
A nova rodada do AtlasIntel/Focus Poder, com campo de 15 a 20 de setembro, registra Elmano com 48,5% e Ciro com 48,0%. Nos votos válidos, são 49,4% a 48,9%. É a menor diferença entre os dois na série apresentada pelo instituto.
O fato
A nova pesquisa AtlasIntel/Focus Poder muda a fotografia do primeiro turno em relação às rodadas anteriores: Elmano de Freitas aparece numericamente à frente de Ciro Gomes por 0,5 ponto percentual: 48,5% a 48,0%.
Considerando apenas os votos válidos, a diferença permanece praticamente idêntica: 49,4% para Elmano e 48,9% para Ciro.

Como a margem de erro do levantamento é de ±2 pontos percentuais, a diferença de meio ponto está claramente dentro da margem. Portanto, a formulação jornalisticamente mais precisa é: os dois estão tecnicamente empatados, com Elmano numericamente à frente nesta fotografia.
A pesquisa ouviu 1.815 eleitores, entre 15 e 20 de setembro, pelo método Atlas RDR, com 95% de confiança.
O que mudou na série Atlas/Focus
A comparação mais segura é feita dentro da própria série AtlasIntel/Focus, evitando misturar institutos diferentes.

Os números anteriores de março, junho, agosto e início de setembro constam da série histórica divulgada pelo próprio Focus Poder/AtlasIntel.
A sequência é importante
Em agosto, Ciro tinha 49,3% contra 44,6% de Elmano, uma diferença de 4,7 pontos.
Na rodada seguinte, realizada de 28 de agosto a 2 de setembro, Ciro caiu para 48,4%, enquanto Elmano subiu para 45,8%. A distância passou a 2,6 pontos.
Agora, na pesquisa com coleta de 15 a 20 de setembro, Ciro está em 48,0% e Elmano em 48,5%.
Em termos puramente descritivos, entre a rodada anterior e a atual:
- Ciro: 48,4% → 48,0% (-0,4 ponto);
- Elmano: 45,8% → 48,5% (+2,7 pontos);
- diferença: 2,6 pontos a favor de Ciro → 0,5 ponto a favor de Elmano.
Isso representa uma alteração de 3,1 pontos na distância entre os dois candidatos.
Mas há uma ressalva estatística fundamental: variações entre pesquisas com margem de erro de ±2 pontos não devem ser tratadas automaticamente como mudança efetiva do eleitorado. Elas podem refletir tanto movimentos reais quanto oscilação amostral.
O ponto mais relevante: a série agora registra uma inversão numérica

Até a rodada anterior, Ciro permanecia numericamente à frente em todas as fotografias da série.
Agora, pela primeira vez no recorte apresentado no levantamento, Elmano aparece numericamente acima de Ciro no primeiro turno.
Isso não significa que a pesquisa estabeleça uma liderança estatisticamente consolidada de Elmano. A diferença é de apenas 0,5 ponto, muito inferior à margem de erro de dois pontos.
A formulação adequada, portanto, é: A série Atlas/Focus mostra uma redução progressiva da vantagem de Ciro e, na rodada mais recente, registra Elmano numericamente à frente, dentro de um empate técnico.
Atenção: É diferente de afirmar que houve uma “virada” eleitoral. A pesquisa, isoladamente, não permite concluir isso.
O eleitorado continua bastante dividido

Os cruzamentos da pesquisa atual ajudam a mostrar que o empate agregado não significa distribuição uniforme do voto.
No primeiro turno, por exemplo, Elmano aparece à frente entre mulheres, eleitores de 16 a 24 anos, pessoas com ensino fundamental, menor faixa de renda, católicos e moradores de Juazeiro do Norte. Ciro aparece à frente em segmentos como homens, eleitores de 25 a 34 anos, ensino superior, determinadas faixas de renda, evangélicos, Fortaleza e eleitores que declararam voto em Bolsonaro em 2022.
Esses números devem ser tratados como recortes da mesma amostra, e não como pesquisas independentes. Quanto menor o segmento, maior deve ser a cautela na interpretação.
E o segundo turno?
Aqui está uma das mudanças mais expressivas da pesquisa.

Na rodada anterior, de 28 de agosto a 2 de setembro, Ciro aparecia com 50,0%, contra 46,1% de Elmano em um eventual segundo turno. A diferença era de 3,9 pontos.
Agora:
- Elmano: 49,7%
- Ciro: 49,4%
- Branco/nulo: 0,8%
- Não sabe: 0,1%
Nos votos válidos:
- Elmano: 50,2%
- Ciro: 49,8%
Ou seja, também no segundo turno a fotografia atual é de empate técnico, com diferença nominal de apenas 0,3 ponto no cenário total e 0,4 ponto nos votos válidos.

A evolução do segundo turno é ainda mais nítida. A série temporal do próprio levantamento mostra:

AtlasIntel: uma metodologia criada para a sociedade digital
Um dos principais diferenciais da AtlasIntel está no Atlas RDR (Random Digital Recruitment), sistema próprio de recrutamento aleatório pela internet. Em vez de deslocar entrevistadores até os domicílios, a pesquisa encontra participantes enquanto eles navegam na internet — no celular, computador ou tablet — por meio de convites distribuídos digitalmente. As respostas são dadas de forma anônima e posteriormente submetidas a processos de estratificação e calibração estatística.
Para o CEO da AtlasIntel, o cientista político com doutorado em Harvard, Andrei Roman, a metodologia acompanha a transformação do comportamento social. “A gente tem a mesma metodologia de coleta de dados (…) na Argentina, no Brasil, na Bahia e nos Estados Unidos”, afirmou. Segundo ele, o modelo é adaptado às características de cada local, mantendo uma metodologia central comum.
Roman também destaca uma característica importante da coleta digital: a ausência do entrevistador durante a resposta. “É muito mais rápido navegar por um questionário web” e, segundo ele, isso permite questionários mais amplos e reduz a possibilidade de interferência ou interpretação equivocada por parte de quem entrevista.
A AtlasIntel, que, no Ceará, trabalha com exclusividade para o Focus Poder desde 2022, construiu uma atuação internacional incomum entre os institutos brasileiros. A empresa já realizou pesquisas em 37 países, utilizando o mesmo princípio metodológico de recrutamento digital.
Nos Estados Unidos, o desempenho da AtlasIntel ganhou destaque na avaliação do respeitado Silver Bulletin, de Nate Silver. Na eleição de 2024, o instituto apresentou erro médio de 1,5 ponto percentual entre as empresas que realizaram pelo menos cinco pesquisas, e sua classificação passou de A para A+ no sistema de avaliação do Silver Bulletin.
No Brasil, a própria AtlasIntel registrou, no balanço das eleições municipais de 2024, seu menor erro médio em 13 disputas de capitais, considerando primeiro e segundo turnos. Entre os exemplos citados estão Curitiba, Goiânia, Manaus, Florianópolis, Natal, Teresina, Cuiabá, Vitória, Belo Horizonte, Aracaju e Belém.
É essa combinação de tecnologia, escala, recrutamento digital e modelos estatísticos de calibração que ajuda a explicar por que a AtlasIntel passou de uma empresa brasileira de pesquisas a um instituto com presença em diferentes mercados eleitorais e reconhecimento internacional.
fonte : Focus Poder











Adcionar comentário