Doença tem causado alerta entre as autoridades de saúde do mundo inteiro.

O hantavírus, vírus de RNA pertencente à família Hantaviridae e ao gênero Orthohantavirus, é uma doença transmitida principalmente por roedores silvestres e tem causado alerta entre as autoridades de saúde do mundo inteiro.
Esses roedores podem eliminar o vírus por meio de urina, saliva e fezes, e podem carregar o vírus durante toda a vida sem apresentar sintomas da doença.
A infecção em humanos, conhecida como hantavirose, pode causar a Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus (SCPH), que afeta tanto os pulmões quanto o sistema cardiovascular.
No último domingo (3), três mortes com suspeita de hantavírus ocorreram no navio MV Hondius durante o trajeto entre a Argentina e Cabo Verde. A informação foi conformada à BBC pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
Um passageiro de 70 anos morreu na embarcação e o corpo foi levado para a Ilha de Santa Helena. A esposa da vítima, de 69 anos, morreu em um hospital na África do Sul. O casal tinha nacionalidade holandesa.
Uma terceira pessoa morreu no navio e aguarda decisões sobre o isolamento de outros passageiros. Um homem do Reino Unido recebe atendimento em unidade de terapia intensiva em Joanesburgo, na África do Sul.
A seguir, entenda os sintomas, riscos e o tratamento da zoonose.
O que é o hantavírus?
O hantavírus é um vírus transmitido principalmente por roedores silvestres. No Brasil, a doença causada por ele é conhecida como hantavirose e costuma se manifestar nos quadros mais graves como uma síndrome cardiopulmonar, explica Álvaro Madeira, médico sanitarista e gestor em saúde.
A zoonose pode comprometer os pulmões, a circulação e o coração. O especialista destaca que a hantavirose não é uma doença comum, mas tem potencial de gravidade.
“Não há, por um lado, motivo para pânico, mas, sim, motivo para uma vigilância e para a busca de um diagnóstico e prevenção, sobretudo a prevenção ambiental. É importante entender que é uma zoonose, uma infecção que circula em animais e pode alcançar seres humanos quando entra em contato com ambientes contaminados por roedores”, esclarece o médico.
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Transmissão
A principal forma de transmissão é pela inalação de partículas contaminadas presentes na poeira de locais que têm a presença de urina, fezes ou saliva de roedores infectados. Pode ocorrer ao limpar galpões, depósitos, casas que estejam fechadas, áreas rurais, celeiros, embarcações ou ambientes que estejam infestados por roedores.
Sintomas
Segundo o especialista, é preciso ficar atento aos sintomas, pois o início da doença pode ser confundido com uma virose comum. Entre os principais sintomas, estão:
- Febre;
- Dor no corpo;
- Dor nas articulações;
- Dor de cabeça;
- Lombalgia (dor lombar);
- Dor abdominal;
- Diarreia.
Tratamento
Ainda conforme Álvaro Madeira, não existe um tratamento específico para a hantavirose, pois não há um antiviral consagrado que elimine diretamente o hantavírus.
O gestor em saúde explica que o tratamento é fundamentalmente de suporte clínico, e deve ser feito de acordo com a gravidade do caso.
“É preciso monitorar o paciente, controlar os sinais vitais, oferecer oxigênio quando necessário, cuidar da pressão arterial, manejar a questão de líquidos, importante evitar a desidratação e hiper-hidratação. Então, em casos mais graves, esses pacientes devem ser encaminhados para Unidades de Terapia Intensiva (UTIs). Na verdade, o que salva não é um remédio específico milagroso, mas a combinação de um diagnóstico precoce, de uma equipe preparada, do suporte respiratório e de uma vigilância contínua. O Ministério da Saúde tem um papel fundamental nesse momento”, afirma o médico.
Quando o hantavírus se torna perigoso
O hantavírus pode se tornar perigoso quando deixa de ser apenas um quadro febril, de uma virosa inicial, e passa a comprometer pulmões e a circulação. Os sinais mais preocupantes são:
- Falta de ar;
- Respiração acelerada;
- Tosse seca muito intensa;
- Queda de pressão;
- Taquicardia;
- Sensação de aperto do peito;
- Cansaço intenso; e
- Piora rápida do estado geral.
“O hantavírus nos lembra que a saúde, sobretudo a saúde pública, não começa no hospital, ela começa no território. Então, a limpeza dos ambientes, o controle dos roedores, uma vigilância epidemiológica, a capacidade dos profissionais de reconhecer rapidamente os quadros clínicos, isso vai fazer toda a diferença”, conclui o especialista.









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