Esses números deveriam nos fazer refletir sobre a maneira como estamos cuidando do nosso corpo
Sentir dor nas costas depois de um dia cansativo pode parecer normal. O problema começa quando esse desconforto se repete, limita movimentos e passa a interferir em atividades simples, como trabalhar, dirigir ou brincar com os filhos. O que muitas pessoas ainda tratam como algo passageiro é, na verdade, um dos grandes desafios da saúde pública.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a dor lombar é a principal causa de incapacidade no mundo. Em 2020, cerca de 619 milhões de pessoas conviviam com o problema. A estimativa é que esse número chegue a 843 milhões até 2050. No Brasil, a Pesquisa Nacional de Saúde de 2019, do IBGE, revelou que 34,3 milhões de adultos, o equivalente a 21,6% da população nessa faixa etária, relataram problemas crônicos de coluna.
Esses números deveriam nos fazer refletir sobre a maneira como estamos cuidando do nosso corpo. Passamos boa parte do dia sentados, alternando entre computadores e celulares, enquanto a atividade física nem sempre encontra espaço na rotina. E o problema já não se restringe às pessoas mais velhas.
Existe também uma ideia equivocada de que cuidar da coluna significa manter uma postura perfeita durante todo o dia. Não é bem assim. Nosso corpo precisa de movimento. Alternar posições, caminhar, fortalecer a musculatura e evitar longos períodos de inatividade são atitudes mais importantes do que tentar permanecer imóvel em uma posição considerada ideal.
Outro erro comum é acreditar que toda dor nas costas exige repouso. Em muitos casos, interromper completamente as atividades pode dificultar a recuperação. Com avaliação adequada, o movimento gradual e orientado é parte fundamental do tratamento.
Ao longo da minha trajetória como fisioterapeuta, aprendi que tratar a coluna vai muito além de aliviar a dor. É devolver às pessoas a confiança para realizar atividades que, muitas vezes, deixaram de fazer por medo ou limitação física.
Precisamos deixar de enxergar a dor nas costas como uma consequência inevitável da idade ou da rotina. Ela merece atenção, prevenção e tratamento adequado. Afinal, cuidar da coluna não é apenas evitar desconfortos. É preservar nossa autonomia e qualidade de vida ao longo dos anos.











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