Proposta está em discussão no senado e pode beneficiar produtores rurais de todo o Brasil.
- Aumenta-se o aporte financeiro para produtores afetados por eventos climáticos extremos e dívidas consideradas “estressadas”.
- O projeto visa financiar produtores rurais com recursos do Fundo Social do Pré-Sal e renegociar dívidas agrícolas.
- Estudos calculam um impacto fiscal de R$ 817 bilhões em 13 anos, mas o relator discorda desses números.
- O governo busca um texto de consenso para oferecer apoio aos produtores rurais sem gerar impactos negativos nas contas públicas.
Trator trabalhando em lavoura | Foto: FreepikA proposta de autoria do senador Renan Calheiros (MDB-AL), visa aumentar o aporte financeiro para produtores afetados por eventos climáticos extremos, e também aqueles que possuem dívidas consideradas “estressadas“, categoria que engloba contratos inadimplentes, renegociados ou prorrogados.
Inicialmente o texto projetava ajudar apenas os produtores vítimas de eventuais eventos climáticos, como secas ou enchentes, mas ao chegar no Senado, o projeto foi ampliado.
O QUE ENGLOBA?
Entre os principais pontos da proposta estão:
- uso de recursos do Fundo Social do Pré-Sal para financiar produtores rurais;
- renegociação de dívidas agrícolas consideradas “estressadas“;
- inclusão de produtores afetados por crises climáticas e econômicas;
- prazo de até 10 anos para o pagamento;
- carência de até 2 anos;
- possibilidade de criação de um fundo garantidos para o agronegócio;
- ampliação do acesso ao crédito rural em momentos de crise.
IMPACTOS NEGATIVOS
Estudos da equipe econômica calculam uma carteira de até R$ 1,4 trilhão em dívidas rurais, o que geraria um impacto fiscal de R$ 817 bilhões em 13 anos. Esse resultado seria um dos principais impasses para a proposta.
O relator discorda dos números apresentados pela Fazenda. De acordo com o senador, o texto trata apenas de uma carteira de aproximadamente R$ 170 bilhões em créditos problemáticos, com impacto estimado em R$ 100 bilhões ao longo de dez anos.
FAZENDA BUSCA ACORDO
O ministro interino da Fazenda, Dario Durigan, informou que o governo está articulando um texto de consenso para ser apresentado antes da análise da proposta pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE). De acordo com ele, a intenção é oferecer apoio aos produtores rurais que enfrentam dificuldades financeiras, sem gerar impactos negativos nas contas públicas.
Durante as negociações, a equipe econômica já aceitou ampliar o prazo para quitação dos débitos, que poderá chegar a dez anos, ante os seis anos previstos inicialmente. O período de carência também poderá ser estendido para até dois anos, desde que os juros sejam pagos desde a assinatura do contrato.
Outra medida em debate é a criação de um fundo garantidor voltado ao setor agropecuário. Inspirado no modelo do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), o mecanismo teria a função de reforçar a segurança das operações de crédito rural, especialmente em momentos de inadimplência ou instabilidade econômica.











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