
A tuberculose voltou a acender um sinal de alerta no Ceará. Dados da Secretaria da Saúde do Estado apontam que 259 pessoas morreram em decorrência da doença em 2025 — o maior número de óbitos registrado desde 2015. No mesmo período, o Estado também contabilizou recorde de diagnósticos: 4.094 casos confirmados.
Os dados, divulgados em boletim epidemiológico recente, mostram avanço da doença e reforçam o desafio para o controle de uma infecção que tem tratamento gratuito e cura pelo Sistema Único de Saúde (SUS), mas continua associada a diagnóstico tardio, baixa adesão terapêutica e vulnerabilidade social.
A queda nos registros em 2020 é apontada por especialistas como reflexo da pandemia, quando houve redução na busca por atendimento e subnotificação de casos. Nos anos seguintes, pacientes passaram a chegar à rede de saúde em quadros mais graves, o que teria impactado o aumento da mortalidade.
Entre os fatores que ajudam a explicar o cenário estão o envelhecimento populacional, a presença de comorbidades, como diabetes, e a incidência da doença em pessoas vivendo com HIV, grupo mais suscetível ao agravamento do quadro.
Embora o Estado tenha ampliado a capacidade diagnóstica, com expansão da testagem molecular rápida no Lacen e aumento da capacidade diária de exames em Fortaleza, o boletim também aponta crescimento dos chamados diagnósticos pós-óbito — quando a confirmação da doença ocorre apenas após a morte do paciente.
A tuberculose segue concentrada em grupos mais vulneráveis, como população em situação de rua, pessoas privadas de liberdade e pacientes com HIV. Especialistas também apontam o estigma em torno da doença como barreira para a busca por diagnóstico.
Outro desafio está na continuidade do tratamento. A taxa média de cura no Ceará é de 60,7%, abaixo da meta nacional de 85%. Ao mesmo tempo, cerca de 12% dos pacientes abandonam os medicamentos antes do fim do protocolo.
A interrupção precoce do tratamento preocupa porque mantém a cadeia de transmissão ativa e eleva o risco de resistência bacteriana, tornando o manejo clínico mais complexo.
Além das dificuldades clínicas, o peso econômico da doença também interfere na adesão. Custos com deslocamento, alimentação e afastamento do trabalho comprometem a continuidade do cuidado, sobretudo entre famílias de baixa renda.
O monitoramento de pessoas que tiveram contato com pacientes infectados também aparece abaixo da meta, o que reduz a chance de identificar precocemente casos latentes e impedir evolução para a forma ativa da doença.
No sistema prisional, o cenário é ainda mais crítico. A concentração de casos em pessoas privadas de liberdade mantém o alerta em municípios como Itaitinga, que abriga importantes unidades prisionais do Estado. Superlotação e condições insalubres são apontadas como fatores que favorecem a transmissão.
Segundo a Secretaria da Saúde, estratégias de busca ativa, integração com a atenção primária, triagem em unidades prisionais e ampliação da testagem estão entre as medidas adotadas para conter o avanço da doença.
Os principais sintomas da tuberculose incluem tosse persistente, febre, perda de peso e calafrios — sinais que exigem investigação precoce para evitar agravamentos.











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