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Ceará tem pelo menos 6 Câmaras com vereadores alvos de investigação por envolvimento com facções

Em alguns casos, o investigado é suplente de vereador em exercício do mandato ou que teve os votos anulados, exigindo recontagem para o legislativo municipal.

Em alguns casos, o investigado é suplente de vereador em exercício do mandato ou que teve os votos anulados, exigindo recontagem para o legislativo municipal.

12 de Agosto de 2026 – 06:00
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Legenda: Investigações com suspeita de envolvimento com organizações criminosas envolveram vereadores e suplentes no Ceará.
Foto: Divulgação/ SSPDS.

suspeita de envolvimento com uma facção criminosa resultou na prisão de três vereadores de Sobral, nessa terça-feira (11), durante a Operação Omertá. Além de presos, eles também foram afastados do mandato na Câmara Municipal de Sobral. São eles: Carlos do Calisto (PSB), Mário Vicktor (União Brasil) e Junim do Povo (Podemos).

Um quarto parlamentar, Marlon Sobreira (PP), foi alvo de mandado de busca e apreensão, embora não tenha sido detido. Por enquanto, o Ministério Público do Ceará (MPCE) ainda não divulgou qual a participação dos vereadores na dinâmica criminosa.

A investigação, e prisão, dos vereadores significa que, dos eleitos para o legislativo municipal em Sobral, quase 20% estão sob suspeita de envolvimento com facções criminosas. A investigação aponta a possibilidade de interferências no processo eleitoral de 2024 e de 2026.

O problema não é exclusividade de Sobral. No Ceará, pelo menos seis câmaras municipais foram afetadas quando investigações sobre facções criminosas apontaram o envolvimento de parlamentares. Prisões, cassações, afastamentos e até recontagem de votos estão entre as consequências que atingiram as casas legislativas municipais.

O caso mais sério é em Morada Nova, onde seis vereadores foram presos por suspeita de terem tido a campanha eleitoral financiada, de forma ilícita, pela facção Guardiões do Estado (GDE). Eles também foram afastados do cargo.

 

 

Vereadores de Canindé e Tejuçuoca também foram alvo de mandados de prisões em investigações semelhantes. Em alguns casos, no entanto, não foi divulgada a organização criminosa que teria ligação com o parlamentar.

Outros casos envolvem decisões da Justiça Eleitoral. Também em Canindé, uma vereadora teve o mandato cassado por suspeita de ligação com integrante de facção. Em Iguatu, houve a recontagem de votos depois que um suplente de vereador teve os votos anulados por suposto envolvimento com facção criminosa.

Já em Fortaleza, um suplente de vereador, que exercia mandato no momento da decisão, chegou a ser cassado pela Justiça Eleitoral, mas teve o afastamento revertido pelo Tribunal Regional Eleitoral do Ceará (TRE-CE).

Entenda as investigações:

Sobral

Foram cumpridos, nesta terça, 14 mandados de prisão preventiva, 25 de busca e apreensão e 5 medidas de afastamento cautelar de cargos públicos durante a Operação Omertá, que apura a interferência de facção criminosa no processo eleitoral de Sobral, tanto em 2024 como agora, em 2026.

Nessa operação, três vereadores de Sobral tiveram decretadas suas prisões preventivas e o afastamento do exercício dos mandatos pelo prazo inicial de 180 dias.

O colunista Inácio Aguiar confirmou que os três parlamentares presos foram Carlos do Calisto, Mário Vicktor e Junim do Povo. Além deles, o vereador Marlon Sobreira foi alvo de mandado de busca e apreensão. Até o momento, o PontoPoder não localizou a defesa dos vereadores. O espaço está aberto para pronunciamentos.

 

 

O processo é sigiloso e não foi divulgado qual a participação dos vereadores na dinâmica criminosa. Segundo as investigações, a organização cobrava “pedágios” de até R$ 60 mil, em Sobral, para candidatos acessarem determinados territórios do município em campanha de rua durante a campanha eleitoral de 2024.

O valor variava conforme o capital político dos candidatos interessados. Para os detentores de mandatos, o montante a ser pago, à época, era de
R$ 60 mil. Já para os postulantes estreantes em disputa eleitoral, a cobrança ficava pela metade, em torno de R$ 30 mil.

Aliado aos “pedágios”, a facção criminosa também fazia ameaças a eleitores. As autoridades policiais não divulgaram qual facção criminosa é investigada.

“O que me parece ser fundamental a partir dessa operação é o recado claro e objetivo: quem for candidato ou trabalhar com campanha eleitoral não deve se submeter a esse tipo de extorsão. É para isso que existem polícia, Ministério Público e Justiça”, disse o promotor Igor Pinheiro, coordenador do Grupo Auxiliar Eleitoral (Gael) do Ministério Público do Ceará (MPCE).

Morada Nova

O município de Morada Nova, a 170 km de Fortaleza, registrou o maior número de vereadores investigados, e presos, por suspeita de envolvimento com organizações criminosas: foram seis parlamentares detidos durante operações policiais — o que representa quase metade da Câmara Municipal, formada por 15 vereadores.

As prisões ocorreram no primeiro semestre de 2026. Em março, foram presos cinco vereadores, incluindo o então presidente da Casa, Hilmar Sérgio (PT). Além dele, foram detidos, durante a Operação Traditori, os vereadores:

  • Gleide Rabelo (PT) – então secretária na Mesa Diretora da Câmara;
  • Régis Rumão (PP) – vereador da Câmara Municipal;
  • Júnior do Dedé (PSB) – vereador, que estava licenciado e como secretário de Administração do município;
  • Cláudio Maroca (PT) – vereador da Câmara Municipal.

A suspeita é de que a organização Guardiões do Estado (GDE) no financiamento ilícito de campanhas eleitorais destes vereadores.

A investigação detalha que havia um “amplo e estruturado” esquema de lavagem de dinheiro praticado por integrantes da GDE para o financiamento de campanhas eleitorais em Morada Nova, com recursos oriundos do tráfico de drogas e armas, principalmente.

Por outro lado, o esquema exigia contrapartidas políticas e “proteção institucional”, com a nomeação de membros da GDE em cargos públicos. Um dos exemplos citados é a nomeação de uma mulher apontada como membro do núcleo financeiro-operacional da facção ao cargo de assessora de cerimonial na Câmara Municipal.

 

 

Em maio, mais um vereador foi preso: Weder Basílio (PP) foi detido na Operação Consorte, desdobramento da Operação Traditori. Ele era investigado como parte do núcleo político devido a movimentações financeiras expressivas e relações com outros investigados.

Contudo, ele teve o pedido de prisão preventiva anterior, de março, indeferido pela Justiça, por considerar que, até então, seus fluxos financeiros podiam estar ligados ao seu alto poder aquisitivo e empresas, não havendo provas de diálogos de cunho criminal explícito.

Como o processo é sigiloso, não é possível verificar como a investigação evoluiu e que novos indícios motivaram as ações desta terça-feira contra Weder Basílio.

Os parlamentares também foram afastados do mandato por 180 dias e tiveram seus ativos bloqueados e bens sequestrados pela Justiça.

Defesa dos acusados

A defesa do vereador Hilmar Sérgio disse que espera provar sua inocência. “Hilmar Sérgio é servidor público concursado, vereador de oito mandatos consecutivos, e afirma não ter qualquer relação com o crime organizado. A ação judicial tomou-o de surpresa e ele se encontra pronto para colaborar com a justiça”, manifestou em nota, na época da prisão.

Já a vereadora Gleide Rabelo afirmou “total inocência” e compromisso em colaborar para a elucidação dos fatos, também por meio de nota da defesa logo após a operação. “Gleide Rabelo é servidora pública concursada, vereadora de dois mandatos, com atuação destacada na comunidade. Nunca foi presa ou processada por qualquer fato”, pontuou.

Na época da prisão, a defesa de Weder Basílio informou que “todas as providências jurídicas” seriam adotadas. “Todas as providências jurídicas serão tomadas não só para revogar a prisão ilegal, bem como para esclarecer fatos que apesar de tratados como certos pelo delegado responsável, ainda estão sob apuração”, declarou.

PontoPoder não conseguiu localizar a defesa dos demais suspeitos de envolvimento no esquema criminoso.

Canindé

Dois vereadores de Canindé foram investigados por envolvimento com facções criminosas, embora com consequências distintas. O vereador Geovane Gonçalves (SD) foi denunciado, em junho do ano passado, por integrar organização criminosa.

Além dele, outras 17 pessoas também foram denunciadas pelo Ministério Público do Ceará pelos crimes de  integrar organização criminosa, associação para o tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica (conforme a participação individual de cada acusado), em denúncia apresentada à Justiça Estadual.

Além de ser denunciado como integrante da organização, Geovane Gonçalves já havia sido afastado do cargo público por 180 dias, durante operação realizada em maio de 2025.

O processo também tramita em sigilo de Justiça. A quadrilha é suspeita, entre outras coisas, de tentativa de cooptação de agentes públicos para participar do esquema criminoso. Na época, o PontoPoder não localizou a defesa do vereador.

O PontoPoder acionou o Ministério Público para saber como está o andamento do processo, mas não houve retorno. Também não foi possível localizar a defesa do parlamentar. O vereador Geovane Gonçalves consta no site da Câmara Municipal de Canindé como 3º secretário da Mesa Diretora.

 

 

Na Justiça Eleitoral

No caso da vereadora Professora Lorena (PRD), a investigação ocorreu na seara eleitoral. Em julho de 2025, ela teve o mandato cassado por abuso de poder político e econômico, com possível auxílio de uma figura ligada à facção Guardiões do Estado (GDE).

A denúncia principal trata de compra de votos, com a distribuição de medicamentos e kits de higiene. Contudo, Francisca Naiane Cavalcante Oliveira, citada em ação de busca e apreensão realizada em um distrito de Canindé, com a facção Guardiões do Estado (GDE), é apontada como dirigente de comitê eleitoral da vereadora de Canindé.

Professora Lorena negou relação com Francisca Naiane. “Afirmo, veementemente, que essa não é a realidade”, sustentou. “Já me manifestei sobre a sentença da magistrada da Zona Eleitoral e, apesar de discordar, respeito às decisões judiciais”, falou na época.

 

 

Contudo, o TRE Ceará confirmou a sentença em maio deste ano, com o desembargador eleitoral Emanuel Leite Albuquerque, designado relator da ação, que chegou a reforçar a “conexão direta” da parlamentar com a mulher investigada por integrar facção criminosa.

Logo após a decisão, Professora Lorena disse, na tribuna da Câmara, que “respeita a decisão da Justiça”. “Mas o respeito não me impede de sentir a injustiça”, acrescenta. Ela reforçou a inocência, citou sofrer “perseguição” e disse que irá recorrer. “A verdade sempre encontra o seu caminho”, disse.

O processo ainda aguarda análise de embargos de declaração no TRE Ceará, que irá analisar a tese apresentada pela defesa da vereadora, de nulidade do julgamento. Ela segue, portanto, no exercício do mandato.

Tejuçuoca

O vereador de Tejuçuoca Gerlano Cabeludo (MDB) foi alvo de um mandado de prisão temporária em uma operação conjunta da Polícia Civil e do Ministério Público em fevereiro de 2026. A investigação apurava um homicídio ocorrido na cidade, além da suspeita de envolvimento com organização criminosa.

Além dele, outro homem também foi preso em flagrante durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão. Duas armas de fogo foram apreendidas com o segundo suspeito.

O processo segue em segredo de Justiça e o PontoPoder não conseguiu ter acesso a maiores detalhes sobre o andamento da investigação. Atualmente, ele não aparece na lista de parlamentares no site da Câmara Municipal de Tejuçuoca.

Em fevereiro, por meio de nota, Gerlano se manifestou sobre o caso e disse estar passando por uma “forma de perseguição política”. Ele afirmou ter sido “seguido e abordado por diferentes forças policiais, criando um ambiente de intimidação” durante o período eleitoral.

 

 

“Desde a primeira vez em que coloquei meu nome à disposição do povo como candidato, passei a vivenciar situações recorrentes de abordagens, constrangimentos e acompanhamentos excessivos por agentes que deveriam garantir a segurança e tranquilidade da população”, acrescentou. Por fim, ele disse ter “confiança na Justiça, no devido processo legal e na verdade dos fatos”.

Iguatu

O então suplente de vereador Jocélio Viana (PSD) teve os votos anulados, o que levou a uma recontagem de votos para a Câmara Municipal de Iguatu. A decisão foi da Justiça Eleitoral, por meio da 13ª Zona Eleitoral, que, em abril de 2025, também tornou o investigado inelegível por oito anos.

Segundo a denúncia, havia indícios que Jocélio Viana havia oferecido R$ 50 mil a um integrante de uma facção criminosa local para obter apoio e votos nas últimas eleições. A conversa entre o então candidato e o traficante, conhecido como “Thiago Fumaça”, teria ocorrido via WhatsApp entre 6 e 26 de agosto de 2024.

Ainda segundo a investigação, a iniciativa para o contato com o criminoso foi de Jocélio e não houve envolvimento de outros candidatos na ação. Ele, no entanto, disse que foi “Thiago Fumaça” quem o procurou e que não conhecia a “ficha corrida” do traficante. Disse ainda não ter feito “promessa” ao criminoso.

Na época da condenação, Jocélio Viana considerou a decisão “equivocada”, mas não sabia se iria recorrer. “Estou avaliando se recorro ou silencio em forma de protesto”, disse.

Apesar disso, o ex-suplente apresentou recursos tanto ao TRE Ceará como ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ambos negados. A sentença foi, portanto, mantida de forma integral.

 

“A atuação de organizações criminosas no processo eleitoral exige resposta firme da Justiça Eleitoral. A infiltração dessas estruturas na disputa política representa ameaça direta à liberdade de escolha do eleitor, à paridade de armas entre os candidatos e à legitimidade da representação democrática. Quando o apoio eleitoral é buscado mediante ajuste com integrante de facção criminosa, o risco extrapola a vantagem econômica potencialmente auferida pelo candidato e alcança a própria integridade do processo eleitoral”, reforçou o ministro André Mendonça, do TSE, em decisão de junho deste ano.

 

Fortaleza

Eleito suplente de vereador, Juninho Aquino (Avante) foi cassado por abuso de poder e ameaça a opositores nas eleições de 2024. A ação, apresentada pelo ex-vereador Márcio Cruz, citava suposta ligação com o Comando Vermelho, que teria sido responsável pela coação aos adversários políticos — o que chegou a ser corroborado pelo Ministério Público Eleitoral (MPE).

No entanto, a Justiça Eleitoral não entendeu da mesma forma. Na primeira instância, o juiz julgou improcedente a ação contra o suplente. Apesar de ter revertido essa decisão, o pleno do TRE Ceará também rejeitou a tese de envolvimento com organização criminosa.

 

 

Na decisão, os desembargadores eleitorais citaram que havia uma “fragilidade do conjunto probatório” quando a “imputação de vínculo do investigado com organização criminosa”.

Apesar disso, a Corte entendeu que houve abuso de poder e cassou o diploma de Juninho Aquino, que chegou a assumir a cadeira na Câmara Municipal de Fortaleza antes disso. O recurso segue no aguardo de análise no TSE.

Na época da decisão, Juninho disse que era vítima de “perseguição política”. A defesa dele informou que a “votação expressiva” obtida por Juninho gerou “insatisfação” e que iria provar “a inocência do sr. Júlio Aquino Júnior”.

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Carlos Alberto

Oi, eu sou o Carlos Alberto, radialista de Campos Sales-CE e apaixonado por futebol. Tenho qualidades, tenho defeitos (como todo mundo), mas no fim das contas, só quero viver, trabalhar, amar e o resto a gente inventa!

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