Várias grandes empresas estão a recorrer à RJ como tábua de salvação para juros altos, endividamento e horizonte nublado
Escrito por
Egídio Serpaegidio.serpa@svm.com.br
18 de Agosto de 2026 – 07:00
Legenda: Um dos símbolos do mercado varejista brasileiro, a Casas Bahia, vitimada por dívidas e juros altos, pediu Recuperação Judicial
Foto: Shutterestock.
Um oferecimento de:
Mais uma grande empresa brasileira, a rede de lojas Casas Bahia, foi levada à UTI da Recuperação Judicial (RJ), onde respira por aparelhos e onde deverá passar os próximos meses. Atacou-a a pandemia dos juros altos, do crédito difícil, caro e só acessível às empresas líquidas, isto é, com dinheiro em caixa para emprestar aos bancos, e estas são poucas no Brasil, algumas das quais, porém, estão aqui no Ceará e são dos setores da indústria e do agro, o que certamente surpreende a muita gente desinformada. Acredite, pois no Ceará há empresas líquidas. Muito líquidos, aliás.
A lista de empresas que recorreram à Recuperação Judicial é extensa e inclui gigantes como a Coteminas, Americanas, Oi, Light, Bombril, Gol, Paranapanema, Agrogalaxy, Têxtil RenauxView e BBM Logística. Há 23 empresas listadas na Bolsa de Valores brasileira em processo de Recuperação Judicial; aqui em Fortaleza, a Justiça examina pedidos semelhantes de empresas industriais e comerciais.
Tudo isto é produto da dificuldade por que passa, e já faz tempo, a economia brasileira, algo que se agrava, pois não há, no horizonte relevante de curto prazo, perspectiva de melhoria: os juros seguirão caros – hoje, a taxa básica de juros da economia, a Selic, que orienta as relações interbancárias, está no patamar de 14%. Mas a taxa exigida das empresas pelas instituições financeiras para subsidiar investimento é um pouquinho mais alta para clientes do nível AAA (as líquidas), muito mais alta para as do nível BBB (com baixo risco de inadimplência) e extraordinariamente mais alta para as do nível CCC (com alto risco de calote).
Está aí explicada uma das razões pelas quais o lucro dos grandes bancos tem sido cada vez maior. Mas, antes de qualquer discussão, é preciso entender que banco não é casa de caridade. No Brasil, na China, no Japão, nos EUA e na Bahia, o capital vai para onde ele se reproduz mais rápida e facilmente e com mais segurança. Simples assim.
Dá pena observar o que acontece com a Casas Bahia. Para curar-se dessa pandemia, a empresa está a fechar 298 lojas e a demitir 1,9 mil pessoas em todo o país. Sobre isto, eis o que disse o CEO da empresa, Renato Franklin:
“Nos últimos anos, fizemos um trabalho importante de transformação da Companhia. Reduzimos de forma relevante o endividamento financeiro, melhoramos nossa estrutura de capital, avançamos em eficiência e fortalecemos a geração de caixa. Mas precisamos reconhecer que essa evolução, embora crucial, não foi suficiente diante de um cenário de crédito mais restritivo, juros elevados e consumo pressionado. A realidade mudou e, junto ao nosso Conselho de Administração, tomamos decisões para adequar a Companhia a essa nova realidade”.
Os prejuízos dos investidores devem ter sido reduzidos pelo conjunto de prévias advertências que, ao longo dos últimos 12 meses, fizeram os analistas do mercado. Advertidos, venderam suas ações. Os juros ficaram mais caros de tempos recentes para cá. E por quê? Porque passaram a guerrear os drones da política fiscal contra os da política monetária.
Neste particular, é muito interessante ler, nas redes sociais, as opiniões que, explicitamente, revelam a polarização a que chegou a política brasileira: “Os juros estão altos porque o Banco Central ficou independente, impôs uma política monetária restritiva e nem liga mais para o interesse nacional, fazendo o jogo do mercado financeiro”, dizem os do lado esquerdo. “Os juros estão altos porque quem cuida da política fiscal não tem compromisso com a austeridade das contas públicas, gasta mais do que arrecada, frustrando todo o esforço da Receita Federal, que segue batendo recordes de arrecadação tributária”, contrapõem os do lado direito.
No recente DN Business, promovido pelo Sistema Verdes Mares, ficou claro que a primeira prioridade do próximo governo da União, seja ele qual for, será a de aplicar um duro ajuste fiscal para consertar as contas públicas. Qual o tamanho desse ajuste dependerá da coragem do eleito e de sua capacidade de negociar com as duas casas do Parlamento Nacional. Algo que, como esta coluna já o disse, custa muito caro. Trata-se de um filme já conhecido, em cujo final o Tesouro Nacional sai gravemente ferido.
A propósito: notícia de ontem à noite revela que o Bradesco, com R$ 1,5 bilhão e o seu controlado Banco Digio, com R$ 4,8 bilhões, são os maiores credores das Casas Bahia. Em seguida, vem o Banco do Brasil, que tem créditos a receber da Casas Bahia no valor de R$ 2 ,9 bilhões. Só com o mercado financeiro, a dívida das Casas Bahia equivale a R$ 13,2 bilhões.
Expolog 2026 movimentará R$ 70 milhões em novos negócios
Feira Internacional de Logística, que acontece anualmente, será realizada nos dias 23 e 24 de novembro
Vem aí a 21ª edição da Expolog – Feira Internacional de Logística, que reunirá, nos dias 23 e 24 do próximo mês de novembro, no Centro de Eventos do Ceará especialistas, empresários, gestores públicos e representantes dos principais segmentos da cadeia logística nacional.
Reconhecida como um dos maiores eventos do setor no Brasil, a Expolog 2026 terá como tema central “Logística Inteligente: Multimodalidade, IA e Resiliência Geopolítica”, propondo debates sobre infraestrutura, inovação, comércio exterior e políticas públicas.
Um dos destaques da feira deste ano será a Rodada de Negócios, promovida para ampliar as conexões estratégicas entre empresas do setor logístico, fortalecendo o ambiente de colaboração, inovação e geração de novas oportunidades comerciais.
Na Expolog 2025, foram movimentados quase R$ 60 milhões entre negócios fechados e prospectados pelas 74 empresas que participaram da rodada. Neste ano, a expectativa de um volume de negócios perto de R$ 70 milhões.
Ao longo dos anos, a Expolog vêm se consolidando como um dos espaços mais estratégicos para geração de negócios, networking e disseminação de conhecimento voltado ao desenvolvimento da logística brasileira.
As inscrições para o evento são gratuitas e podem ser feitas por meio do site oficial www.feiraexpolog.com.br. É preciso clicar no botão “Quero garantir minha inscrição”, na página inicial, e em seguida selecionar o tipo de inscrição (participar da feira ou das palestras). Após essa etapa, é necessário informar alguns dados pessoais para finalizar a inscrição.
O evento é uma promoção do Diário do Nordeste, Instituto Future e Setcarce, e realizado pela Prática Eventos, com correalização da Câmara Brasil Portugal no Ceará. A programação completa será divulgada em breve.
EXPOCELL REUNIRÁ EM FORTALEZA O UNIVRSO DOS CELULARES
Fortaleza receberá, nos dias 11 e 12 de setembro, no Hotel Oásis, mais de 400 empresários e profissionais ligados ao mercado de celulares, acessórios, assistência técnica e serviços tecnológicos durante a segunda edição da Expocell Tecnologia. O encontro acontecerá em um cenário de expansão da conectividade e do fortalecimento de uma cadeia de negócios que vai muito além da venda de aparelhos.
Realizado no Hotel Oásis Atlântico Brasil, na Avenida Beira-Mar, das 13h às 20h, o evento reúnirá lojistas, distribuidores, fornecedores, técnicos, prestadores de serviços e empreendedores de diferentes áreas do segmento.
O cenário nacional ajuda a dimensionar a força desse mercado. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgados no último mês de julho, mostram que a internet estava presente em 95% dos domicílios brasileiros em 2025, alcançando cerca de 76 milhões de residências. No mesmo período, a presença de telefone móvel celular chegou a 97,4% dos domicílios, o maior percentual da série histórica.
A ampla presença dos dispositivos móveis impulsiona uma cadeia formada por comércio de aparelhos e acessórios, manutenção, assistência técnica e diferentes serviços ligados à tecnologia. No Ceará, pequenos e médios empreendedores também encontram nesse mercado oportunidades de geração de negócios e prestação de serviços.
Durante os dois dias, a Expocell contará com exposição de produtos e serviços, além de palestras e discussões sobre tendências do segmento, gestão, inovação e mudanças no comportamento do consumidor. A proposta é também debater os desafios de empreender em um setor marcado pela rápida evolução tecnológica.











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