
Considerada a quarta melhor data para o varejo no país, atrás somente do Natal, do Dia das Mães e da Black Friday, o Dia das Crianças eleva a pressão sobre o planejamento de empresas que atuam com produtos importados. A concentração das vendas em um curto espaço de tempo exige uma estratégia que reúne, desde a antecipação das compras até a distribuição, tudo isso para que não falte mercadoria e nem se tenha custos adicionais no final.
O especialista da JM Negócios Internacionais, Augusto Fernandes, observa que o movimento ocorre em um cenário de forte atividade no comércio exterior brasileiro. Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) apontam que as importações nacionais passaram de US$ 222 bilhões entre janeiro e setembro de 2026. O volume representa um crescimento de 5%, se comparado ao mesmo período de 2025.
“Em períodos de demanda concentrada, o planejamento precisa começar muito antes da data comemorativa. É necessário considerar produção, transporte internacional, desembaraço aduaneiro e distribuição no Brasil. Quando essas etapas são planejadas com antecedência, o importador consegue reduzir riscos, negociar melhor seus custos e aumentar as chances de ter o produto disponível no momento certo”, detalhou o especialista.
No caso dos brinquedos, foco da data voltada para as crianças, Fernandes ressalta ainda que o planejamento inclui as exigências regulatórias. O Inmetro determina que produtos abrangidos pela regulamentação estejam certificados e registrados para comercialização no país, tornando a etapa documental parte fundamental do cronograma de importação.
Para ele, o principal desafio é equilibrar disponibilidade e custo. “Uma operação eficiente não é simplesmente aquela que chega mais rápido, mas a que consegue chegar no momento certo, com custos e riscos controlados. Para o varejo, isso significa transformar a logística em uma vantagem competitiva, especialmente em datas como o Dia das Crianças”, analisa.
O cenário reforça a importância de integrar as áreas de compras, comércio exterior, logística, financeiro e comercial para que a empresa consiga aproveitar o pico de consumo sem comprometer margens ou terminar a temporada com excesso de estoque.
Augusto Fernandes reforça que embora o Dia das Crianças seja um exemplo de data com forte concentração de demanda, esse planejamento se aplica a outras datas sazonais, como Natal, Dia das Mães, Dia dos Namorados e Black Friday. “O que muda são os produtos, o perfil de consumo e o volume esperado. A lógica permanece: quanto mais antecipado for o planejamento da compra, da importação e da logística, maiores são as condições de reduzir riscos, controlar custos e garantir que os produtos estejam disponíveis no período de maior procura”, afirmou o especialista.
Em Fortaleza
Dados da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (Fecomércio-CE) apontam que somente o mercado de Fortaleza deve movimentar cerca de R$ 328 milhões nas compras relativas ao Dia das Crianças. A expectativa é que mais de 913 mil pessoas saiam às compras e os brinquedos são os produtos preferidos para 60,6% dos consumidores.











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