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Circuit breaker: entenda os riscos para a economia do Ceará e do Nordeste

Após retorno das negociações, Ibovespa caía cerca de 14%.

Após retorno das negociações, Ibovespa caía cerca de 14%.

26 de Outubro de 2026 – 18:42(Atualizado às 18:44)
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Legenda: Preços de ações tiveram alta súbita, o que levou a Bolsa de Valores a acionar circuit breaker.
Foto: Agência Brasil.

A Bolsa de Valores brasileira acionou o mecanismo de circuit breaker nesta segunda-feira(26). O procedimento foi realizado após forte queda do mercado, no dia seguinte à vitória de Lula no 2º turno das eleições presidenciais do Brasil. Se esse cenário de instabilidade persistir, o Nordeste e o Ceará podem ser impactados.

Segundo o presidente do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças (Ibef), Olcino Martins, o principal risco é a combinação de custos maiores, crédito mais caro e investimentos adiados.

Contudo, neste primeiro momento, são impactadas diretamente pessoas que investem em ações. 

 

“Existe um impacto imediato no valor do patrimônio, inclusive para pequenos investidores que estão construindo sua poupança. A queda também pode afetar operações que tenham ações como garantia: dependendo do contrato, pode haver exigência de garantias adicionais ou necessidade de antecipar o pagamento de parte da dívida”, aponta.

 

Em relação ao crédito, o investidor pode passar a exigir um retorno maior para emprestar dinheiro por prazos mais longos, explica. “Se isso chegar às condições de financiamento, empresas e famílias enfrentarão crédito mais caro, com efeitos sobre o consumo e a atividade econômica”, completa.

O especialista pondera que a queda na bolsa não retira automaticamente dinheiro do caixa das empresas, mas um cenário de financiamento mais caro e maior incerteza pode levar ao adiamento de projetos, à redução das contratações e, em situações mais difíceis, a demissões para cortar custos.

 

 

Já a oscilação do câmbio pode afetar empresas do Pecém e da Zonas de Processamento de Exportação (ZPE).  

“Quem recebe em dólar e tem custos em reais pode ganhar competitividade. Mas insumos importados e dívidas em dólar podem consumir parte desse benefício. Os incentivos da ZPE não eliminam essa exposição”, aponta. ​

​Martins acrescenta que, para as empresas nordestinas listadas na bolsa, uma queda das ações também pode dificultar a captação de recursos para financiar a expansão.

 

​“É importante distinguir a perda de valor na bolsa da situação operacional de cada empresa, mas uma turbulência prolongada pode comprometer planos de crescimento na região. Quando a queda da bolsa vem acompanhada de alta dos juros futuros, a preocupação aumenta”, observa.

 

​Entenda o circuit breaker

​A paralisação temporária da negociação de ativos na B3 ocorreu após a queda do mercado no dia seguinte ao resultado eleitoral. Por volta de 14h30, o Ibovespa caía cerca de 14%, aos 176 mil pontos, enquanto o dólar operava em alta, chegando a R$ 5,60 na máxima do dia.

​O mecanismo funciona como um “disjuntor” da Bolsa quando o Ibovespa cai 10% em relação ao fechamento anterior, explica a vice-presidente do Conselho Regional de Economia do Ceará (Corecon-CE), Isadora Osterno.

“Se a queda chegar a 15% depois da retomada, a Bolsa para por uma hora; aos 20%, a suspensão é por tempo indeterminado. O objetivo é dar tempo para a informação circular e evitar vendas por pânico”, esclarece.

​A especialista ressalta que o mecanismo não corrige nenhum preço, apenas pausa as negociações. Se a causa do circuit breaker for uma reavaliação de riscos, o preço costuma se ajustar na abertura do mercado.

“Não significa crise por si só. Crise exige dano persistente, como perda de financiamento ou contágio ao crédito. Hoje o que se vê é, em boa parte, a devolução de uma ‘aposta’: o mercado havia subido na expectativa de outro resultado eleitoral”, afirma.

Circuit breaker será acionado novamente?

​A suspensão de negociação dos papéis também costuma ter efeito de acalmar o mercado de ações e trazer mais racionalidade sobre o fato atual, segundo a estrategista em investimentos Milena Teles.

 

Na prática, o cenário será de volatilidade nos próximos dias, sobretudo nesta semana. Impactos concretos nas ações só devem ser medidos nos próximos dias.

 

​Novas paradas podem ocorrer. Movimentos fortes na bolsa após eventos políticos ou fatos muito relevantes costumam refletir mais “emoção” do que fundamentos, segundo o diretor do IBEF-CE e assessor de investimentos Yuri Veras.

“Tivemos vários acionamentos, principalmente pelas incertezas sobre o que estava por vir. Mas tem um ponto importante aqui: o circuit breaker é muito mais um sintoma do que o problema em si. O problema hoje é diferente dos anteriores. A evolução deve ser diferente também”, avalia.

​Não é possível descartar novas paradas ao longo dos dias, caso os sinais fiscais decepcionem o mercado ou a oposição volte a questionar o resultado da eleição, detalha o presidente da Academia Cearense de Economia (ACE), Célio Fernando Bezerra Melo.

“A bolsa parou com queda de 10% e voltou caindo quase 17%, porque o ajuste não tinha terminado. Em 2020, foram seis paradas em oito pregões, e o fundo só veio duas semanas depois da primeira. O circuit breaker é um termômetro de estresse extremo”, afirma.

​A queda do pregão superou o pior fechamento de março de 2020, segundo Célio Fernando. O tombo está associado à distância entre o que se esperava e o que aconteceu. Em 2022, o resultado foi mais alinhado às pesquisas, o que levou à alta de 1,31% no índice no dia seguinte. Depois do primeiro turno deste ano, subiu 7,7% em um dia. Já nesta segunda, “devolveu todo o rali pós-1º turno e foi além”.

​O que acontece após o circuit breaker?

​Com o circuit breaker, a cotação do dólar costuma subir devido à saída de capital e busca por proteção, segundo Teles. O dólar chegou a subir mais de 10% em alguns momentos. Além disso, os juros longos dispararam.

 

“O que a gente viu no começo desta segunda-feira foram os juros futuros voltarem a patamares de 15% ao ano. Se isso é real, a gente não sabe, porque estamos no primeiro dia pós-resultado eleitoral. E os mercados funcionam irracionalmente quando não têm perspectiva e previsibilidade”, afirma.

 

​Com possibilidade de aumento de gastos públicos, o mercado tende a projetar pausa no arrefecimento da inflação, o que levaria à alta da taxa de juros.

O Tesouro cancelou os leilões de prefixados e de títulos de inflação da semana, anunciou recompra extraordinária de prefixados, e o Tesouro Direto suspendeu a maior parte das negociações.

​Outro comportamento registrado no mercado é a queda nas ações de empresas estatais e bancos públicos, acrescenta Célio Fernando. O Banco do Brasil chegou a cair mais de 30%, quase o dobro do Itaú, que é um banco privado.

A Petrobras registrou queda de 10%, enquanto a Vale, exportadora privada com o mesmo padrão cambial, subiu mais de 8%. A recuperação do mercado depende do possível desdobramento da incerteza, ressalta o especialista. Nos episódios de 2008 e 2020, o choque seguiu crescendo.

​”Há um fator: o fim da incerteza eleitoral, e dois contra: a definição da política fiscal e da equipe econômica, e a contestação do resultado pela oposição. São esses sinais que vão dizer se os próximos dias serão de alívio ou de nova rodada de ajuste”, diz.

​Para Gabriela Osterno, é provável que o episódio desta segunda se assemelhe ao de 2017, em que um choque político doméstico levou à queda brusca das ações. “O acionamento foi isolado e o mercado se recuperou nos meses seguintes. São poucos casos e com causas diferentes, então não há regra”, afirma.

​Quantas vezes e quando o circuit breaker já foi acionado?

​O circuit breaker foi criado em 1997 e foi acionado 23 vezes anteriormente, segundo a B3. Em março de 2020, devido à pandemia de Covid-19, o mecanismo foi acionado seis vezes. Veja o histórico:

​1997 – Crise asiática: o Ibovespa registrou queda de 10,19%;
​1999 – Desvalorização do real: o Ibovespa caiu 10,29% no dia;
​2008 – Crise do subprime nos Estados Unidos: houve seis interrupções em menos de um mês;
​2020 – Pandemia de Covid-19: o circuit breaker foi acionado seis vezes em março.

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Carlos Alberto

Oi, eu sou o Carlos Alberto, radialista de Campos Sales-CE e apaixonado por futebol. Tenho qualidades, tenho defeitos (como todo mundo), mas no fim das contas, só quero viver, trabalhar, amar e o resto a gente inventa!

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