Enquanto aliados no Ceará reforçam que Ciro Gomes deve disputar o governo estadual, lideranças nacionais do PSDB articulam para levá-lo à corrida presidencial.
Sem decidir se disputa o governo do Ceará, Ciro Gomes ganhou mais um fator na decisão política: aceitar ou não o convite do presidente nacional do PSDB, Aécio Neves, para disputar o Palácio do Planalto pela quinta vez.
Nos bastidores, a leitura é de que o movimento abre uma nova frente para o ex-ministro, que já vem sendo pressionado a definir seu futuro político. Uma das alternativas colocadas na mesa é disputar o governo do Ceará agora e deixar uma eventual candidatura presidencial para 2030, cenário visto pelos aliados como o mais seguro.
O ex-senador Tasso Jereissati (PSDB), aliado de Ciro Gomes, tem peso direto nessa decisão e já afastou a possibilidade da candidatura presidencial neste momento e reforçou que o caminho natural é a disputa pelo governo do estado, tratando Ciro como peça central na reorganização da oposição local.
“Eu acho que agora é a vez de ele ser governador. Daqui a quatro anos, quem sabe”, disse Jereissati.
A declaração foi feita na última quinta-feira (23) durante encontro com jovens empresários promovido pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil do Ceará (Sinduscon-CE).
PSDB tenta convencer
Por outro lado, os planos do PSDB nacional seguem em direção oposta. Sob a presidência de Aécio Neves, a sigla tem trabalhado para levar Ciro Gomes à disputa presidencial. O deputado defende que o cenário eleitoral ainda está aberto e que o partido precisa “contribuir de forma mais efetiva para o debate nacional”.
Durante o convite feito no dia 14 de abril, o dirigente reforçou que vê o nome de Ciro como uma alternativa viável fora da polarização.
“Não encontro hoje, no quadro político nacional, alguém com tantas qualificações, tão atualizado em relação à realidade brasileira e com tanta contribuição a dar ao Brasil. Portanto, como presidente nacional do PSDB, apesar de reconhecermos que ele tem hoje um projeto exitoso e muito bem construído no Ceará, mas Ciro é hoje maior do que as fronteiras do seu grandioso estado”, afirmou.

Na reunião em que o nome de Ciro foi defendido, mais de 14 lideranças tucanas, além de outros parlamentares da sigla, participaram das discussões.
Entre os que entravam e saíam da sala no dia do convite, a mensagem era praticamente unânime: a necessidade de convencer o ex-ministro a aceitar a missão. “Estamos tentando convencê-lo”, repetiam os tucanos quando questionados.
A reportagem ouviu parlamentares da sigla para medir o apoio interno. O líder da bancada no Senado, Plínio Valério (AM), afirmou que a candidatura seria positiva: “O PSDB, que sempre foi protagonista, pagou caro por não ter apresentado candidato nas eleições presidenciais passadas. Vejo a candidatura de Ciro Gomes como saudável para o partido e competitiva”.
Já o ex-governador de Goiás e ex-presidente do partido, Marconi Perillo, também apoiou o movimento: “Acho que seria bom para o partido e bom para o país se o Ciro aceitasse. Ele é preparado, pode romper a polarização e o PSDB tem uma história a favor do Brasil”.
Caminho mais viável
Nos bastidores, o grupo político avalia que o desempenho do adversário, Elmano de Freitas (PT), não tem sido suficiente para consolidar a reeleição, o que reforça o cálculo de que a disputa estadual hoje é mais segura para Ciro Gomes.
Com o cenário ainda marcado pela polarização nacional, interlocutores avaliam que Ciro até poderia crescer como alternativa, mas isso teria um custo direto: abrir mão de uma disputa em que hoje aparece competitivo no estado.
Pressão familiar e política
O movimento ganha ainda mais peso diante das manifestações dentro do próprio entorno familiar. Durante uma entrevista com o senador Cid Gomes, ele defendeu publicamente a necessidade de uma candidatura alternativa à polarização e citou o irmão como um nome capaz de cumprir esse papel.
“Eu tenho defendido que o PSDB lance o Ciro”, disse. Em outro momento, reforçou a avaliação sobre o irmão: “Não tenho dúvida que o Ciro é um dos nomes mais preparados”.
Apesar das declarações, o gesto não é lido como um apoio direto por aliados de Ciro que interpretam o gesto com cautela, e, até com desconfiança. A avaliação interna, de acordo com as fontes ouvidas, é de que há um movimento articulado para afastá-lo da disputa estadual, onde teria mais chances reais de vitória.
Nem todos, no entanto, compram a ideia de uma candidatura nacional. O deputado cearense Mauro Benevides Filho (União), aliado histórico de Ciro, esteve na reunião e reforçou que o foco do ex-ministro está no estado: “Ele foi claro, está focado no Ceará”, revelou.
O PontoPoder procurou a assessoria do senador Cid Gomes para repercutir o apoio ao irmão e as interpretações nos bastidores, mas, até o fechamento desta matéria, não houve retorno. O espaço segue aberto.











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