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Fortaleza usa nova tecnologia que ‘envenena’ mosquito da dengue; saiba como funciona

Armadilha de combate às arboviroses transforma o vetor em aliado.

Armadilha de combate às arboviroses transforma o vetor em aliado.

Escrito por
Nícolas Paulinonicolas.paulino@svm.com.br

Imagem em close up de mãos com luvas azuis segurando um pote com larvicida e pincel. O material será aplicado em um pote coberto com plástico preto preso por um elástico, com etiqueta indicando ser uma estação disseminadora de larvicida.
Legenda: Estações disseminadoras de larvicidas já foram utilizadas em capitais como Brasília e Manaus.
Foto: Ualisson Noronha/SESDF.

Além do trabalho de rotina de monitoramento de depósitos de ovos e mutirões de limpeza, Fortaleza está intensificando o uso de inovações tecnológicas para combater o mosquito Aedes aegypti, vilão histórico da saúde pública da cidade por transmitir doenças como dengue, zika e chikungunya

O coordenador de Vigilância em Saúde (Covis) da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), Josete Malheiro, destaca que a grande novidade para 2026 é a implementação das Estações Disseminadoras de Larvicida (EDLs), ferramenta que promete mudar a dinâmica do controle vetorial na capital cearense.

Segundo o coordenador, a estratégia realizada em parceria estratégica com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) representa uma abordagem arrojada. A montagem das armadilhas químicas já começou neste mês de abril, segundo o gestor.

 

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O funcionamento da EDL é simples, mas engenhoso, e utiliza o comportamento do inseto contra ele próprio. Diferente das armadilhas tradicionais, conhecidas como ovitrampas – palhetas que fixam os ovos postos e servem para monitorar a densidade dos mosquitos em uma região –, a EDL possui uma tela impregnada com larvicida. 

O processo ocorre em etapas: atraído pela armadilha, o mosquito fêmea pousa na tela com a intenção de depositar seus ovos e, nesse momento, suas patas ficam cobertas por micropartículas do veneno.

Ao voar para outros criadouros, muitas vezes em locais de difícil acesso para os agentes de endemias, como calhas e reservatórios elevados, o mosquito transporta e deposita o larvicida nesses novos pontos.

Malheiro explica que, quando o ovo tenta eclodir nesses locais contaminados, “ele acaba não formando, não se desenvolvendo adequadamente e acaba reduzindo, portanto, a proliferação do mosquito”.

 

Segundo a Fiocruz, ensaios realizados em Manaus e Manacapuru, no Amazonas, mostraram que as EDLs promoveram aumento da mortalidade de mosquitos imaturos (de 5% para 95%) e uma redução de 96-98% da emergência de mosquitos adultos, em poucas semanas. Já em Brasília, outros estudos mostraram redução de 66,3%, na densidade de mosquitos adultos de Aedes.

 

Expansão das armadilhas

Josete Malheiro informa que a SMS recebeu um contingente expressivo de 11.740 unidades das EDLs. O cronograma de instalação começou em abril com um lote inicial de 2.240 armadilhas, priorizando os chamados “pontos estratégicos”: locais como sucatas, prédios públicos e canteiros de obra que recebem visitas quinzenais das equipes de saúde.

Os planos de expansão para as demais unidades seguirão critérios técnicos baseados nos dados epidemiológicos mais recentes da cidade. O coordenador ressalta que o próximo passo será levar as estações para áreas de maior risco, utilizando os resultados do Levantamento de Infestação Rápida (LIRAa), que mapeia os bairros com mais focos.

 

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Com base nos dados do Levantamento, a classificação dos tipos de infestação por percentual é dividida em três níveis principais de risco:

  • Satisfatório (menor que 1%): é o parâmetro considerado ideal, onde o índice de proliferação de larvas é baixo. No primeiro levantamento do ano, Fortaleza registrou 65 bairros nessa categoria;
  • Alerta (de 1% a 4%): indica uma situação que requer atenção e vigilância redobrada. No ciclo inicial de monitoramento, 55 bairros da capital estavam sob esse status;
  • Risco (acima de 4%): é a classificação mais crítica, indicando alto perigo de surto. No primeiro LIRAa do ano, apenas o bairro Parreão ficou nessa categoria.

Os índices são coletados através de quatro ciclos anuais (dois no primeiro semestre e dois no segundo), para permitir que a Prefeitura realize intervenções direcionadas e mutirões de limpeza nas áreas mais afetadas.

“Naqueles pontos mais críticos onde forem encontrados maior infestação de focos e mosquito, nós vamos instalar as EDLs como forma de ter um controle biológico melhor”, afirma Josete Malheiro.

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Carlos Alberto

Oi, eu sou o Carlos Alberto, radialista de Campos Sales-CE e apaixonado por futebol. Tenho qualidades, tenho defeitos (como todo mundo), mas no fim das contas, só quero viver, trabalhar, amar e o resto a gente inventa!

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