Alcance, credibilidade e proximidade com o público reforçam a relevância do meio
O atual cenário da mídia é marcado por telas, algoritmos e excesso de informações. Mesmo com a expansão das plataformas de streaming, redes sociais e outros meios digitais, o rádio segue em destaque no Brasil. Segundo a 48ª edição do Data Stories – Inside Audio, da Kantar IBOPE Media, publicada em 2025, o meio é ouvido por 79% da população nas principais regiões metropolitanas. Em Fortaleza, no Ceará, o consumo de rádio ultrapassa 80% dos entrevistados.
Apesar da multiplicidade de canais de comunicação, o rádio ainda se destaca pela agilidade e confiabilidade na transmissão de informações. Para Kátia Patrocínio, jornalista e professora de Radiojornalismo na Universidade de Fortaleza (Unifor), “a simplicidade na forma de comunicar faz que o meio seja o mais veloz para levar a informação até o receptor”, explica.
A especialista também ressalta um diferencial importante do rádio: a construção de imagens pelo ouvinte. Ela aprofunda essa característica ao destacar a relação próxima entre locutor e audiência. “A criação da imagem ao escutar a voz de um locutor e o que ele narra, nos dá uma aproximação, no sentido de que nos aproximamos mais ainda do que escutamos”, detalha. Segundo Kátia, neste momento, cria-se o diálogo mental, onde o ouvinte se sente incluído naquela conversação como se fosse diretamente dirigida para ele.
Conexão emocional e linguagem popular fortalecem audiência
A relação afetiva entre locutor e ouvinte continua sendo um dos principais pilares do meio. Para Tony Nunes, locutor da FM 93, essa conexão é sustentada pela credibilidade da emissora. “É por essa verdade do rádio que as pessoas continuam com essa paixão”, destaca.
Ele também aponta que a proximidade com o público não é um desafio, mas parte essencial da linguagem radiofônica: “O segredo é falar a linguagem do povo. Falar o que o povo quer ouvir. Falar o que o cearense gosta de ouvir”, revela. Fundada em 1976 pelo Grupo Edson Queiroz, a FM 93 mantém uma linguagem popular, proximidade com o ouvinte e capacidade de acompanhar as transformações no consumo de mídia.
Esse vínculo é percebido na prática. Carmen Célia Rodrigues, 54 anos, pedagoga e costureira, relata como mantém próxima a relação com o veículo em sua rotina. A profissional realiza seu ofício em casa e tem o rádio como colega de trabalho.
“Consigo sentir o calor humano por parte dos locutores e a interação com os ouvintes em tempo real, o que é muito gratificante. Me divirto muito ouvindo a 93. É minha vitamina diária de alegria”, relata.
O engajamento também se reflete na participação ativa. Carmen conta que se tornou ouvinte frequente da FM 93 neste ano e, incentivada pela filha, participou de enquetes e sorteios, sendo premiada pela emissora com combos de ingressos e itens para uso pessoal, como camisa, garrafa e outros. “Quando não ganho nos sorteios, fico feliz do mesmo jeito quando apenas falam meu nome”, conta.
Alcance amplo e valor para comunicação
O rádio segue alcançando diferentes faixas etárias, classes sociais e regiões, o que reforça seu papel na sociedade. Para Carmen Lúcia Dummar, presidente da Associação Cearense de Emissoras de Rádio e Televisão (Acert), esse alcance explica a permanência do meio. “É resultado da combinação entre responsabilidade editorial, proximidade com a comunidade, comunicadores reconhecidos pelo público e prestação de serviço em tempo real”, ressalta.
Inovação e presença digital
Mesmo com forte tradição, o rádio tem se adaptado às novas demandas do mercado. Para Kléber Dias, supervisor de programação da FM 93, a inovação faz parte do negócio. “O rádio tem resiliência e já passou por muitas mudanças. Atualmente é questão de sobrevivência a ampliação da presença digital, com o uso mais assertivo das redes sociais, vídeos, streaming com boa qualidade e criando uma melhor entrega, tanto para o ouvinte quanto para o anunciante”, explica.
Essa transformação também é destacada por Carmen Lúcia Dummar, ao apontar a expansão do rádio. “Hoje, ele vai além da transmissão em FM e AM e se consolidou como um ecossistema multiplataforma, presente no dial, nos aplicativos, nos sites das emissoras, no streaming, nos podcasts, nas redes sociais, nos carros conectados e nos assistentes de voz”, finaliza.











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