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Após Masterboi, Ceará negocia instalação de novos frigoríficos na rota da Transnordestina

Segmento de pecuária de corte segue em alta no Estado.

Segmento de pecuária de corte segue em alta no Estado.

Escrito porLuciano Rodriguesluciano.rodrigues@svm.com.br
28 de Maio de 2026 – 06:00
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Legenda: Frigorífico no Ceará encontra rebanho acostumado com pecuária leiteira.
Foto: Davi Pinheiro/Governo do Ceará.

O Ceará negocia a instalação de frigoríficos na rota da ferrovia Transnordestina, principalmente no Interior do Estado, segundo o secretário do Desenvolvimento Econômico, Fábio Feijó.

De acordo com ele, a movimentação ganhou fôlego após a chegada da Masterboi a Iguatu, no Centro-Sul cearense, em março deste ano.

“O que conquistamos com a Masterboi, além do investimento, foi colocar o Ceará no mapa dos frigoríficos. A partir desse exemplo, passamos a receber investidores interessados”, destacou ele durante a 14ª Feira Tecnofrigorífico, evento que debate o setor de carnes no Norte e Nordeste, nessa quarta-feira (27).

“Ainda são conversas iniciais e não são ligadas somente à área de bovinocultura, mas também para ovinocaprinocultura, que demanda frigoríficos”, afirmou.

Frigorífico industrial pode conciliar pecuária leiteira com a de corte

Feijó observa que o Ceará não é um Estado tradicionalmente associado ao abate de bovinos, embora atualmente exista infraestrutura consolidada para a produção.

 

“Não necessariamente precisamos ter um grande rebanho, mas com a Transnordestina vindo, temos potencial de atrair frigoríficos e desenvolver a cadeia frigorífica. Ela é importante a ponto de movimentar todos os segmentos econômicos: pecuária, indústria, comércio e serviços”, lista.

 

 

 

O valor agregado da pecuária de corte também é um dos pontos considerados pelo setor e abre, na visão de Feijó, uma nova possibilidade para os bovinocultores cearenses.

“O Ceará já tem matriz de bovinocultura leiteira. É uma solução inteligente para o rebanho, e o produtor terá a opção de destinar os animais seja para produzir leite ou para um frigorífico”, completa o secretário.

Sertão Central e Vale do Jaguaribe devem ser polos da pecuária de corte

O presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Carnes Frescas de Fortaleza (Sindicarnes) e idealizador da Tecnofrigorífico, Francisco Everton da Silva, acredita que essas mudanças “devem despertar a pecuária do estado do Ceará”.

“Importamos 95% da carne consumida. Somos uma bacia mais leiteira, não tanto de abate. É preciso criar um mecanismo de pecuária com rebanhos confinados para atender a demanda de um frigorífico. Atender uma demanda de cerca de mil bois abatidos por dia totaliza 30 mil bois abatidos por mês”, explica.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os maiores rebanhos bovinos do Ceará estão localizados em Morada Nova (Vale do Jaguaribe), Quixeramobim (Sertão Central) e Iguatu (Centro-Sul), nesta ordem.

 

Setor projeta crescimento.

Legenda: Setor projeta crescimento.
Foto: Cid Barbosa.

 

“Como temos problemas de estiagem, não havia como ter uma pecuária sustentável. Hoje, como já existe a pecuária de confinamento para abate, muda a história. O boi fica mais caro, mas tem esse produto”, pontua.

Everton da Silva acredita que a pecuária de corte pode se desenvolver no Estado assim como a cadeia produtiva do camarão, na qual o Ceará é atualmente o maior produtor nacional, com cerca de 60% do total do País.

 

O crescimento da cadeia do camarão não foi da noite para o dia. Precisamos de duas ou três décadas para alavancar uma pecuária ideal, sustentável, e pelo menos dividir igualmente a compra de carne de outros estados com o consumo de carne produzida no Ceará”.
Francisco Everton da Silva

Presidente do Sindicarnes e idealizador da Tecnofrigorífico

 

Ovinocaprinocultura no Ceará deve ser beneficiada

A chegada da Masterboi em Iguatu deve abrir fronteiras inclusive para a pecuária de animais como cabras, bodes, carneiros e ovelhas.

Enquanto nos bovinos o Ceará tem apenas o 15º maior rebanho do País, nos ovinos e caprinos, o Estado já corresponde ao quarto maior rebanho de ovinos e caprinos do País, de acordo com dados do IBGE.

 

Rebanho de caprinos e ovinos é nova fronteira de exportações a ser ultrapassada pelo Ceará.

Legenda: Rebanho de caprinos e ovinos é nova fronteira de exportações a ser ultrapassada pelo Ceará.
Foto: Ministério da Agricultura e Pecuária.

 

Isso inclui a chegada de frigoríficos industriais que atendam às exigências da certificação halal, fundamental para consolidar o território cearense como um cluster de exportação para o mercado árabe.

“O mundo árabe exige a certificação halal. Estamos trabalhando com um investidor que quer realmente explorar o mercado árabe, usando recursos como a Transnordestina, o Porto do Pecém, nossa localização geográfica, e também olhando para o mercado interno. Há um consumo grande do cordeiro no Brasil como um todo”, prospecta o secretário.

Masterboi no Ceará

Em março, a empresa pernambucana Masterboi anunciou a construção de um frigorífico industrial em Iguatu. Com investimento de R$ 250 milhões, a unidade deve empregar entre 700 e 1 mil funcionários, com capacidade de abate de até 1 mil animais no auge da operação.

Na ocasião, o Governo do Estado e a Masterboi informaram que Iguatu foi escolhida “por critérios técnicos, que levaram em conta a logística (Transnordestina), a segurança hídrica e a existência de criatórios consolidados de gado de corte”.

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Carlos Alberto

Oi, eu sou o Carlos Alberto, radialista de Campos Sales-CE e apaixonado por futebol. Tenho qualidades, tenho defeitos (como todo mundo), mas no fim das contas, só quero viver, trabalhar, amar e o resto a gente inventa!

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