Leia a coluna de Tom Barros

Nos meus tempos de racha, pelos campinhos da então bucólica Gentilândia, a formação dos times era assim: os bons eram logo escolhidos e quem não sabia jogar ia para o gol. Sim, mas havia exceção. O Valter, o Gotardo e o Maninho Meio Pão pegavam muito bola.
Richard, desde jovem, deve ter tido vocação para atuar na posição de goleiro. O homem tem reflexos especiais nas cobranças de pênalti. Ele se agiganta. Seus braços e pernas esticam-se além do normal como se fossem de borracha. Parece imagem de desenho animado, que assume proporções descomunais.
Foi assim em Cuiabá. Pegou dois pênaltis. Garantiu a vitória do Vozão (0 x 2) diante do Cuiabá. Certamente ainda pegará muito mais. Quando o dia é do goleiro, não interessa quem vai bater o pênalti. Pode ser no canto, rasteiro e com efeito, como dizem que o Célio Bandeira batia. O goleiro, rápido como um gato, vai lá e pega.
O outro destaque do jogo foi Juan Alano, autor dos dois gols da vitória alvinegra. Enfim, vitória do Ceará, que busca ainda um melhor futebol. Dá os primeiros sinais de que pode alcançar seu desiderato. Tomara.
Três
Em 1999, o ex-goleiro Jefferson, que atuava no Ceará, pegou três pênaltis em uma decisão de turno diante do Fortaleza. Jefferson, meses depois, foi tetracampeão cearense no empate (0 x 0) diante do Juazeiro. Se não me falha a memória, quando Jefferson jogou no Horizonte, também pegou dois pênaltis em uma decisão de turno
Internacional
Um dos melhores goleiros do país, nas décadas de 1950 e 1960, foi Gilmar dos Santos Neves, bicampeão pelo Brasil em 1958 e 1962. Nos preparativos para a Copa, em 1956, no lendário Estádio de Wembley, ele pegou dois pênaltis. O Brasil perdeu para a Inglaterra (4 x 2), mas Gilmar foi destaque. Fez também outras notáveis defesas.
Vitória
O Fortaleza ganhou (2 x 1). Na atual situação, pouco importa ter passado sufoco no segundo tempo do jogo com o Juventude. A vitória alivia tensões. Gera um ambiente interno mais favorável. Afinal, a goleada (4 x 0) sofrida em Ribeirão Preto tinha provocado um estrago muito grande na autoconfiança do grupo.
Efeito
Sair da zona de rebaixamento e situar-se em 12º lugar tem um efeito psicológico altamente positivo. Não tem coisa pior do que estar na zona maldita. Causa um constrangimento forte. A vitória do Fortaleza foi oportuna. E usando a camisa tradicional. A camisa que tem história.
Clássico
Na quarta-feira tem clássico Ceará x Fortaleza no Castelão. Jogo válido pela Copa do Nordeste. Não sei como cada equipe vai encarar a programação de uma competição que, pelo menos até aqui, tem se mostrado desinteressante. A prioridade é a Série B nacional. Fora disso, tudo é apêndice. Vamos aguardar.











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