A realização da Expocrato no Parque de Exposições Pedro Felício Cavalcante, no Crato, no Cariri cearense, que acontece desde o último dia 11 de julho, contou com a prisão de 19 pessoas com o auxílio de ferramenta de inteligência artificial (IA). O balanço parcial foi divulgado na noite de domingo (19).
Um projeto-piloto da Pax, empresa de IA voltada à segurança pública, viabilizou as prisões. Dentre os casos mais notórios, está o de um homem procurado pela polícia desde 2013 por roubo à mão armada.
Conforme informações da plataforma, a tecnologia também contribuiu para localizar pessoas com mandados relacionados a crimes como roubo, furto, organização criminosa, adulteração de sinal identificador de veículo e invasão de domicílio, além de ordens judiciais de natureza sigilosa.
Thiago Marques Vieira, promotor de Justiça do Ministério Público do Ceará (MPCE), destacou a importância da iniciativa. “O que essa ferramenta inaugura é um novo capítulo para a investigação: mandados de prisão que aguardavam cumprimento há anos saíram do papel em poucos dias. E o fez dentro da lei, com decisão humana em cada etapa e registros rastreáveis, o que se espera de uma tecnologia a serviço da Justiça”, salientou.
A atuação da Pax na Expocrato é a primeira atuação da empresa no Ceará, e o projeto-piloto deve continuar a ser utilizado em ações de segurança pública voltadas a ambientes de alta circulação de pessoas.
“Para nós, é um orgulho que a Expocrato tenha sido palco dessa experiência com tecnologia de ponta. Quem veio à festa talvez nem tenha percebido, e é exatamente essa a beleza: uma segurança que funciona de forma discreta e eficiente, para que as famílias se divirtam com ainda mais tranquilidade”, afirmou Suellem Fortaleza, assessora jurídica da Expocrato
Já para o fundador e CEO da Pax, David Peixoto, a operação na Expocrato evidencia o valor estratégico da IA como aliada das forças de segurança em ambientes de grande circulação. “Os resultados alcançados demonstram a capacidade da tecnologia de ampliar a atuação policial, sempre preservando a decisão humana”, afirmou.
“A inteligência artificial tem potencial para ser o maior avanço tecnológico para o trabalho policial desde a introdução do DNA nas investigações”, finalizou Fernando Czapski, co-fundador e COO da Pax.
Como funcionou a ferramenta?
O projeto desenvolvido na Expocrato foi direcionado a atender à demanda da polícia de identificação de pessoas procuradas e, portanto, funciona integrado a uma base com mandados de prisão em aberto disponibilizada pelo Estado.
A partir disso, a tecnologia analisa automaticamente as imagens captadas pelas câmeras do evento e busca possíveis correspondências com registros existentes na base.
Quando uma possível correspondência é detectada, a plataforma gera um alerta para análise dos policiais na operação. Após a revisão e a validação da detecção, as equipes em campo recebem as informações necessárias para realizar a abordagem.
Após a operação piloto no evento, os policiais iniciarão os treinamentos das demais funcionalidades de inteligência artificial da plataforma, que apoiam as forças de segurança pública em outros estados parceiros. A ferramenta está presente em mais de 50 cidades brasileiras.
Operando com tecnologia nacional, a ferramenta processa informações coletadas em conformidade com as leis brasileiras, incluindo a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). As operações oriundas da tecnologia podem ser auditadas e os registros ficam com o poder público e podem ser consultados posteriormente.













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