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Acordar cansado todos os dias não é normal; entenda quando a insônia vira doença

Dificuldade para dormir, despertares durante a madrugada e fadiga constante podem ser sinais de insônia. Especialistas explicam quando o problema deixa de ser passageiro e passa a exigir tratamento.

Por Fantástico

  • Acordar cansado diariamente não é normal e pode indicar insônia, uma doença que necessita de tratamento. A condição afeta a saúde de milhões de brasileiros.

  • Vitória, de 30 anos, e Patrick, de 35 anos, sofrem com a falta de sono. Os impactos da privação já prejudicam o humor e o trabalho deles.

  • O psiquiatra Alexandre Azevedo explica que o alerta surge com dificuldades frequentes. Telas artificiais e estímulos noturnos mantêm o cérebro alerta, atrapalhando o ciclo biológico.

  • O tratamento inicial prioriza mudanças de hábitos, como horários regulares e restrição de telas. Casos persistentes contam com a terapia cognitivo-comportamental para insônia.

  • Dormir mal prejudica a limpeza natural do cérebro, elevando o risco de problemas neurológicos. A insônia também está diretamente associada a doenças cardiovasculares.

Fantástico mostra as causas e os caminhos para derrotar a insônia

Fantástico mostra as causas e os caminhos para derrotar a insônia

Acordar cansado de vez em quando é algo comum. O problema é quando essa sensação passa a fazer parte da rotina. Para milhões de brasileiros, dormir deixou de ser sinônimo de descanso e se transformou em fonte de preocupação, cansaço e impactos na saúde. Segundo especialistas, a insônia não é apenas uma consequência do estresse ou de uma noite ruim. Em muitos casos, trata-se de uma doença que precisa ser tratada.

Foi o que aconteceu com Vitória, de 30 anos. Artista plástica, designer de joias e modelo, ela convive com dificuldades para dormir desde a infância. O sono leve e os despertares frequentes passaram a interferir diretamente na disposição e no humor.

“Eu me sinto fraca. Eu me sinto como se tivesse drenado minha energia”, relata. Quando acorda no meio da noite, voltar a dormir também é um desafio.”A minha cabeça fica a mil. Eu lembro de alguma coisa que tenho que fazer, uma coisa que deixei de fazer.”

 

A situação é semelhante à vivida por Patrick, de 35 anos, que trabalha com reabilitação física. Ele conta que passa madrugadas olhando para o relógio, preocupado em não perder a hora de acordar.

“Quando chega próximo no meu horário de levantar, aí que é pior, porque eu fico olhando a hora, de hora em hora, para não perder o meu tempo”, afirma.

 

Os efeitos da privação de sono já chegaram ao trabalho.

“Estava com tanto cansaço que meu olho fechou na hora”, lembra, ao relatar um episódio de exaustão durante o atendimento a um paciente.

 

Quando a falta de sono vira doença

 

De acordo com o psiquiatra Alexandre Azevedo, do Laboratório do Sono da USP, a insônia é caracterizada pela dificuldade de iniciar o sono, pelos despertares durante a madrugada ou pelo despertar precoce acompanhado de prejuízos durante o dia.

O sinal de alerta surge quando essa dificuldade passa a ser frequente.

“Se a pessoa tem uma dificuldade para iniciar o sono, se tem despertares no meio da noite com dificuldade para reiniciar esse sono, junto com fadiga, cansaço e outros sintomas durante o dia, isso ocorrendo três noites por semana, de uma maneira contínua durante três meses, é bem provável que essa pessoa tenha insônia”, explica o especialista.

 

Segundo ele, nesses casos é importante procurar ajuda médica para investigar as causas do problema e definir o tratamento mais adequado.

Por que estamos dormindo tão mal?

 

Especialistas apontam que hábitos cada vez mais comuns ajudam a explicar o aumento das queixas relacionadas ao sono.

O cérebro funciona com base em um relógio biológico que acompanha os ciclos naturais de claro e escuro. A exposição constante à iluminação artificial e às telas de celulares, tablets e computadores, porém, pode atrapalhar esse mecanismo.

As luzes e os estímulos mantêm o cérebro em estado de alerta justamente no momento em que ele deveria desacelerar para iniciar o sono.

No caso de Patrick, outro fator importante era a ansiedade gerada pela expectativa de passar mais uma noite em claro.

Após avaliá-lo, Alexandre Azevedo observou que ele já chegava à hora de dormir pensando no quanto dormiria mal.

“Você fica na expectativa todas as noites do quão ruim será o teu sono”, disse ao paciente.

 

Remédio não é a primeira opção

 

Apesar de muitas pessoas recorrerem a medicamentos para dormir, os especialistas afirmam que o tratamento da insônia costuma começar por mudanças de comportamento.

“A medicação não vem antes das medidas comportamentais”, afirma Alexandre Azevedo.”Ela só aparecerá se algumas dessas técnicas falharem.”

 

Entre as recomendações estão manter horários regulares para acordar, aumentar a exposição à luz natural durante o dia, evitar telas à noite, reduzir o consumo de cafeína no fim da tarde e usar a cama apenas para dormir.

Para pacientes com quadros persistentes, uma das abordagens mais indicadas é a terapia cognitivo-comportamental para insônia.

Segundo a psicóloga Kidsay Souza, o tratamento busca modificar comportamentos e pensamentos que atrapalham o sono.

“A terapia do sono vai trabalhar a relação do paciente com a cama, os pensamentos que ficam na hora de dormir, os aspectos emocionais e aquela ansiedade que o paciente fica de ter que dormir”, explica.

 

Muito além do cansaço

 

Dormir mal não afeta apenas o humor ou a produtividade. Estudos mostram que o sono profundo é fundamental para que o cérebro realize uma espécie de limpeza natural, eliminando substâncias acumuladas ao longo do dia. Quando esse processo é interrompido repetidamente, aumenta o risco de problemas neurológicos.

Além disso, a insônia também está associada a doenças cardiovasculares.

“A insônia está associada com problemas cardiovasculares também, aumento do risco de ter um AVC, um derrame, ou de ter um problema cardíaco”, afirma o neurologista Diego Carvalho.

 

Para quem acorda cansado todos os dias, a mensagem dos especialistas é clara: essa condição não deve ser encarada como normal. Quando a dificuldade para dormir se torna frequente e começa a comprometer a qualidade de vida, é hora de procurar ajuda.

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Carlos Alberto

Oi, eu sou o Carlos Alberto, radialista de Campos Sales-CE e apaixonado por futebol. Tenho qualidades, tenho defeitos (como todo mundo), mas no fim das contas, só quero viver, trabalhar, amar e o resto a gente inventa!

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