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Macaúba no Ceará pode se transformar em combustível sustentável de aviação

Subproduto da planta nativa brasileira pode ser solução para redução de emissões no setor da aviação.

Subproduto da planta nativa brasileira pode ser solução para redução de emissões no setor da aviação.

Escrito por
Mariana Lemosmariana.lemos@svm.com.br

Legenda: Produção de biocombustível a partir da macaúba, planta nativa brasileira, pode ser saída para descarbonização na aviação.
Foto: Divulgação/Embrapa.

O Ceará pode se tornar produtor de combustível sustentável de aviação (SAF) feito de macaúba, uma planta nativa do Brasil.

O projeto está em fase inicial e é capitaneado pela Associação dos Engenheiros da Petrobras do Nordeste Setentrional (Aepetns). A ideia é que a macaúba seja plantada em assentamentos de agricultura familiar em Aracati.

Já o beneficiamento da planta em biocombustível pode ser feito pela Usina de Biodiesel de Quixadá, caso seja reativada, projeta Ricardo Pinheiro, membro da Aepetns.

“O projeto para o Ceará começou em 2012, durante um plano piloto da Petrobras. A produção da macaúba seria a segunda etapa. Foi um projeto premiado, mas que caiu no esquecimento”, comenta.

A Petrobras informou, em nota, que a macaúba é uma das alternativas avaliadas para o suprimento de suas unidades, considerando a potência agrícola do Brasil e seu direcionamento sustentável. 

“A Petrobras mantém seu compromisso com a transição energética justa e com a ampliação da oferta de produtos de menor intensidade de carbono. Nesse contexto, a companhia acompanha a evolução de diferentes rotas tecnológicas e matérias-primas para produção de biocombustíveis”, diz o comunicado.

Além do combustível, parte da macaúba pode ser utilizada para a produção de lubrificantes avançados em refinarias.

“A macaúba produz dois tipos de óleo; um deles é ótimo para cosméticos e medicamentos. O outro se transforma em biodiesel. A ideia é fechar a cadeia produtiva de fontes de óleo vegetal e seus subprodutos, tudo sendo processado no Ceará, com a exportação dos derivados de alto valor”, conta Ricardo Pinheiro.

O engenheiro de petróleo e gás aponta que ainda não há contrato comercial para a extração do óleo vegetal da macaúba. A plantação deve ocorrer em caso de investimento concreto.

POTENCIAL ENERGÉTICO DA PLANTA BRASILEIRA

A macaúba chega a produzir 6 mil litros de óleo por hectare, conforme análise desenvolvida pela Atrium Forest Consulting, a pedido da ONG WWF (Fundo Mundial para a Natureza).

O estudo indica que a macaúba é a espécie de menor risco técnico e econômico entre as candidatas a fornecer matéria-prima à produção de biodiesel e bioquerosene, considerando o avanço das pesquisas sobre a cultura no Brasil.

Além da alta densidade energética, a planta tem grande capacidade de sequestrar carbono. A macaúba pode ser produzida em sistemas agroflorestais com integração lavoura-pecuária-floresta, inclusive em áreas degradadas.

 

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Também pode ser cultivada amplamente no Cerrado, principalmente consorciada com pastagens extensivas, alcançando produtividade satisfatória.

O levantamento examinou 57 artigos científicos sobre a eficiência do processamento do biodiesel e bioquerosene de macaúba. Uma das constatações importantes é a combustão completa proporcionada pela planta, com redução das emissões em comparação com o atual diesel B comercial.

A substituição do querosene de aviação por biocombustíveis é um dos principais desafios do setor para atingir o compromisso global de descarbonização.

Barbalha já faz experimentos 

O planejamento para a produção de combustível sustentável de aviação a partir da macaúba ocorre de forma mais avançada na Bahia. A domesticação da espécie começou a ser feita em julho de 2024 pela Embrapa, em parceria com a Acelen Renováveis.

 

A Acelen, empresa do fundo Mubadala Capital, vai investir R$ 7,5 bilhões para instalar uma biorrefinaria em São Francisco do Conde. A unidade deve ter capacidade para produzir 1 bilhão de litros de querosene e diesel renovável por ano.

 

A macaúba deve ser a principal matéria-prima, mas também poderá ser utilizado óleo de soja e de cozinha usado. A palmeira deve ser plantada em uma área de 144 mil hectares.

Segundo a Embrapa, a produção de biocombustíveis a partir da planta pode ser replicada em outros estados, desde que haja um trabalho de organização da cadeia produtiva.

“No Ceará, já temos experimentos com a macaúba em Barbalha, e os resultados indicam que é imperativo este tipo de estudo prévio para assegurar baixo risco no investimento”, afirmou a empresa.

Atualmente, a Acelen conduz pesquisa genética, desenvolvimento de mudas e estudos agronômicos em Montes Claros (MG), no Acelen Agripark.

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Carlos Alberto

Oi, eu sou o Carlos Alberto, radialista de Campos Sales-CE e apaixonado por futebol. Tenho qualidades, tenho defeitos (como todo mundo), mas no fim das contas, só quero viver, trabalhar, amar e o resto a gente inventa!

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