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Prefeitos e vices cortam relações no Ceará por divergências sobre eleições de 2026; veja lista

Foram mapeados casos em Acopiara, Limoeiro do Norte, Jardim, Forquilha, Icapuí e Ocara.

Foram mapeados casos em Acopiara, Limoeiro do Norte, Jardim, Forquilha, Icapuí e Ocara.

Escrito porIngrid Camposingrid.campos@svm.com.br
17 de Julho de 2026 – 06:00
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Legenda: Rompimentos repercutem nas casas legislativas, na Justiça e nas urnas.
Foto: Divulgação/TSE.

Às vésperas das convenções partidárias, ao menos seis municípios cearenses aprofundam a divisão de forças para as eleições de outubro, ao se tornarem palco de rompimentos políticos entre seus prefeitos e vice-prefeitos. Nessas cidades, antigos aliados decidiram encerrar relações devido a divergências sobre os seus apoios nas campanhas majoritárias e proporcionais do pleito deste ano.

Entre os casos mapeados pelo PontoPoder, estão prefeituras que enfrentaram o mesmo problema no mandato passado: Acopiara e Limoeiro do Norte. Além dessas, as cidades de Jardim, Forquilha, Icapuí e Ocara passam por processos de rompimento, que envolvem movimentações nas casas legislativas e na Justiça.

 

 

PontoPoder buscou os principais personagens desse enredo conflituoso a fim de entender o estremecimento das relações e atualizar a discussão. Confira a seguir:

A história se repete

Em Limoeiro do Norte, o rompimento no Poder Executivo repete um dos rostos envolvidos na cisão do mandato passado, encabeçado pelo ex-prefeito José Maria Lucena. Trata-se de Dilmara Amaral (PSB), que passou de vice-prefeita para prefeita da cidade em 2024, ao vencer as eleições municipais ao lado de Chico Baltazar (PSDB).

A relação, contudo, não durou muito. O distanciamento atual ganhou repercussão neste ano, quando ambos bateram o martelo sobre suas preferências para os poderes Legislativo e Executivo.

Para as eleições de outubro, Dilmara já deu indicativos de que apoiará o governador Elmano de Freitas (PT) na campanha à reeleição e outros nomes da base para cargos majoritários e proporcionais.

 

 

Já Chico é um dos principais aliados do ex-ministro Ciro Gomes (PSDB) no Vale do Jaguaribe, mesmo tendo sido eleito por uma legenda governista, o PP, em 2024. Devido ao endereço partidário, ele havia assumido o compromisso de apoiar Zezinho Albuquerque (PP) na disputa para a Assembleia Legislativa do Ceará (Alece), explicou ao PontoPoder.

 

 

Entretanto, não havia a intenção de estender o voto no PP à eleição para a Câmara dos Deputados. Antecipando-se a eventuais sanções do partido, contidas em resoluções prévias, ele decidiu se filiar ao PSDB.

Agora, além de apoiar outro nome para deputado federal, ele mesmo se lançou como pré-candidato à Alece. Segundo Chico Baltazar, o assunto foi tratado com Dilmara amigavelmente.

“Conversei com a prefeita, entreguei a secretaria em que eu estava. Eu não ia ficar forçando uma situação. Na prática, estou afastado (das funções de vice-prefeito), mas mantendo respeito e ética. Não quero ser misógino e injusto”, disse à reportagem.

PontoPoder também buscou a prefeita Dilmara Amaral para entender a sua versão sobre o fim da relação política com o vice-prefeito, mas não houve retorno.

 

 

Já em Acopiara, a hostilidade entre o prefeito Vilmar Felix (PSB) e a vice-prefeita Marli do Nascimento (União) teve seu pico com a exoneração da gestora da Secretaria Municipal de Trabalho e Desenvolvimento Social, em maio.

Até aquele momento, ela evitava cravar uma situação de rompimento. Em vídeo publicado no mês de fevereiro, Marli relatou apenas desgastes devido a episódios como “perseguições” contra pessoas que “sempre votaram em Dr. Vilmar”, mas que optaram por apoiar a candidatura diferente da defendida por ele para a Câmara Municipal em 2024.

“Essas coisas eu não aceito, não fico calada. Enquanto estão batendo em mim, tudo bem, dá certo, sem problemas. Mas bater em outras pessoas que escolheram votar em Danilla (vereadora e filha de Marli), que é do partido do Dr. Vilmar, aí eu me chateei muito, sabe? E falei isso com ele muito abertamente”, disse.

 

 

Na mesma ocasião, ela ainda afirmou que não estava por dentro das decisões da Prefeitura, indicando um cenário de escanteamento.

“Tudo bem, o prefeito é o Dr. Vilmar, é ele quem manda. Mas eu sou vice-prefeita também e sei da importância que tive não só na campanha de 2024, mas também na de 2020 (em que Vilmar se afastou por infecção de Covid-19). Junto com as pessoas da linha de frente, eu consegui tocar a campanha até o fim, então eu queria também ter essa importância dentro da gestão”, disse.

Mesmo após esse desabafo, ela chegou a participar de agendas públicas com o companheiro de chapa, mas, a partir de maio, o distanciamento ficou mais visível. Agora, meses depois, o PontoPoder buscou Marli do Nascimento e Dr. Vilmar para esclarecimentos sobre como está a relação atualmente, mas não obteve retorno.

Rompimentos

Na cidade de Jardim, os titulares da Prefeitura já davam sinais de ruptura desde o ano passado. Em abril deste ano, a vice-prefeita Jézika Costa (PSB) discursou na tribuna da Câmara Municipal sobre o distanciamento da gestão.

Na ocasião, ela disse que o fato de “não estar exercendo o estado de vice-prefeita politicamente no município” não significava que se isolaria da vida pública. Jézika enfatizou que continuaria presente como médica, independentemente de sua participação direta na administração.

 

 

Em maio, a Polícia Federal (PF) deflagrou a Operação Kingdom e afastou tanto a vice-prefeita quanto o prefeito Dr. Antonio Coutinho (PT) dos seus cargos em investigação sobre um suposto esquema de fraudes em licitações, desvios de recursos públicos, corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo cidades cearenses.

À época, a Prefeitura de Jardim informou que as buscas foram realizadas na residência e no gabinete do prefeito, embora não tenha havido apreensão, e do ex-prefeito Aniziário Costa (PT). Este é tio de Jézika.

 

 

Posteriormente, a Justiça restabeleceu seus cargos, mas Jézika seguiu sem espaço na Prefeitura, conforme apurou o PontoPoder com fontes do Município. A reportagem buscou a vice-prefeita e o prefeito de Jardim por meio de interlocutores e de assessoria de imprensa para esclarecimento sobre o fim da relação entre antigos aliados, mas não obteve retorno.

Foi neste ano também que a situação em Ocara ficou explícita. Ainda em janeiro, a vice-prefeita Amanda Bezerra (Republicanos) publicou vídeos nas redes sociais relatando distanciamento do prefeito Dr. Leonildo (PSB).

“Dentro da gestão, nem sempre o respeito existiu. Muitas vezes fui silenciada, não tive voz e não me deram um espaço para exercer o papel que a população me confiou. Passei por situações humilhantes, constrangedoras e que nenhuma vice-prefeita – ou melhor, nenhuma mulher – deveria passar”, disse.

Segundo Amanda, ela começou a ser ignorada pelo companheiro de chapa. “Porque quantas vezes eu lhe liguei e você não atendeu? Quantas vezes eu lhe mandei mensagens e você não respondeu? Quantas vezes eu tentei marcar uma reunião e você não concedeu? Quantas vezes eu tentei contato e aproximação em prol de resolver as demandas do nosso povo, mas a verdade mesmo é que você nunca esteve disponível para tratar dos assuntos da população de Ocara”, complementou.

 

 

Poucos dias após a publicação de Amanda Bezerra, o prefeito também usou as redes sociais para mandar um recado direto ao novo desafeto político. Citando-a nominalmente, ele compartilhou uma mensagem contra uma “vaidade descabida” e criticando “quem tenta brilhar sozinha, atropelando a ética e a verdade”.

A mensagem, proferida por uma apoiadora do grupo enquanto o prefeito segurava o microfone, também cita “oportunismo” no município.

 

 

Tanto Amanda Bezerra quanto Dr. Leonildo foram procurados pela reportagem, diretamente ou por intermédio de terceiros – sem êxito, contudo.

Já em Forquilha, o prefeito Edinardo Filho (PSB) foi sucinto ao comentar o fim da relação política com a vice-prefeita Bruna Frota (Republicanos), indicando que a divergência se deu pela oposição entre os Rodrigues e os Ferreira Gomes de Sobral nas eleições proporcionais.

“Ela fez uma escolha por Moses (Rodrigues, deputado federal), nosso maior adversário, já que somos liderados pelo senador Cid Gomes. Toda atitude tem suas consequências”, comentou o gestor sobre os apoios nas eleições de outubro.

 

 

Edinardo e Bruna decidiram romper na metade de 2025, em meio à consolidação dos seus posicionamentos para 2026. Os contornos administrativos dessa cisão ficaram mais claros no início deste ano, quando ela se licenciou do cargo de prefeita interina da cidade, que ocupava devido à licença do titular.

A decisão, explicou Bruna, foi tomada em função de “compromissos particulares previamente agendados”, já que foi informada da licença de Edinardo pelas redes sociais.

 

 

Na mesma mensagem, publicada nas redes sociais, ela fez críticas à gestão, relatando condições precárias nos prédios públicos e “dificuldades para executar algumas atividades devido à ausência de certos secretários, sob a justificativa de recesso”.

Àquela altura, Edinardo já havia mencionado publicamente uma “punhalada nas costas”, referindo-se à Bruna, e ela já havia denunciado uma perseguição política por “misóginos que pensam estar acima da lei”.

Essa declaração da vice-prefeita, especificamente, dizia respeito a denúncias na Câmara Municipal de que ela teria utilizado recursos públicos para distribuir brindes para mulheres da cidade. Ela alegou que as acusações são infundadas.

As denúncias viraram um processo de cassação no Parlamento forquilhense, que foi anulado pela Justiça posteriormente por irregularidades na condução da investigação parlamentar.

PontoPoder tentou contato com a Bruna Frota para entender a sua versão sobre o rompimento político na cidade, mas não obteve retorno até a publicação deste material.

A reportagem também não conseguiu conversar com o prefeito Kleiton Pereira (PSD) e com o vice-prefeito Bruno Oliveira (PRD), de Icapuí. Apesar dessa dificuldade, a animosidade é pública e reforçada com certa frequência entre ambos.

Em fevereiro deste ano, Bruno anunciou o rompimento político pelas redes sociais, ao lado de sua mãe, a vereadora Hermínia Paz (PSD). A principal queixa, segundo ele, era a falta de espaço na gestão, que gerou uma situação de “descontrole, desorganização e falta de planejamento”.

 

 

A oposição se organizou na Câmara Municipal e fechou um grupo com cinco parlamentares. Vale destacar que o Parlamento de Icapuí conta com onze vereadores ao todo.

No mês passado, ao comentar um incêndio que atingiu veículos da Prefeitura, Kleiton Pereira afirmou que o ato foi criminoso e ocorreu como um “recado” para a sua gestão.

“É impossível não refletir sobre o ambiente que vem sendo criado nos últimos tempos, de ataques, mentiras e, principalmente, fake news. Eles criam um ambiente de intolerância que não faz bem para ninguém”, disse, sem citar nomes.

 

 

Mas a oposição na Câmara entendeu a declaração como uma tentativa de associá-la ao incêndio e emitiu uma nota de repúdio, indicando que o episódio, na verdade, era culpa do descaso da gestão.

Rompimentos antecipam eleições de 2028

Para além das implicações esperadas em 2026, os rompimentos nas prefeituras cearenses antecipam composições majoritárias para 2028. Em Forquilha, Moses Rodrigues, presidente estadual do União Brasil, deu indicativos de que buscará fortalecer a oposição local para as próximas eleições municipais.

“Isso é um projeto não somente para 2026. Nós estamos aqui para fazer o lançamento oficial da pré-candidatura a deputado federal desse grupo político junto a Moses Filho, que é pré-candidato a deputado estadual, mas sobretudo para dizer à população de Forquilha que estamos construindo um projeto forte na oposição do município com essas lideranças da composição atual e de outras que deverão vir em 2028”, disse, no fim de junho.

Assim como Moses e Cid Gomes, lideranças como Mauro Filho (União), Romeu Aldigueri (PSB), Júnior Mano (PSB) e outras estão garantindo sustentação aos seus apadrinhados nos municípios, visando sucesso nas eleições alternadas.

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Carlos Alberto

Oi, eu sou o Carlos Alberto, radialista de Campos Sales-CE e apaixonado por futebol. Tenho qualidades, tenho defeitos (como todo mundo), mas no fim das contas, só quero viver, trabalhar, amar e o resto a gente inventa!

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