
O consumo crônico de álcool e de tabaco pode causar colapso na produção de energia das células responsáveis pela visão, causando danos graves e até mesmo cegueira. A neuro-oftalmologia é uma subespecialidade médica que une conhecimentos da oftalmologia e da neurologia para diagnosticar e tratar problemas de visão provocados por doenças que afetam o sistema nervoso.
Segundo o Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), o olho é a única parte do corpo humano que permite ao médico observar, sem instrumentos ou procedimentos invasivos, sinais relacionados ao sistema nervoso central. Isso é possível por meio do nervo óptico, uma estrutura que funciona como uma extensão direta do cérebro.
A área é considerada fundamental para investigar alterações visuais que podem ter origem no cérebro, nos nervos ópticos ou em outras estruturas do sistema nervoso. Em alguns casos, uma alteração na visão pode ser o primeiro sinal de uma doença neurológica importante e potencialmente tratável.
Doenças que podem ser identificadas
Entre as condições investigadas pela neuro-oftalmologia estão:
- Neurites ópticas, que podem estar associadas à esclerose múltipla;
- Infarto do nervo óptico;
- Compressões provocadas por tumores de hipófise e aneurismas;
- Papiledema, caracterizado pelo inchaço do nervo óptico provocado pelo aumento da pressão dentro do crânio;
- Paralisias que provocam visão dupla.
A especialidade também permite identificar neuropatias tóxicas, carenciais e hereditárias. Nesse grupo estão alterações relacionadas ao consumo excessivo de álcool e tabaco e às intoxicações por substâncias como o metanol.
No caso do metanol, o CBO alerta que a ingestão da substância, geralmente presente em bebidas adulteradas, pode provocar graves consequências ao longo do trajeto entre a retina e o córtex cerebral, podendo levar ao adoecimento do nervo óptico e à perda da visão.
Sinais de alerta
Nas neuropatias ópticas provocadas por substâncias tóxicas ou por deficiências nutricionais, como pode ocorrer em pessoas que fazem uso crônico de álcool e tabaco, a perda da visão costuma ser lenta, indolor e atingir os dois olhos ao mesmo tempo. Por isso, muitas vezes, o problema demora a ser percebido.
Entre os sinais estão o surgimento de um borrão na região central do campo de visão, enquanto a visão periférica permanece preservada. Também pode ocorrer alteração na percepção das cores, que ficam mais desbotadas. O vermelho, por exemplo, pode adquirir uma aparência semelhante a um rosa desbotado.
Nos casos de intoxicação por metanol, os sintomas costumam aparecer entre seis e 24 horas após o consumo, segundo o CBO. Os principais sinais incluem visão turva, sensibilidade à luz, pupilas dilatadas e dificuldade para distinguir cores.
A intoxicação pode evoluir para perda irreversível da visão, convulsões e coma, sendo considerada uma emergência médica.
Como é feito o diagnóstico
De acordo com o CBO, a anamnese, ou seja, a conversa detalhada entre médico e paciente, é uma das principais ferramentas da neuro-oftalmologia. Quando realizada de forma adequada, pode direcionar o diagnóstico em grande parte dos casos.
Durante a avaliação, o profissional pode investigar aspectos como restrições alimentares, histórico de cirurgia bariátrica, uso de medicamentos potencialmente tóxicos, histórico familiar e hábitos relacionados ao consumo de álcool e tabaco.
A investigação também pode incluir exames clínicos, como avaliação das pupilas, percepção das cores, campo visual, movimentos dos olhos e fundo de olho.
Entre os exames complementares estão a tomografia de coerência óptica (OCT), que permite medir a espessura das fibras nervosas e identificar alterações antes mesmo de serem percebidas pelo paciente; a ressonância magnética; a dosagem de vitamina B12; e testes eletrofisiológicos da visão.
Tratamento
Nos casos de neuropatias provocadas por substâncias tóxicas, uma das principais medidas é a suspensão imediata do agente causador, que pode ser um medicamento, álcool ou tabaco.
Quando o problema está relacionado a deficiências nutricionais, o tratamento pode envolver a reposição rápida de vitaminas.
Já em casos de intoxicação aguda por metanol, o atendimento é considerado uma emergência. O tratamento pode envolver o uso de antídotos, correção da acidose e, em determinadas situações, diálise. Quando iniciado rapidamente, o tratamento pode ajudar a preservar a visão e evitar complicações graves.
Informações – Agência Brasil











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