Em evento da AJE em Fortaleza, os irmãos Alan e Alex Oliveira contaram como a rede cearense chegou a 61 lojas e deve passar de R$ 1 bilhão de faturamento em 2026 atuando só no Ceará.

A Zenir, uma das maiores redes do varejo cearense, já foi procurada pelos três maiores varejistas do País para ser adquirida e recusou a proposta. A história foi contada pelos irmãos gêmeos Alex e Alan Oliveira, diretores do grupo, em painel da Associação dos Jovens Empresários (AJE) nesta quinta-feira (22), em Fortaleza.
“Nós fomos procurados, na época, pela Ricardo Eletro, que não era nem Máquina de Vendas ainda, Magazine Luiza e Casas Bahia, os três maiores players do Brasil na época, para comprar a nossa empresa”, relembrou.
Segundo Alex, o pai, José Alves de Oliveira, conhecido como seu Zenir, fundador da rede, não quis saber de negociar. “Essa empresa é de família. (…) É uma empresa sólida, capitalizada, que dá lucro. Por que é que a gente vai vender?”, disse. As tratativas se deram na década passada.
O executivo também afirmou que a empresa não pensa em IPO. “Como nosso objetivo de longo prazo é o Ceará, não faz sentido a gente pegar um monte de dinheiro e entregar patrimônio, entregar garantia para bancos”, declarou.
Alex relatou ainda que a Zenir nunca teve um ano de prejuízo em 34 anos de história. “A gente gosta de ganhar dinheiro”, diz.
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De colchões consignados a 61 lojas
A rede nasceu em 1992, em Iguatu, quando seu Zenir começou a vender colchões que comprava em consignado de um fornecedor.
A primeira loja fora de Iguatu foi aberta em 1995, em Campos Sales. Depois vieram Crato (1997), Sobral, Juazeiro do Norte e, em 2003, Fortaleza.
Entre 2010 e 2014, a Zenir comprou uma rede de 12 lojas. Ficou com as dez do Ceará e repassou as duas da Paraíba a outro lojista. Com a compra, chegou a nove novas cidades.
Hoje a rede tem 61 lojas, todas no Ceará. Cerca de 70% dos prédios são próprios.
Meta de 100 lojas

A meta é chegar a 100 lojas físicas no Ceará até 2032. Segundo Alan Oliveira, a empresa já mapeou 40 municípios com cerca de 30 mil habitantes ou mais para expansão. Na maioria deles, já comprou o prédio ou o terreno.
“Nós temos um espaço a crescer ainda muito grande aqui dentro do estado do Ceará”, afirmou Alan.
Somando o varejo e a fábrica de colchões, o faturamento deve passar de R$ 1 bilhão em 2026. Para o último trimestre, a expectativa é de crescimento de dois dígitos.
Logística e crédito
A Zenir tem cerca de 180 veículos e quatro Centros de Distribuição (em Iguatu, Fortaleza, Cariri e Sobral). Só em Iguatu, a estrutura emprega cerca de 400 pessoas. Aliás, a rede tem hoje mais de 2,5 mil funcionários e cerca de 25% deles estão na empresa há mais de cinco anos.
O carnê próprio continua sendo uma das bases do negócio no interior. Desde dezembro, a análise de crédito usa uma ferramenta de inteligência artificial. Na primeira compra de um cliente, a aprovação levava de 10 a 15 minutos. Hoje, leva no máximo 10 segundos, conta Alex.
O e-commerce começou em 2022 e o aplicativo em 2023. As vendas online ficam restritas ao Ceará, representam cerca de 3% do total e têm o mesmo preço das lojas físicas.
Investimento em publicidade e energia
No ano passado, a rede investiu R$ 22 milhões em publicidade e marketing, quase 3% do faturamento.
“Quando vem uma dificuldade, a primeira coisa que o empresário corta é o marketing. E para a Zenir, a gente acha isso uma estratégia errada”, diz Alex.
Outra frente estratégica é a da energia. O parque solar da empresa, inaugurado em 2022, gera 80% da energia que ela consome. A Zenir planeja ampliar a geração com placas no telhado das lojas.








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