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Mortes, mutilações e suspeita de alunos operando pacientes: o que a polícia apura em clínica do Rio

Vítimas relatam perfurações, necroses e cortes assimétricos. Inquérito apura se médicos estrangeiros em pós-graduação atuavam sem supervisão.

Por Fantástico

  • A Polícia Civil do Rio de Janeiro investiga a morte de 3 mulheres e lesões em pelo menos 30 pacientes de uma clínica de estética em Laranjeiras.

  • Entre as vítimas estão Isabely, que sofreu paradas cardíacas, e Jéssica, morta por infecção após remodelação costal. Os casos ocorreram na clínica Celita Toledo.

  • A investigação aponta que estudantes de pós-graduação realizavam os procedimentos sem supervisão médica. Os documentos da clínica ocultavam a participação dos alunos nas cirurgias.

  • Vistorias do Cremerj e da Vigilância Sanitária flagraram falta de anestesistas, ausência de sala de recuperação e medicamentos vencidos. O conselho instaurou processo de interdição.

  • A proprietária Celita Toledo nega irregularidades. O inquérito policial reúne denúncias de outras 24 mulheres que relatam sequelas e mutilações pós-cirúrgicas.

Polícia investiga mortes e denúncias em clínica de cirurgias plásticas no RJ

Polícia investiga mortes e denúncias em clínica de cirurgias plásticas no RJ

A morte de três mulheres após cirurgias estéticas e os relatos de outras pacientes que ficaram com sequelas graves colocaram uma clínica da Zona Sul do Rio de Janeiro no centro de uma investigação da Polícia Civil. O inquérito apura suspeitas de irregularidades em procedimentos cirúrgicos, incluindo a possível participação de alunos de pós-graduação em operações realizadas sem o conhecimento das pacientes.

Além dos casos que terminaram em morte, a investigação reúne denúncias de pelo menos outras 24 mulheres que relataram complicações, infecções, necroses e deformidades após procedimentos realizados na clínica.

Uma das vítimas foi a técnica de enfermagem Isabelle, de 42 anos. Mãe de três filhos, ela se internou para fazer uma cirurgia plástica no abdômen e morreu após sofrer várias paradas cardíacas durante o procedimento.

“Minha filha saiu toda animada para fazer essa cirurgia. Antes dela entrar para a sala, falou: ‘Mãe, já estou indo. Benção’. Nunca mais ela voltou para mim”, relatou a mãe da vítima.

 

Segundo a família, o médico responsável pela anestesia havia se formado em 2023 e não possuía especialização na área, requisito obrigatório para exercer a atividade.

Mortes, mutilações e suspeita de alunos operando pacientes: o que a polícia apura em clínica do Rio — Foto: Reprodução/TV Globo

Mortes, mutilações e suspeita de alunos operando pacientes: o que a polícia apura em clínica do Rio — Foto: Reprodução/TV Globo

Outra morte após complicações

 

Menos de um mês antes, outra paciente, Jéssica, de 32 anos, também morreu após passar por procedimentos na mesma unidade. Segundo o marido, ela retornou à clínica porque não estava satisfeita com o resultado de uma cirurgia anterior e foi convencida a realizar uma remodelação costal, técnica proibida no Brasil para fins estéticos.

De acordo com o relato da família, uma perfuração intestinal desencadeou uma série de complicações. Jéssica passou cerca de dois meses internada e foi submetida a inúmeras cirurgias antes de morrer em decorrência de uma infecção generalizada.

“Aí virou o nosso pesadelo”, disse o marido.

O que a polícia investiga

 

Um dos principais focos da investigação é um convênio entre a clínica e instituições de ensino que oferecem cursos de pós-graduação em cirurgia plástica para médicos formados em países da América Latina.

A polícia tenta esclarecer se profissionais que participavam desses cursos teriam atuado diretamente nas cirurgias, assumindo funções que deveriam ser exercidas exclusivamente pelos médicos responsáveis pelos procedimentos.

Segundo a investigação, os alunos deveriam apenas acompanhar as operações para fins de aprendizado, mas há suspeitas de que alguns estivessem operando pacientes sem supervisão adequada e sem que as mulheres fossem informadas sobre isso.

Em operações recentes, um dos sócios da clínica e um médico peruano sem registro profissional no Brasil chegaram a ser presos e depois foram liberados após prestarem depoimento.

Irregularidades apontadas

 

Uma vistoria realizada pelo Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (Cremerj) encontrou uma série de problemas na unidade. Entre eles, a ausência de sala adequada para recuperação pós-anestésica, falta de anestesista em procedimentos e a utilização irregular de alunos como auxiliares cirúrgicos.

Já a Vigilância Sanitária municipal notificou a clínica após encontrar medicamentos fora do prazo de validade. Também foram relatados problemas relacionados à esterilização de materiais.

Diante das irregularidades, o Cremerj iniciou um processo de interdição da clínica. Mesmo assim, a unidade continua funcionando normalmente.

Relatos de sequelas

 

Além das mortes, dezenas de pacientes relatam consequências que carregam até hoje.

A professora Adriane afirma ter desenvolvido necrose e uma infecção grave após uma cirurgia abdominal. Ela diz que só mais tarde descobriu que o profissional que a operou não era habilitado como cirurgião plástico.

“Estou deformada. Eu não tenho coragem de botar minha barriga para fora, não tenho coragem de me olhar no espelho. Eu poderia estar na estatística. Eu sobrevivi”, afirmou.

 

Outras pacientes relatam cicatrizes extensas, assimetrias e resultados diferentes entre os lados do corpo, levantando suspeitas de que mais de uma pessoa teria participado dos procedimentos.

Uma delas afirmou que os cortes realizados em cada lado do corpo eram tão diferentes que acredita ter sido operada por profissionais distintos.

O que diz a clínica

 

A proprietária da clínica, Celita Toledo, confirmou ao Fantástico que duas mortes ocorreram após cirurgias realizadas na unidade, mas negou que estudantes tenham operado pacientes. Segundo ela, os procedimentos são realizados por médicos com registro profissional e acompanhados por alunos dos cursos de pós-graduação.

A empresária também afirmou que está colaborando com as investigações e declarou não estar preocupada com as denúncias ou com as fiscalizações realizadas pelos órgãos competentes.

Enquanto o inquérito avança, familiares das vítimas e mulheres que relatam sequelas cobram providências para evitar que novos casos ocorram. Uma das pacientes resume o sentimento compartilhado pelas denunciantes:

“Foram cobaias. Todas elas foram cobaias”.

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Carlos Alberto

Oi, eu sou o Carlos Alberto, radialista de Campos Sales-CE e apaixonado por futebol. Tenho qualidades, tenho defeitos (como todo mundo), mas no fim das contas, só quero viver, trabalhar, amar e o resto a gente inventa!

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