da foto acima compõem um “tempo bonito”, algo que desapareceu do horizonte nordestino
Foto: Kid Júnior / SVM
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Aproxima-se o dia 19 deste mês de março, dedicado ao padroeiro do Ceará, São José. Tradicionalmente, é a data limite para que renasçam ou se esvaiam as esperanças de uma boa estação de chuvas. O andar da carruagem da ciência do clima está a indicar que o agricultor cearense enfrentará mais um ano do que, tecnicamente, se chama de prolongada estiagem, e, popularmente, todos chamamos de seca.
O cenário é de preocupação, algo que não se vê, ainda, em quem tem a responsabilidade de administrar os recursos hídricos. Há um conjunto de obras em execução para reforçar a oferta de água à Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), onde reside quase a metade da população estadual, e isto é muito bom.
Se voltarem as chuvas e forem recarregados os grandes açudes cearenses, como o Castanhão, o Orós, o Banabuiú e o Araras, as coisas retornarão à sua normalidade. Porém, o que há é uma sensação de intranquilidade, de ansiedade, de expectativa, que cresce à medida que o tempo passa com esse céu azul, sem nuvens de chuvas. As precipitações registradas no interior e no litoral foram mal distribuídas e pouco serviram para a recarga dos reservatórios.
Diante de um ano que parece ser de renhida batalha eleitoral pelo governo do Ceará, fica combinado que não haverá racionamento de água na RMF. Uma medida tão tradical assim traria prejuízos aos interesses de quem luta pela reeleição.
Como acontece em todas as prolongadas estiagens, a deste ano, se vier a acontecer, causará, certamente, problemas ao abastecimento das gentes que habitam cidades onde a pluviometria sempre foi ruim, na média ou abaixo da média. Em áreas como as serras da Ibiapaba e do Maciço de Baturité, assim como na Chapada do Apodi, onde a fruticultura tem um polo em permanente crescimento, as dificuldades serão minimizadas ou pelas próprias chuvas que, mesmo em épocas ruins, costumam desabar sobre elas, ou pelo uso da água do subsolo para irrigação e consumo humano.
Foi assim no último período prolongado de estio, quando a pecuária leiteira, em vez de mostrar redução, apresentou o inesperado: o crescimento da produção. Mas isto aconteceu e tem acontecido como produto de um esforço de investimento privado na tecnologia e na inovação.
Nenhum estado brasileiro tem a infraestrutura hídrica de que dispõe o Ceará. Projetada e desenvolvida pela inteligência privilegiada do engenheiro Hipérides Macedo, quando este era o secretário de Recursos Hídricos nos anos 80 e 90 do século passado, toda essa infraestrutura de barragens, canais, túneis e sifões está em franca expansão e modernização, permitindo dobrar a vazão da água para o consumo humano, a dessedentação animal e a atividade econômica.
Esse conjunto de grandes açudes do Ceará, públicos (na sua quase totalidade) e privados, tem capacidade para guardar 18 bilhões de metros cúbicos. Se há um milagre pelo qual esperam os cearenses, que oram a Deus para obtê-lo, é o da ocorrência de uma extraordinária temporada de chuvas que possa encher, novamente, todas essas represas, fazendo-as verter para a alegria de todos nós. Mas esta hipótese é muito difícil de ocorrer: a natureza, castigada pelo crime da antropia, vinga-se agora, negando ao Nordeste brasileiro as chuvas de que a região necessita para, também, produzir o alimento da população nordestina.
Até na fértil Chapada do Apodi os agricultores mantêm um pé atrás, no aguardo da chuva. “O que plantei há um mês em regime de sequeiro (ou seja, dependendo da chuva) está praticamente perdido”, confessa, com visível ar de tristeza, um agroindustrial.
Mas, a poucos quilômetros de sua fazenda, um pecuarista mantém o otimismo, porque ainda há pasto a céu aberto, aguado pelas chuvas que caíram até 15 dias atrás. Mas, se a estiagem prosseguir, ele usará o que ensilou de volumosos (capim, soja, milho, sorgo, palma forrageira) para alimentar o seu grande rebanho leiteiro. Isto é sinal de que a pecuária sofrerá menos do que a lavoura, graças a medidas preventivas como a construção de silos de superfície ou enterrados, cobertos com lonas. É a boa tecnologia em uso pelos que produzem e trabalham no sertão do Ceará.
Para finalizar, eis a última informação oficial a respeito da estação de chuvas, colhida de uma fonte da Funceme: “Nos próximos 15 dias, as condições para precipitações são irregulares. Até domingo, as condições são ruins, apenas sendo esperado acumulados isolados de precipitação de forma esparsa. Para 30 dias, o acumulado do período tem tendencia de ficar abaixo da média, com eventos moderados de precipitação. O mês de abril tende a ser com acumulados de precipitação entre a categoria abaixo da normal e dentro da normalidade, devido as condições variáveis no Oceano Atlantico tropical.”
ECONOMIA AZUL: MINISTÉRIO DA PESCA CHEGA AO CEARÁ
Uma boa notícia! O Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) realizará, entre os dias 16 e 23 deste mês de março, uma série de capacitações gratuitas sobre PREPS e Mapa de Bordo para responsáveis por embarcações de pesca nos estados do Ceará e Rio Grande do Norte. Esta informação foi transmitida a esta coluna por Rômulo Soares, presidente da Câmara Setorial da Economia Azul, que atua no âmbito da Adece.
A PREPS é um sistema de rastreamento por satélite das embarcações de pesca. Ele permite acompanhar a posição dos barcos no mar, ajudando na segurança da navegação e na fiscalização das áreas de pesca.
Por sua vez, o Mapa de Bordo é um registro da viagem de pesca, no qual são anotadas informações como área de pesca, espécies capturadas e volume pescado.
Na prática, o PREPS mostra onde o barco pescou e o Mapa de Bordo registra o que foi pescado.
Segundo Rômulo Soares, essas duas ferramentas são fundamentais para fortalecer a gestão da atividade pesqueira, ampliando a rastreabilidade das operações no mar, a qualidade das informações sobre esforço de pesca e a governança dos recursos pesqueiros. Elas permitem organizar e dar mais transparência à atividade pesqueira.
No Ceará, a agenda de capacitação a ser feita pelos técnicos do Ministério da Pesca e Aquicultura é a seguinte: no próximo dia 16, em Acaraú; dia 17, em Itarema; dia 18, em Fortaleza; dia 19, em Icapuí.











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