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Artesã de Itapipoca ensina renda de bilro a jovens para manter tradição viva: ‘não vai sumir’

A rendeira é uma das expositoras da 70ª Exposição Agropecuária e Industrial do Ceará (Expoece).

A rendeira é uma das expositoras da 70ª Exposição Agropecuária e Industrial do Ceará (Expoece).

Escrito porPaulo Roberto Macielpaulo.maciel@svm.com.br
07 de Novembro de 2026 – 07:00
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Legenda: O número de expositores e empresas passou de cerca de 180, no ano passado, para mais de 360.
Foto: Fabiane de Paula.

A rendeira Vilma Souza, natural de Itapipoca, no Vale do Curu, trabalha há 30 anos com renda de bilro, expressão artesanal reconhecida como um dos símbolos culturais do Ceará e que movimenta a economia de muitas mulheres.

Transmitida entre gerações, a prática enfrenta resistência dos mais jovens, cenário que Vilma tenta reverter. A artesã levou as peças feitas à mão para a 70ª Exposição Agropecuária e Industrial do Ceará (Expoece), prática que repete em diversas feiras do Nordeste para divulgar a tradição da renda cearense.

A técnica consiste no cruzamento e entrelaçamento manual de fios de linha sobre uma almofada, guiados por pequenas peças de madeira chamadas bilros. O talento para o ofício foi descoberto a partir da curiosidade de observar outros artesãos.

 

“Eu via pessoas próximas fazendo esse artesanato, até que comecei a treinar e aprendi. Hoje, ensino para quem queira aprender também”, detalha Vilma.

 

 

Artesã já expôs peças por todo o Nordeste em feiras de artesanato e cultura popular nordestina.

Legenda: Artesã já expôs peças por todo o Nordeste em feiras de artesanato e cultura popular nordestina.
Foto: Fabiane de Paula.

 

Apesar do conhecimento e da experiência, Vilma tem dificuldade para encontrar pessoas interessadas em seguir no ramo. Segundo ela, a falta de interesse das novas gerações por atividades manuais pode levar a renda de bilro a desaparecer.

 

“A geração mais antiga, uma hora, vai acabar, e não tenho visto muitos jovens querendo aprender essa arte. É importante para nós repassar esse estilo de renda, porque nos foi ensinado de muito tempo atrás e faz parte de nossa cultura”, afirma.

 

Vilma diz que a 70ª edição da Expoece é uma grande oportunidade para ajudar a associação que integra, com outros 50 artesãos. Esta é a primeira vez que participa do evento e ela espera bom retorno do público.

“A renda de bilro não vai sumir, tenho fé nisso. É um trabalho muito manual, demorado e trabalhoso. Mas fazemos com amor e isso é o que importa”, enfatiza.

Cosmético sustentável feito no Ceará

Participante da Expoece há cinco anos, Ingrid Barbosa criou a marca “Pele de Marfim” para oferecer cosméticos diferentes dos encontrados nos supermercados.

Ela percebeu que muitos consumidores tinham dificuldade de se adaptar a algumas texturas e cheiros e não reagiam bem a certos insumos. Desde então, passou a desenvolver, com a mãe, massoterapeuta, itens com materiais biodegradáveis para atender a essa demanda.

 

Dentre os produtos mais vendidos, estão aromatizantes, sabonetes e até batons multiuso.

Legenda: Dentre os produtos mais vendidos, estão aromatizantes, sabonetes e até batons multiuso.
Foto: Fabiane de Paula.

 

O primeiro produto foi um hidratante à base de sarrapitaia, mangue e jabuticaba. Segundo Ingrid, essas frutas absorvem as impurezas com rapidez e não se desgastam com o calor e a umidade característicos do Ceará.

Em seguida, vieram loções, escalda-pés, sabonetes e desodorantes em barra, sem aroma e pensados para durar até três meses.
“Um dos nossos maiores sucessos é o hidratante natural multiuso. Ele serve como blush, sombra, contorno, iluminador e pode ser usado por quem tem dermatite”, diz.

As embalagens também são um diferencial do catálogo. Os rótulos são feitos de celofane biodegradável e reciclável, geralmente transparentes ou brancos, para entrar mais rápido no processo de reciclagem.

Ingrid observou aumento no número de visitantes em busca de itens naturais desde que começou a participar da Expoece. Por isso, a cada edição, busca oferecer mais opções ao consumidor e espera bom retorno no evento de 70 anos.

“O público tem boa aceitação por causa das texturas leves, da absorção rápida e da riqueza de nutrientes. Como temos muito sol, a maioria dos nossos produtos tem vitamina E, porque é um antioxidante. Nos preocupamos com a quantidade de sol que a pele absorve”, detalha Ingrid.

Expoece lota pavilhões com bovinos

O presidente da Associação dos Criadores do Ceará (ACC), Braga Almeida, avalia que a 70ª Expoece chega a uma edição especial, com crescimento no número de expositores e ocupação total dos espaços disponíveis.

Segundo ele, todos os pavilhões estão lotados, com capacidade para receber 550 bovinos de exposição, além de animais de outras espécies, como caprinos e equinos.

Um desses expositores é Regis Braga, dono de um rebanho com 27 espécimes da raça Guzerá Leiteiro. Segundo ele, o Ceará é um dos principais exportadores do gado para outros estados e países, como Colômbia, Senegal e Nepal.

“Há muitos anos que o zebuíno leiteiro é a base do da pecuária brasileira. Por isso, buscando sempre manter os animais mais produticos da fazenda e, por consequência, gerando uma renda superior aos concorrentes”, destaca.

 

O Guzerá foi a primeira raça de gado zebuíno a ser introduzida no Brasil, trazida da Índia pelo Barão de Duas Barras.

Legenda: O Guzerá foi a primeira raça de gado zebuíno a ser introduzida no Brasil, trazida da Índia pelo Barão de Duas Barras.
Foto: Fabiane de Paula.

 

Regis atribui o sucesso da pecuária no Estado aos investimentos no setor, que permite o aprimoramento dos rebanhos para aumentar a produtividade.

“O Produto Interno Bruto (PIB) do Ceará está subindo acima do nacional. Isso muito é advindo do do agronegócio. E, por consequência, nos dá força para a gente continuar investindo e exportando nossa genética mundo afora”, reforça.

70ª Exposição Agropecuária e Industrial do Ceará

A Associação dos Criadores do Ceará (ACC), responsável pela Expoece, projeta movimentação financeira de R$ 30 milhões em toda a feira, 50% acima dos R$ 20 milhões negociados em 2025.

O número de expositores e empresas passou de cerca de 180, no ano passado, para mais de 360.

A edição de 2026 tem maior diversidade de setores. Além de empresas do agronegócio e de máquinas, participam representantes dos segmentos de veículos, energia solar, construção, varejo, eletrodomésticos e alimentos.

São esperadas mais de 300 mil pessoas nos nove dias de evento.

Expoece – 70ª edição

Quando: de 31 de outubro, a partir de 7h, a 8 de novembro, até as  22h
Local: Parque de Exposições Governador César Cals – São Gerardo

Confira a programação de shows aqui.

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Carlos Alberto

Oi, eu sou o Carlos Alberto, radialista de Campos Sales-CE e apaixonado por futebol. Tenho qualidades, tenho defeitos (como todo mundo), mas no fim das contas, só quero viver, trabalhar, amar e o resto a gente inventa!

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