Prática milenar da leitura atravessou séculos e foi progressivamente democratizada, possibilitando que populações tivessem acesso a conhecimentos.

Muito antes das telas, da internet e das redes sociais, a humanidade já buscava formas de compartilhar e registrar histórias. Um dos principais meios para isso, além da oralidade, era a escrita, tendo esta surgido há cerca de 5 mil anos em regiões como a Mesopotâmia e o Antigo Egito. Consequentemente, surgiu também a leitura, que é a forma de compreender os códigos utilizados para armazenar esses registros e permitir que continuem sendo transmitidos.
Assim, a prática milenar da leitura atravessou séculos, tendo sido, por muito tempo, um privilégio restrito às elites, mas que, com os avanços da sociedade, passou a ser progressivamente democratizada, possibilitando que essas populações tivessem acesso a conhecimentos que não estariam disponíveis de outra maneira.
No contexto contemporâneo, esse costume é ainda mais relevante, sobretudo diante do excesso de informações e dos algoritmos que nos entregam conteúdos cada vez mais curtos e cheios de anúncios.
A leitura é uma das poucas formas de entretenimento cultural e intelectual às quais temos acesso sem a necessidade de consumir publicidades constantes e conteúdos imediatistas.
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No entanto, além dos benefícios sociais e culturais, a leitura tem muito a nos acrescentar, como a ciência vem demonstrando. Inúmeras pesquisas de centros de referência renomados ao redor do mundo têm mostrado, ao longo das últimas décadas, que ler ativa uma ampla rede de circuitos neurais.
Por exemplo, há a ativação de áreas como a Área de Broca e a Área de Wernicke, que são fundamentais para processar e interpretar palavras. O córtex pré-frontal participa realizando a análise crítica do texto, enquanto o hipocampo auxilia na memória e na retenção de informações, em conjunto com várias outras regiões do cérebro que permitem compreender e atribuir significado ao que se lê.
A ciência também tem apresentado evidências cada vez mais robustas de que a ativação integrada dessas diferentes regiões cerebrais durante a leitura fortalece nossas conexões neurais, contribui para a memória e tem sido associada como um fator que pode atuar de forma protetora contra alguns tipos de quadros demenciais.
Além disso, no campo da saúde mental, ler auxilia na redução do estresse, melhora a qualidade do sono e desenvolve a empatia, especialmente quando se trata da leitura de obras ficcionais.
Dessa forma, democratizar o acesso à leitura é também possibilitar o acesso à saúde e ao bem-estar emocional, social e até físico. Por isso, iniciativas como as do Ministério da Educação, com programas como o MEC Livros, são muito importantes, pois permitem que cada vez mais pessoas tenham acesso a esse hábito que possibilita pensar, problematizar, imaginar, reconhecer e sonhar novas possibilidades de mundo.
*Este texto reflete, exclusivamente, a opinião do autor.














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