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Castanhão, Orós e Banabuiú: veja como será usada a água dos maiores açudes do CE até 2027

Transferência de 6 mil l/s de água para a Região Metropolitana de Fortaleza é aprovada.

Transferência de 6 mil l/s de água para a Região Metropolitana de Fortaleza é aprovada.

Escrito porAlexia Vieiraalexia.vieira@svm.com.br
10 de Julho de 2026 – 06:00
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Legenda: Açude Castanhão, maior do Ceará, terá vazão de 25 mil litros por segundo.
Foto: Ismael Soares.

As vazões das águas dos principais açudes do Ceará até o início de 2027 foram definidas em reunião realizada na última quarta-feira (8), em Limoeiro do Norte. Os comitês de seis bacias hidrográficas decidiram as alocações, transferências e usos permitidos dos recursos, que representam 70% das reservas hídricas do Estado.

Participaram os representantes das bacias do Baixo, Médio e Alto Jaguaribe, Banabuiú, Salgado e da Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), além de técnicos da Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh) e da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme).

Uma das principais decisões foi a alocação de 6 mil litros por segundo de água do sistema Orós/Castanhão para a Região Metropolitana de Fortaleza. Como adiantado pelo Diário do Nordeste, a medida foi tomada tendo em vista o pouco aporte recebido pelos açudes da RMF durante a quadra chuvosa.

Em entrevista à reportagem, Tércio Tavares, diretor de Operações da Cogerh, explica que a Região Metropolitana teve 30% a menos de água ao fim da quadra chuvosa do que o volume registrado no mesmo período de 2025. Por isso, a transferência dos recursos não ocorria desde 2021.

“A água que está chegando para Fortaleza hoje está vindo do Orós, que doa essa água para o Castanhão, e a mesma quantidade o Castanhão doa pra Fortaleza. O Castanhão está servindo de passagem. Essa água está sendo transportada por mais de 400 km para chegar na torneira de cada um dos habitantes da RMF”, explica.

 

 

Outra mudança foi a alocação de 100 litros por segundo de água do Banabuiú para a cidade de Milhã. A transferência utiliza o primeiro setor do sistema Malha D’água, inaugurado em agosto de 2025.

Por meio dele, é possível garantir água tratada para localidades mais distantes do Banabuiú. O sistema é importante principalmente em períodos de estiagem, que agravam a situação de reservatórios menores e menos resilientes.

O restante das vazões, conforme Tércio, são similares às que foram aprovadas nos últimos dois anos. Isso ocorre devido às boas reservas de água registradas em 2024, 2025 e 2026. Atualmente, o Ceará conta com 9.563 hectômetros cúbicos (hm³) de água armazenada, o que corresponde a 52,61% da capacidade.

Confira as vazões aprovadas dos principais açudes:

Açude Orós: vazão média de 5.300 l/s

  • 850 l/s para o canal Orós-Feiticeiro;
  • 1.400 l/s para o açude Lima Campos (bacia do Salgado);
  • 3.037 l/s para demandas instaladas;
  • 6 mil l/s para o sistema Castanhão-Eixão das Águas (em direção à RMF).

Açude Castanhão: vazão média de 25 mil l/s

  • 19 mil l/s para atendimentos das demandas da região do Baixo Jaguaribe pela perenização do Rio Jaguaribe e pelo Eixão das Águas;
  • 6 mil l/s para a RMF (vindos do Orós).

Açude Banabuiú: vazão média de 2.900 l/s 

  • 1.480 l/s para usos múltiplos;
  • 620 l/s para o Perímetro Promovale;
  • 700 l/s para o Perímetro Irrigado de Morada Nova;
  • 100 l/s para 1ª etapa do Malha d’Água (até Milhã).

Critérios para definir as vazões

Segundo o diretor de operações, os comitês levam em consideração três aspectos para a definição do uso dos recursos hídricos dos açudes. O primeiro é a demanda local de água, seja para abastecimento humano ou para o setor produtivo.

Outro ponto levado em conta é a reserva disponível. “Quanto mais água, tendo a atender a todas as demandas. Quanto menos água, vou restringindo de alguma forma”, ilustra.

O terceiro aspecto considerado é a projeção de sustentabilidade para garantir a duração dos recursos por mais de um ano.

“A gestão de águas é feita de modo plurianual. A gente não olha para a água apenas para esse ano, olha pelo menos no horizonte de dois anos. A água de hoje tem por obrigação de dar para mais de um ano”, explica Tércio.

El Niño entra na conta?

A confirmação do fenômeno El Niño em 2026, que representa o aquecimento anormal das águas do oceano Pacífico, ainda não influenciou na definição de vazões dos reservatórios cearenses.

 

Caso a intensidade muito forte do evento climático se torne uma realidade — assim como projetam especialistas — e haja diminuição das chuvas no Ceará em 2027, haverá adaptação do uso das águas.

 

“A sociedade aprendeu a olhar para isso. Eu ainda tenho a condição de gastar mais ou menos a mesma coisa do ano passado, mas se não chover e se o El Niño for garantido, com certeza as próximas vazões decididas serão muito menores”, afirma o diretor.

Comitês e gestão participativa

A alocação negociada dos recursos hídricos faz parte de uma política participativa de gestão das águas no Ceará. A partir dos Comitês de Bacias Hidrográficas, os usuários, a sociedade civil e o poder público podem opinar na destinação dos recursos hídricos do Estado.

Na reunião realizada na quarta-feira, as vazões foram definidas por meio de votação em plenária, após apresentação de cenários técnicos elaborados pela equipe da Cogerh.

Esse processo é repetido anualmente ao fim do período chuvoso, que corresponde aos meses de fevereiro a maio.

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Carlos Alberto

Oi, eu sou o Carlos Alberto, radialista de Campos Sales-CE e apaixonado por futebol. Tenho qualidades, tenho defeitos (como todo mundo), mas no fim das contas, só quero viver, trabalhar, amar e o resto a gente inventa!

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