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ExpoCariri: agro a céu aberto e meta de 100 mil hectares irrigados

No solo da região Sul do Ceará, tudo dá, do sorgo ao girassol, do algodão ao trigo.

No solo da região Sul do Ceará, tudo dá, do sorgo ao girassol, do algodão ao trigo.

Escrito por

Egídio Serpaegidio.serpa@svm.com.br

30 de Outubro de 2026 – 08:30

Egídio Serpa

Legenda: A céu aberto e com vitrines vivas, a ExpoCariri 2026 é a exposição do presente e do futuro da agropecuária da região Sul do Ceará

Foto: Faec /Divulgação

Um oferecimento de:

Ocupando uma parte dos 30 hectares da Estação Experimental da Embrapa Algodão em Barbalha, foi aberta ontem, quinta-feira, 29, e prosseguirá até amanhã, sábado, 31, a III ExpoCariri, maior feira e exposição a céu aberto da região Sul do Estado, a qual tem 284 estandes de empresas brasileiras e estrangeiras, o dobro da edição de 2025; uma vitrine viva que mostra sementes de sorgo, trigo, milho, milheto, capim e girassol; uma expectativa de R$ 50 milhões em negócio;s e uma previsão de 100 mil visitantes nesses três dias.

Ausente o governador Elmano de Freitas, em viagem fora do país, o senador reeleito Cid Gomes assumiu o protagonismo e, ao lado do presidente da Faec, Amílcar Silveira, promotor do evento, arrancou aplausos do auditório ao se declarar, “oficialmente, de acordo com a Lei”, um produtor rural que, em 100 hectares no município de Marco, na região Norte do Ceará, produz e já comercializa eucalipto, enquanto em um sítio herdado do pai, na Serra da Meruoca, vê ampliar-se um pequeno plantel de 40 ovelhas da premiadíssima raça Santa Inês, criada e desenvolvida nos sertões cearenses.

“Mas estou começando a juntar vacas de alto padrão para a realização de um sonho: produzir queijo camembert”, disse ele em alto e bom som, ganhando novos aplausos.

No palco do imenso e climatizado auditório da ExpoCariri, além dos dois acima citados, subiram também o secretário Executivo da Secretaria do Desenvolvimento Econômico (SDE), Sílvio Carlos Ribeiro, que representou o governador; Reginaldo Lobo, diretor do Sebrae-Ceará, organismo parceiro permanente da Faec; os deputados Henrique Mota, Salmito Filho e Fernando Santana; o presidente da Agência de Defesa Agropecuária (Adagri), Elmo Aguiar; e o prefeito de Barbalha, Guilherme Sampaio, que, ao discursar, não poupou elogios ao presidente da Faec, “que nos deu de presente este grande evento que é motivo de orgulho do povo barbalhense”.

Amílcar Silveira foi o primeiro a falar, agradecendo a presença dos quase 20 presidentes de sindicatos rurais e anunciando, com força vocal, um número que impressiona: ele disse que o agro cearense, no período de 2015 a 2026, cresceu 57%, e hoje “é quem puxa a economia do Ceará e seu Produto Interno Bruto”, o PIB.

Em seguida, Silveira destacou o esforço que a Faec, em parceria com o Sebrae e o governo do estado, desenvolve para agregar valor à produção da agricultura e da pecuária. Neste sentido, há dois planos, ambos voltados para a irrigação. O primeiro tem o objetivo de transferir para a iniciativa privada, via Faec, a gestão de perímetros irrigados hoje administrados pelo Dnocs, entre os quais o de Tabuleiros de Russas, onde será possível triplicar o valor da produção por meio da introdução de culturas de maior valor agregado para a exportação.

“Isto permitirá a criação de mais emprego naquele perímetro e, ainda, a geração de muito maior renda ao produtor. Estamos em tratativas com o governador Elmano de Freitas e creio que teremos um final feliz. Não será fácil, porque o Dnocs insiste em manter o ‘status quo’, ou seja, permitindo a produção de culturas que não agregam valor, limitando a renda do produtor”, disse o presidente da Faec.

O segundo projeto, que já recebeu o apoio do governador do estado e das lideranças políticas do Cariri, diz respeito à implantação de perímetros de irrigação em Barbalha, Missão Velha e Mauriti, em área total de 100 mil hectares, utilizando água do Canal Norte do Projeto São Francisco, sem qualquer prejuízo para o Açude Castanhão, que receberá água do Velho Chico por meio do Ramal do Salgado, que já tem 60% construídos.

Depois de Amílcar Silveira, falou o secretário Sílvio Carlos Ribeiro, que, dono de uma memória de computador, lembrou os principais programas que a SDE desenvolve, citando entre eles o de atração de investimentos para o cultivo protegido na Ibiapaba e no Cariri; o de implantação do frigorífico do Grupo Masterboi em Iguatu; e o de instalação de um frigorífico para o abate halal de ovinos e caprinos com vistas ao mercado do Oriente Médio (halal é o método de sacrifício de animais permitido pela Lei Islâmica; o animal deve estar sadio e em condições físicas perfeitas e aprovado pelas autoridades sanitárias, como esclarece o Google).

Coincidentemente, na plateia estavam diretores do Grupo Vicunha, da família Steinbruch, donos, também, de indústrias têxteis instaladas e em operação no Ceará. Esse grande grupo empresarial tem um projeto que prevê a construção de um frigorífico para o abate de ovinos e caprinos no Nordeste, com muita chance de ser no Ceará, cujo rebanho terá de ser multiplicado em curto prazo, algo que a Embrapa Ovinos e Caprinos, cuja sede está em Sobral, considera muito viável.

A propósito: na semana passada, o Rio Grande do Norte embarcou pelo porto de Natal o primeiro contêiner com ovinos vivos destinado aos Emirados Árabes.

Encerrando os discursos, falou o senador Cid Gomes, que, além das informações acima referidas, aproveitou para agradecer ao eleitorado da região do Cariri (são 28 municípios) pela grande votação que recebeu. E prometeu que continuará trabalhando para garantir os recursos do governo federal aos projetos de interesse dos caririenses.

Após o ato oficial de abertura da ExpoCariri, o senador Cid Gomes e as demais autoridades, comboiados pelo presidente da Faec, passaram a visitar a feira e exposição. Sob um sol muito quente e suportando um calor de, no mínimo, 40 graus, eles percorreram alguns dos 284 estandes, incluindo os das vitrines vivas, que são as áreas onde empresas de pesquisa, associadas à Embrapa Algodão, fazem experiência com várias culturas.

Cid Gomes impressionou-se com as de milho, trigo, sorgo e girassol, ouvindo de um técnico da Embrapa a informação de que todas essas culturas se desenvolvem, “sem problemas”, no solo cearense, principalmente no da região do Cariri.

O empresário agroindustrial Raimundo Delfino, que acompanhou a visita, concordou e revelou que na sua fazenda Nova Agro, na Chapada do Apodi, o sorgo, o algodão e a soja têm produtividade semelhante às das regiões Sul, Sudeste e Centro Oeste do país.

Um dos estandes visitados foi o do Sítio Barreiras, do empresário Fábio Régis, maior produtor de bananas do Ceará. Cid Gomes ficou sabendo que o Sítio Barreiras está celebrando 30 anos de atividades e que produz, além de banana nanica e prata, algumas variedades de tomate sob estufa. Régis disse à coluna que essa produção, m cultivo protegido, será ampliada no curto prazo.

Fábio Regis também revelou que, além da atividade econômica, sua empresa desenvolve um projeto social que hoje é referência nacional. O Sítio Barreiras criou e mantém uma escola de ensino fundamental que cuida de, além da transmissão do conhecimento pedagógico curricular, da formação do caráter do seu alunado, integrado por crianças que aprendem a ler e escrever e, também, a se comportar como cidadãos.

Esse modelo de escola a Faec está disseminando no interior, por meio de convênios com prefeituras. Hoje já são mais de 40, porém a meta é chegar a 100 escolas.

Sérgio Oliveira, superintendente do capítulo cearense do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar-CE), disse que, na região do Cariri, os produtores rurais estão sendo permanentemente qualificados por meio de cursos técnicos para a pecuária e para os diferentes ramos da agricultura.

“Esta é uma das razões pelas quais a pecuária caririense alcançou hoje um alto padrão de qualidade, principalmente na pecuária de corte com a introdução de novas raças”, disse ele.

Nertan Nicodemos, coordenador-geral da ExpoCariri, explicou à coluna que nenhuma das 284 empresas presentes à feira pagou pela ocupação dos seus estandes.

“Tudo aqui é gratuito para usufruto dos visitantes. O objetivo da Faec ao idealizar e realizar a ExpoCariri é incentivar o produtor rural a fazer mais e melhor pelo agro do Ceará. A Faec bancou todas as despesas desta terceira edição e também duas outras anteriores”, disse Nertan.

A ExpoCariri prosseguirá hoje, sexta-feira, e amanhã, com uma programação que, durante o dia, tem palestras técnicas e visitas aos estandes e, à noite, shows musicais com artistas caririenses e outros de fama nacional, priorizando, obviamente, a música regional nordestina.

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Carlos Alberto

Oi, eu sou o Carlos Alberto, radialista de Campos Sales-CE e apaixonado por futebol. Tenho qualidades, tenho defeitos (como todo mundo), mas no fim das contas, só quero viver, trabalhar, amar e o resto a gente inventa!

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