A receita está bem-comportado eproduz superávits, um atrás do outro. Persiste o déficit que aumenta a dívida pública, hoje na marca de R$ 11,1 trilhões.
Escrito por
Egídio Serpaegidio.serpa@svm.com.br
03 de Novembro de 2026 – 06:00
Legenda: A dívida pública, hoje na marca de R$ 11,1 trilhões, exige despesa anual de R$ 1,2 trilhão para o pagamento dos seus juros.
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Para o bem da economia do país, esta semana tem de ser melhor, bem melhor do que a que passou. De segunda-feira, 26, a sexta-feira, 30 de novembro, as empresas brasileiras com ações na Bolsa de Valores B3 perderam algo como R$ 18 bilhões em valor de mercado. E o dólar valorizou-se 10%.
Foi a reação do mercado financeiro ao resultado da eleição presidencial. Empresários cearenses do agro e da indústria, alguns dos quais são acionistas de companhias com ações na B3, preocupam-se com o que acontecerá de hoje, primeiro dia útil do penúltimo mês do ano, em diante.
Todos estão de olhos e ouvidos atentos ao que anunciará o reeleito presidente Lula quanto a quem comandará a política econômica do seu quarto governo e ao que mudará, ou não, na política fiscal.
Na próxima quarta-feira, amanhã, 4, o Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, decidirá se aumentará, se reduzirá ou se deixará como está a taxa básica de juros Selic, que é hoje de 13,75%.
Antes do segundo turno da eleição presidencial, 76% dos operadores e analistas do mercado apostavam em uma redução da Selic em 0,25%; nos últimos dias, mudaram o percentual e a aposta: agora, os mesmos atores preveem que o Copom manterá a atual taxa de juros em 13,75%. Há um argumento muito forte a sustentar essa aposta: os juros futuros já passaram dos 14% como consequência da instabilidade que tomou conta do mercado.
Por enquanto, não se sabe ainda quem, a partir de 1º de janeiro de 2027, será o ministro da Fazenda. Há especulações a favor do reeleito governador do Piauí, Rafael Fonteles, que já deu pistas do que pretende fazer: ousar para melhorar a vida do povo, mas com responsabilidade fiscal, o que quer dizer gastar menos do que arrecada. Setores mais à esquerda do PT temem que Fonteles esteja a propor um “tesouraço bolsonarista”, algo que, para os petistas, são dois palavrões.
No curto prazo, a perspectiva é ruim: quando dezembro chegar, trará com ele o fim do subsídio ao óleo diesel e à gasolina, cujos preços se mantêm estáveis. Esse subsídio é sustentado com dinheiro do Tesouro, e não da Petrobras. O preço desses combustíveis cobrados aqui estão hoje quase 100% menores do que os do mercado internacional.
Já se dá como certo que, no dia 1º de dezembro, a Petrobras aumentará o preço do diesel que move os caminhões que transportam, do campo à cidade, os produtos que alimentam a população. Esse novo e alto custo será repassado ao frete rodoviário pelos caminhoneiros; os supermercados, por sua vez, transferirão para o consumidor esse mesmo custo. Resultado: inflação na veia do brasileiro já castigado pelo endividamento. Para piorar o quadro, o dólar está nas alturas, agravando a importação do trigo do qual se fazem o pão nosso de cada dia e, também, o macarrão, o biscoito e a bolacha.
Estará criado um círculo vicioso para o qual só haverá um exclusivo remédio: o ajuste das contas públicas, com corte de gastos. O lado da receita está bem-comportado e tem produzido superávits, um atrás do outro. Infelizmente, persiste o déficit que aumenta a dívida pública, hoje na marca de R$ 11,1 trilhões, exigindo uma despesa anual de R$ 1,2 trilhão para o pagamento dos juros dessa dívida. O agiota, que está no mercado financeiro e ao qual recorre o governo para financiar seu déficit, está a exigir juros maiores – é assim que se passa na relação credor-devedor aqui, na China e nos EUA.
Excitados e ansiosos diante da demora do Palácio do Planalto em anunciar o que fará na economia daqui para a frente, os agentes econômicos mantêm a cautela e adiam investimentos, porque, além dessa incerteza, há duas outras que, igualmente, preocupam: a insegurança jurídica e a Reforma Tributária, que passará a valer a partir do próximo mês de janeiro.
Os empresários assustam-se com a possibilidade provável de o novo modelo tributário, em vez de reduzir a carga de impostos, como foi prometido durante a fase de debates no Congresso Nacional, trará alíquotas mais altas, reduzindo as margens de lucro e desestimulando o setor produtivo. Tudo isto e muito mais – como a nova jornada 5×2 – estão deixando nervosos os que trabalham e produzem nos quatro cantos do país.
Cautela e canja de galinha fazem mal a ninguém. Assim, esperar mais uma semana ou um mês não causará mais prejuízo a quem já está prejudicado pelos juros elevados (os bancos já subiram os juros para o financiamento da casa própria), pelo crédito escasso e pelas incertezas.
Como foi dito e repetido, o Brasil não é para amadores.










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