Antes da concessão das medidas protetivas, a vítima registrou boletim de ocorrência (BO) contra o vereador relatando diferentes episódios de violência

Alerta de conteúdo: a matéria a seguir contém relatos de violência doméstica, incluindo agressão física e ameaças. A leitura pode ser difícil para algumas pessoas. Neste link você encontra formas de denunciar e mais informações sobre esse tipo de crime.
O vereador do Crato Thiago Gomes (União Brasil) foi preso preventivamente nesta terça-feira, 10, por suspeita de descumprimento de medida protetiva contra a ex-companheira.
A medida protetiva, conforme a Polícia Civil do Estado do Ceará (PCCE), decorre de um crime de violência doméstica ocorrido em 6 de fevereiro deste ano.
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“Ele tem antecedentes criminais por injúria e ameaça no âmbito da violência doméstica”, informou por nota a Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), acrescentando que o vereador “está à disposição da Justiça”.
O mandado de prisão preventiva foi cumprido por meio dos policiais civis da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) do Crato.
Entenda o caso
Em manifestação ministerial da qual O POVO teve acesso, a 2ª Promotoria de Justiça de Combate à Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher, no Crato, narra que o pedido de decretação da prisão de Thiago Gomes se baseou em uma série de ações, indo além do descumprimento das medidas protetivas.
Conforme o documento, antes da concessão das medidas protetivas, a vítima registrou boletim de ocorrência (BO) contra o vereador relatando diferentes episódios de violência.
Segundo conta a ex-companheira, após a separação deles, ela passou a dormir na casa da mãe. No dia 3 de fevereiro de 2026, o vereador teria ido até o local e feito ameaças.
Poucos dias depois, em 6 de fevereiro, a vítima teria ido até a casa onde o casal morava para buscar fraldas para o filho. Ao chegar ao imóvel, ela teria encontrado o vereador dentro da residência, com “sinais de embriaguez”.
Quando a ela se dirigia a um portão com degraus, o vereador teria ido na direção dela e a empurrado, fazendo com que caísse no chão. Ao gritar por socorro, Thiago Gomes a teria atacado com um golpe de estrangulamento conhecido como “mata-leão”.
Vizinhas da vítima ouviram os pedidos de ajuda e foram ao local prestar socorro. Com a aproximação das testemunhas, o parlamentar teria fugido e entrado em um veículo estacionado na rua. A ex-companheira afirmou ter reconhecido o motorista como um amigo dele.
Um laudo de exame de corpo de delito, citado no documento, confirmou que houve “ofensa à integridade física da vítima, causada por instrumento contundente”.
Medida protetiva
Após o episódio, a Justiça concedeu medidas protetivas de urgência, que determinaram restrições de contato entre o vereador e a ex-companheira. Mesmo com a medida judicial, novos episódios foram relatados pela vítima.
Em um dos registros, a mulher afirmou que dois homens chegaram à casa da mãe dela, afirmando serem “do crime” e exigindo que ela apagasse vídeos que havia publicado nas redes sociais relatando as agressões.
Em outro episódio, registrado em 22 de fevereiro, ela conta que um motorista de aplicativo foi até a casa da vítima entregar roupas dela e dos filhos. Segundo o relato, ele informou que dois homens o abordaram na rua, pagaram R$ 50 para que fizesse a entrega e transmitisse o recado de que “não era para conversar mais nada”.
No dia seguinte, ao tentar entrar na casa onde havia morado com o vereador para retirar seus pertences, a vítima afirmou ter encontrado o portão com cadeados trocados e câmeras de segurança instaladas, o que a impediu de acessar o imóvel.
Nessa situação, a vítima conta que Thiago entrou em contato com o comandante da Guarda Municipal para informar que a casa havia sido arrombada, mas era ela quem estava lá com a própria corporação para retirar seus pertences.
Defesa
A reportagem não localizou a defesa do vereador. O POVO tentou contato por meio do número de contato do parlamentar, mas a ligação não foi atendida. Contudo, no documento da Promotoria é possível verificar que os advogados do parlamentar pediram a revogação da prisão preventiva.
Entre os argumentos, a defesa sustentou que não há comprovação de que ele tenha sido formalmente intimado sobre as medidas protetivas, além de questionar as acusações de ameaça.
“Acrescentou ainda que não há uma única prova nos autos das supostas ameaças, tampouco o requerente almejou impedir o ingresso da suposta vítima na residência”, narra.
Os advogados também destacaram a repercussão pública da prisão, citando a condição de agente político do investigado.
“Enfatizou que a prisão de uma pessoa pública, vereador eleito para trabalhar em favor da população cratense, somente alimentará as discórdias em razão dos constrangimentos e exposição pública na imprensa cearense sem que haja quaisquer riscos à integridade física de outrem, especialmente da suposta vítima”.
A defesa ainda afirmou que, caso necessário, o vereador “mudará para outro município de forma a garantir o distanciamento físico” da ex-companheira.
Apesar do pedido, o Ministério Público se posicionou contra a revogação da prisão preventiva. Na manifestação, o MPCE avalia que a manutenção da prisão é necessária para “resguardar a vítima” e “assegurar a integridade física e psicológica” dela.
Partido
O diretório municipal do União Brasil emitiu nota sobre o caso, repudiando “toda e qualquer prática de violência contra a mulher”.
“O União Brasil defende que situações dessa natureza sejam apuradas com rigor, seriedade, isenção e responsabilidade pelas autoridades competentes, com estrita observância da lei, sem distinções de ordem partidária, política ou pessoal”, segue a nota.
A sigla informa que “acompanhará o desenrolar do caso”.
“Por se tratar de tema sensível e de elevada gravidade social e jurídica, o partido reafirma a necessidade de respeito ao devido processo legal, ao contraditório e ao direito de defesa, de modo que a apuração dos fatos ocorra com responsabilidade, imparcialidade e firmeza, permitindo a correta responsabilização, na forma da lei, caso os fatos venham a ser confirmados”.
Leia na íntegra notas da SSPDS e do União Brasil do Crato:
SSPDS
“A Polícia Civil do Estado do Ceará (PCCE) informa que cumpriu, na tarde desta terça-feira (10), um mandado de prisão preventiva no município de Crato, Área Integrada de Segurança Pública 2 (AIS 2) do estado. O alvo da determinação judicial é um homem, de 33 anos, suspeito de descumprimento de medida protetiva de urgência, em decorrência de um crime de violência doméstica ocorrido em 6 de fevereiro deste ano. Ele tem antecedentes criminais por injúria e ameaça no âmbito da violência doméstica. O mandado foi cumprido por meio dos policiais civis da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) do Crato. O suspeito foi colocado à disposição da Justiça“.
União Brasil do Crato
“UNIÃO BRASIL – NOTA OFICIAL – PARTIDO UNIÃO BRASIL – DIRETÓRIO MUNICIPAL DO CRATO-CE
O União Brasil de Crato vem a público se manifestar sobre a decisão judicial que determinou a prisão preventiva do vereador Thiago Gomes, no âmbito de investigação relacionada à acusação de violência doméstica.
O partido ressalta que trata o tema da violência doméstica com absoluta seriedade e repudia toda e qualquer prática de violência contra a mulher, por se tratar de conduta grave, incompatível com os valores do Estado de Direito, com a dignidade da pessoa humana e com a própria responsabilidade ética que deve nortear a vida pública.
O União Brasil defende que situações dessa natureza sejam apuradas com rigor, seriedade, isenção e responsabilidade pelas autoridades competentes, com estrita observância da lei, sem distinções de ordem partidária, política ou pessoal. Esse é o parâmetro institucional que deve prevalecer em toda e qualquer hipótese, independentemente de quem seja o investigado.
Por se tratar de tema sensível e de elevada gravidade social e jurídica, o partido reafirma a necessidade de respeito ao devido processo legal, ao contraditório e ao direito de defesa, de modo que a apuração dos fatos ocorra com responsabilidade, imparcialidade e firmeza, permitindo a correta responsabilização, na forma da lei, caso os fatos venham a ser confirmados.
O Diretório já havia se manifestado previamente no dia 06 de fevereiro deste ano, quando foram veiculadas as primeiras notícias sobre a suposta prática atribuída ao vereador.
O partido acompanhará o desenrolar do caso, reafirmando sua confiança nas instituições, na Justiça e na aplicação rigorosa da lei, sempre orientado pelo dever de coerência, responsabilidade pública e respeito à dignidade da pessoa humana.
Crato, 10 de março de 2026
UNIÃO BRASIL – UB
CRATO-CE”.
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