Produções de grãos como milho e soja são atrativos na região.
A Chapada do Araripe deve se tornar um novo polo agrícola consolidado no Ceará, projeta Amílcar Silveira, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Ceará (Faec).
Durante participação na 3ª edição do fórum Cresce Ceará, realizado pelo Diário do Nordeste, em parceria com o Banco do Nordeste (BNB), nessa quinta-feira (21), Amílcar ressaltou a importância da região, localizada no extremo sul do Estado, na divisa com Pernambuco.
A produção na Chapada do Araripe está avançada, com grãos entre os principais cultivos. São mais de 1 milhão de hectares, sendo 60% no Ceará. Precisamos preservar a Floresta do Araripe, mas também produzir”.
De acordo com ele, a região conta com 60 mil ha plantados, podendo chegar a 1 milhão de hectares quando considerada toda a Chapada do Araripe: “O Piauí tem a mesma área em todo o Estado”, afirmou.
Região tem potencial de grãos
Amílcar também comentou sobre a preferência por grãos em vez de produtos de maior valor agregado, como frutas, legumes e verduras (FLV).
Para ele, o cultivo de FLV é adequado em regiões com acesso a perímetros irrigados, como a Serra da Ibiapaba e a Chapada do Apodi.
“Defendo que, nas regiões com perímetro irrigado, devemos priorizar produtos de alto valor agregado. Onde a água é mais escassa, o grão é a alternativa mais viável”, explicou Amílcar.
Dados da Produção Agrícola Municipal (PAM) de 2024, última pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apontam que a área destinada ao plantio de soja no Ceará cresceu 688% desde 2020.
3ª edição do Cresce Ceará debateu a expansão do agronegócio do Estado
Nessa quinta-feira (21), a 3ª edição do Cresce Ceará reuniu especialistas e produtores para discutir os caminhos de expansão e os desafios estruturais do agronegócio no Estado, com destaque para a logística e para a energia.
O governador Elmano de Freitas avaliou que o acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia abre oportunidades para o agronegócio, a indústria e o setor têxtil cearense.
“O acordo é importante para o agronegócio, para a indústria, para o setor têxtil. No agronegócio, é importante para a carne, para a fruta, para muitas das nossas produções”, listou.
O governador destacou a infraestrutura do Estado como diferencial competitivo, citando o Porto do Pecém, a malha rodoviária e a ferrovia. Segundo ele, o Ceará tem condições de aproveitar ao máximo a abertura do mercado europeu.
Elmano, no entanto, ponderou sobre a cadeia do leite. Ele ressaltou que a Europa possui uma produção leiteira “muito eficaz e competitiva” e que o setor local precisa ganhar eficiência para enfrentar a concorrência dos produtos importados.
“Temos que dar atenção para garantir uma melhoria de eficiência da nossa cadeia do leite. Acho que estamos prontos para nos organizarmos e avançar nos mercados, especialmente na cadeia europeia”, concluiu.
O Cresce Ceará contou com dois painéis de debate de grande relevância para o setor. O Painel 1, que abordou “O papel da energia no novo ciclo de expansão do agro cearense”, contando com a participação de Jurandir Picanço, da Fiec; José Nunes, presidente da Enel Ceará; Rita Grangeiro, proprietária da Fazenda Grangeiro e CEO da My Coco; e Raimundo Vandir Farias Júnior, diretor de negócios do BNB. O debate foi mediado por Victor Ximenes.
Em seguida, o Painel 2 discutiu o tema “Logística no agronegócio: traçando caminhos para o crescimento”, reuniu o engenheiro, empresário e idealizador do Arco Metropolitano, João Teixeira; o diretor comercial da Transnordestina Logística, Alex Trevisan; o CEO da Brok Fresh, Tropical Nordeste Fruit e Brok Logística, Edson Brok; e o gerente do Escritório Técnico de Estudos Econômicos do Nordeste do BNB, Alison Martins. A mediação desSe bloco ficou a cargo de Egídio Serpa.













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